O Niilismo e a revolta contra a vida: o estado psicológico de um atirador em massa

O aumento no número casos de atiradores em massa em escolas americanas tornou-se uma preocupação constante nos Estados Unidos nos últimos anos. À exceção dos casos de terrorismo islâmico, que tem por finalidade provocar o terror enquanto propaga uma ideologia política e religiosa, o perfil dos atirados de escolas são sempre de jovens, do sexo masculino, com comportamentos questionáveis em relação ao convívio social. O que nos leva, portanto à pergunta: O que motiva o comportamento de violência antissocial destes jovens?

Perguntado pelo apresentador Tucker Carlson, o psicólogo clínico e professor da Universidade de Toronto, Dr. Jordan Peterson, ofereceu a seguinte proposição durante uma entrevista após o atendado na Parkland School, em fevereiro 2018:

“Por que eles são niilistas e revoltados. A vida é um ambiente com obstáculos, com sofrimento e malevolência; e a não ser que você tenha uma vida com propósito, com objetivo, com sentido, você pode acabar se revoltando contra a própria natureza humana, buscando no massacre de vidas inocentes uma exposição pública da sua raiva e o seu ódio pela sua própria existência. Em uma linguagem religiosa: Trata-se de uma revolta contra Deus.”

O ataque covarde em uma escola de Suzano-SP no último dia 13, que vitimou oito vidas inocentes, coloca em evidência no Brasil um fenômeno recente para a nossa realidade, que apesar de conviver com a violência urbana e a criminalidade, esteve até há pouco tempo inume à este tipo de tragédia.

No entanto, o massacre de Realengo-RJ em 2011, que deixou doze mortos; a recente tragédia na Catedral Metropolitana de Campinas em dezembro de 2018, que vitimou quatro cristãos inocentes; somadas à Suzano; expõem o Brasil à um novo tipo de violência, que apesar de ser equivocadamente vinculada ào debate sobre a posse de armas – uma narrativa sequestrada por pautas ideológicas – contextualiza-se no âmbito psicológico, de acordo com Dr. Peterson. Ou seja, a premissa correta para o debate, trata-se dos motivos que levam um jovem a cometer tal atrocidade, ao invés de focarmos no modus operandi utilizado.

A nível social, um ambiente em que jovens se tornam aptos a este tipo de comportamento, é reflexo de uma sociedade com padrões morais, sociais e éticos extremamente relativizados. Nesse sentido, Dr. Peterson estressa a importância de não subestimar a necessidade de se trabalhar com os jovens o sentido de propósito em suas vidas, de modo que a discussão filosófica bem como religiosa passa a ocupar um papel importantíssimo, tanto para o indivíduo quanto para o grupo, que se beneficia de um comportamento não-agressivo de jovens “problemáticos.”

Tal como o aumento no número de suicídios, o aumento do número de casos de atiradores em massa é uma consequência direta da degradação social e da relativização moral – que vem acompanhada da secularização da sociedade – do ocidente, de modo que somente o nosso retornar para o debate em torno da importância da responsabilidade dos indivíduos, em torno de valores e condutas, pode evitar que tragédias como Suzano, Campinas e Realengo se tornem parte do cotidiano do Brasil.

Quanto ao sexo dos atiradores, trata-se de um fenômeno de natureza biológica: homens e mulheres diferem quando à natureza comportamental no quesito violência, explica Dr. Peterson. Apesar da assimetria no nível mediano das amostras, nos extremos os números são muito claros: enquanto a possibilidade de que o indivíduo mais violento de um grupo “x” seja do sexo masculino é de apenas 60% na média da amostras; a possibilidade de que o indivíduo mais violento deste mesmo grupo seja do sexo masculino é de 100% no extremos das amostras. E é justamente dos extremos dos grupos de onde saem os indivíduos que se voltam para este padrão de violência antissocial como mecanismo de revolta.

Os fatos mencionados pela premissa acima apresentam um desafio para o ambiente educacional. Influenciado por pensamentos como o pós-modernismo e socio-construtivismo e suas agendas políticas e ideológicas, esses pensamentos relativizam – ou mesmo negam– as diferenças biológicas entre o sexo masculino e o sexo feminino, de modo que o ambiente educacional acaba por contribuir de forma negativa para o desenvolvimento dos jovens do sexo masculino – e consequentemente da sociedade – com conceitos como “masculinidade tóxica” – que pode definir qualquer posicionamento vindo de alguém do sexo masculino, inclusive a afirmação da existência de diferenças biológicas entre os sexos – e “privilégio masculino.”

Um outro aspecto abordado por Dr. Peterson, trata-se do papel da mídia. Um dos erros da grande imprensa – ou mesmo das mídias alternativas – trata-se da publicidade que se dá ao nome e às imagens dos atiradores. Parte do fenômeno psicológico associado aos massacres de inocentes como o de Suzano, Realengo ou Parkland, trata-se do desejo pela notoriedade por parte dos delinquentes envolvidos, notoriedade a qual eles julgam negadas por seus pares ou familiares. Os atiradores em massa agem portanto, em plena consciência de seus atos, motivados pelo saber de que seus nomes e suas imagens pessoais serão maciçamente publicadas nos meios de comunicação, um feito que representa uma espécie de “vingança social” por parte do atirador, ainda que post-mortem.

O argumento de que a imprensa deveria buscar um acordo de não-publicidade a todos os casos de atiradores em massa é defendido por nomes como o próprio Dr. Peterson; por Dr. Steven Pinker, psicólogo cognitivo e professor de Psicologia pela Universidade de Harvard; além de nomes importantes da imprensa como o renomado comentarista Benjamin Shapiro, editor do portal Daily Wire.

Em um mundo onde a existência do mal é uma realidade natural, a defesa de valores transcendentais do ser, do bom, belo e moral, são imprescindíveis. Além disso, há que estarmos constantemente em alerta para os perigos do niilismo que destrói a essência dos valores da vida humana. Em texto publicado em sua rede social, o Juiz Eduardo Perez de Oliveira, escreve:

“Não é possível prever o imprevisível. Há, sem dúvida, a arrogância de alguns no querer controlar a humanidade com uma plêiade de regras, no fetiche do caudilhismo pantomímico com suas palavras de ordem, seus gritos histéricos e sua agressividade gestual. (..) Porque não é possível, nem nunca será, prever a extensão do mal, é preciso semear o bem em constante alerta. Não é questão de ideologia, mas de sobrevivência.”  


 
 

2 thoughts on “O Niilismo e a revolta contra a vida: o estado psicológico de um atirador em massa

  1. Bom dia, senhores. Gostei muitíssimo do texto, muito coerente e imprescindível ao entendimento dos fatos através de uma visão equilibrada, como se mostra. Entretanto, perdoem-me, gostaria de alertá-los pelos vários erros ortográficos e até de coesão espalhados pelo texto. Sou sensitivo a isso por dois motivos, primeiro por enxergar tamanha pérola informativa que os senhores dispõe com este artigo e, portanto, quase um pecado veiculá-la com erros e brechas a falácias de toda sorte. Segundo, por ser professor de português e por ter sido, por alguns anos, revisor textual em nosso idioma. Agradeço o espaço e peço desculpas se soei pedante. Se eu puder ajudar de alguma forma, não hesitem em pedir.
    Não precisam divulgar este meu comentário publicamente, se não o quiserem, apenas gostaria de contribuir com melhorias.

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