Brasil formaliza desligamento da UNASUL, a fachada legal do Foro de São Paulo

O presidente Jair Bolsonaro anunciou nas suas redes sociais que o ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, formalizou a saída do Brasil da UNASUL.

A UNASUL (Tratado Constitutivo da União de Nação Sul-Americanas) nasceu em 2008 e passou a vigorar em 2011, como mais uma tentativa de integração regional dos países do subcontinente. A justificativa para a efetivação do tratado – que se iniciou com doze países membros – era formar um bloco para cooperação cultural, política e econômica na região, equivalente ao que é a União Europeia, incluindo o plano, para o longo prazo, de unificação monetária. Diz assim o artigo 2 do tratado sobre seus objetivos:

A União de Nações Sul-americanas tem como objetivo construir, de maneira participativa e consensuada, um espaço de integração e união no âmbito cultural, social, econômico e político entre seus povos, priorizando o diálogo político, as políticas sociais, a educação, a energia, a infra-estrutura, o financiamento e o meio ambiente, entre outros, com vistas a eliminar a desigualdade socioeconômica, alcançar a inclusão social e a participação cidadã, fortalecer a democracia e reduzir as assimetrias no marco do fortalecimento da soberania e independência dos Estados.

 

No entanto, é importante fazermos algumas contextualizações. Quando o bloco foi idealizado e o tratado formalizado, o grande agente político na região era o Foro de São Paulo. E era o grande agente, pois, configurava o único grupo organizado para ação de longo prazo, coordenado para fins específicos unanimemente aceitos, possuindo os meios para concretiza-los. O Foro reunia, além dos governos de uma série de países da região[1], partidos importantes, lideranças carismáticas, religiosos influentes e chefes do narcotráfico e de guerrilhas organizadas – além de contar com a cumplicidade de políticos simpatizantes que fingiam oposição nos seus países e da grande mídia que encobria deliberadamente as ações do grupo.  Estavam com a faca e o queijo nas mãos.

Entretanto, como não podia deixar de ser, o Foro era uma organização clandestina, não podia se colocar como um player legítimo no plano geopolítico – não obstante fosse, reitero, ainda que de maneira escusa, o grande agente da região. Daí que a UNASUL tenha surgido, em boa medida, como uma fachada legal para a implementação de algumas bandeiras discutidas e acatadas nas reuniões do Foro.

Vale apontar que a ideologia do Foro de São Paulo prega a integração total dos países da região para formar aquilo que chamam de pátria grande. Não à toa um dos objetivos declarados da organização era construir aqui o que fora perdido no Leste Europeu com a queda do Muro de Berlim. Ora, o que se perdeu naquela região, com o fim da União Soviética, foi a subordinação de um conjunto de nações, outrora independentes, aos comandos do partido comunista da Rússia e da KGB. Por aqui, Lula e Fidel, founding fathers do Foro, sonhavam, portanto, com um bloco regional latino-americano de países, cientes disso ou não, agindo sob a batuta de Havana.

A prova do crime é que a UNASUL teve como signatários nomes como: Lula, Hugo Chavéz, Cristina Kirchner, Michelle Bachelet, Rafael Correa e Evo Morales, o núcleo duro do Foro de São Paulo. E isso fez com o tratado já nascesse não só contraditório, mas imoral e mesmo criminoso, uma vez que o acordo prega o respeito à soberania, à democracia e aos direitos humanos, porém foi firmado por membros de honra do grupo que abriga ditadores, corruptos e bandidos de toda espécie.

Deu-se, todavia, que com o declínio dos governos ligados ao Foro, caiu também o prestígio do tratado – sobretudo porque a contradição ficou patente demais quando Evo Morales, tirano da Bolívia, assumiu a presidência do bloco desmentindo as cláusulas e os princípios do acordo.

Ato contínuo, em abril de 2018, os governos de Brasil, Argentina, Chile, Colômbia, Paraguai e Peru decidiram renunciar suas participações no bloco. E já em março de 2019 esses países, mais o Equador e a Guiana, assinaram um documento expressando a vontade de construir um novo tratado, a PROSUL, em substituição à UNASUL. Este novo acordo, conforme informação do site no Ministério das Relações Exteriores terá “estrutura leve e flexível, com regras de funcionamento claras e mecanismo ágil de tomada de decisões. Terá, ainda, a plena vigência da democracia e o respeito aos direitos humanos como requisitos essenciais para os seus membros”.

A decisão segue o coerente redirecionamento das relações internacionais brasileiras. A política de Ernesto, em consonância com as propostas de campanha de Bolsonaro, é a de se afastar das tiranias – socialistas ou de qualquer outro tipo – e estreitar laços com as democracias ocidentais – ou ocidentalizadas.

Acompanhemos, portanto, como se dará a formação desse novo tratado regional e que os abutres fiquem mesmo de fora.

 

 

[1] No 19 encontra da organização Lula comemora o número de presidentes latino-americanos que eram integrantes do Foro e que só chegaram ao poder graças à organização, veja: https://www.youtube.com/watch?v=twXi0Jab2aA


 
 

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