Um governo não se mantém contra uma hegemonia cultural

Guerra franco prussiana: Attack on the Longboyau Gate, Buzenval, France, January 1871 - Alphonse de Neuville

Guilherme Hobbs

I) Se o PT quisesse voltar ao poder pelo caminho mais curto, teria apoiado Ciro Gomes e provavelmente hoje estaria na vice-presidência e numa dúzia de ministérios (sobretudo se um tal Adélio não tivesse atravessado a História).

II) O PT não quis, mas consentiu que Bolsonaro ganhasse — como FHC consentiu que Serra perdesse em 2002 — pensando em 2022 e além, quando poderá, nas palavras de Dirceu, “conquistar o poder e isso nada tem a ver com eleições”. Isso explica o partido só querer falar para a própria militância neste ano, apostando em palavras-de-ordem e sem oferecer alternativas práticas para o país.

III) O governo Bolsonaro é fácil de desgastar pela situação crítica que herdou, o enxame de oportunistas ao seu redor e a inabilidade de seus apoiadores. Com o controle da imprensa nas mãos, basta repetir interminavelmente que o governo é um desastre até que a narrativa finalmente cole, embalada pelos problemas econômicos e a fabricação de crises.

IV) Quando a maioria perder a confiança no governo e no seu ideário, via impeachment ou eleição a esquerda voltará com aparência moderada, fala mansa e promessas de facilidades, o que será efusivamente comemorado na imprensa como “alternância de poder” e volta à “normalidade”. E acabou toda moralização do Estado e da política, sob os aplausos dos sensatos e isentos.

V) Essa estratégia vai dar certo, se não agora, então mais à frente. Um governo não se mantém contra a elite cultural — em sentido sociológico –, jornalística e universitária, de um país por anos a fio. Água mole em pedra dura . . . Uma mentira repetida infinitas vezes . . .

VI) A solução? Trabalho de base, criação de novas organizações jornalísticas e culturais, mudança da sociedade antes do Estado. O poder de gerar mudanças duradouras é o poder das idéias e não o das urnas, decretos e MPs.


 
 

4 thoughts on “Um governo não se mantém contra uma hegemonia cultural

  1. Criar uma “nova elite” que rejeite o PT não é solução porque só gera resultados a medio prazo.
    A solução de curto prazo é gerar crescimento econômico, para assim gerar empregos.

  2. Fechar o Congresso, Senado, STF.
    Ditadura Branca por 1 ano.
    Fazer as reformas que forem necessárias.
    Posteriormente convocar eleições gerais.

  3. Recordo-me da fala do Prof° Olavo de Carvalho: “A reforma deve acontecer na base” . Não adianta maquear se não tratar as espinhas.

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