Papa grava vídeo falando sobre a “imparcialidade dos juízes” e gera polêmica

O Papa Francisco publicou, hoje (4), um vídeo nas suas redes sociais em que fala sobre a necessidade de os juízes serem imparciais e, como não poderia deixar de ser, devido o cenário, o vídeo causou grande polêmica entre os internautas.

A mensagem, em si, é obviamente correta, cristã e verdadeira. No entanto, ela se insere em um contexto delicado, pois, é sabida e notória a inclinação do Sumo Pontífice à ideias e personalidades ligadas à esquerda política bem como o é conhecida a sua postura mais crítica ao capitalismo e à figuras de viés direitista, como o presidente dos EUA Donald Trump.

E essa proximidade do Papa com a esquerda talvez seja ainda mais forte aqui na América Latina, continente em que o Pontífice nasceu. O Sacerdote nunca escondeu sua simpatia – que parece extrapolar a mera parcimônia cristã e não tem paralelos com figuras do outro lado do espectro ideológico – por líderes como Evo Morales, Maduro, Kirchner e Lula.

Quanto a este último, inclusive, as relações com o Papa, sobretudo após a prisão do ex-presidente, conta com alguns episódios que sugerem uma aproximação entre os dois como, por exemplo, o da carta, datada de 29 de maio, de Bergólio à Lula, na qual o líder católico deseja força e promete orações ao petista.

Por tudo isso, é difícil interpretar o novo vídeo do Papa fora da discussão sobre as ações do ministro Sérgio Moro e a força-tarefa da Lava Jato. Todos sabemos que a grande polêmica pública atual, no Brasil, gira em torno das denúncias de Gleen Greenwald e a turma do site The Intercept Brasil que acusam Moro, juiz que cuidava da ação na primeira instância, de imparcialidade, já que estaria favorecendo os procuradores, encabeçados por Deltan Dallagnol, em detrimento de Lula. E é basicamente sobre isso que fala o vídeo do Papa.

Diz Francisco: “Sua independência [se referindo aos juízes] deve ajudá-los a serem isentos de favoritismos e de pressões que possam contaminar as decisões que devem tomar”.

Demais, curiosamente, o vídeo mostra a encenação de um julgamento em que há advogados bem equipados, poderosos, acusando um sujeito aparentemente humilde, com cara de inocente. E, pior, a peça mostra os advogados acusando o homem humilde de ser dono de um resort enquando este alega ter apenas uma casa simples. Resort… Triplex na praia…

Ora, para além de toda a benevolência católica, não dá para negar que a mensagem tenha remetente e intenção bem calculadas e bem direcionadas. O vídeo mostra um claro posicionamento político do Papa Francisco, pois, pelo histórico de declarações e atos, em última análise, Francisco acha mesmo que Lula é um preso político, um homem caridoso e protetor dos pobres, que fora vítima da maldade do grande capital. Do ponto de vista político, é assim que o Papa enxerga o mundo. Infelizmente.

 

5 thoughts on “Papa grava vídeo falando sobre a “imparcialidade dos juízes” e gera polêmica

  1. Fábio Gonçalves, a intenção de rezar em julho de 2019 em torno deste tema foi divulgado no início do ano pela Rede Mundial de Oração do Papa, quando o sr. afirma “não dá para negar que a mensagem tenha remetente e intenção bem calculadas e bem direcionadas.” foi considerado que trata-se de intenções combinadas bem antes do The Intercept Brasil criar a polêmica e divulgar supostas mensagens obtidas de forma ilegal?

    No caso de afirmativa, o sr. acha que então foi uma conspiração friamente calculada em um conluio entre o Papa e o The Intercept Brasil?

  2. Lendo este artigo, chego a conclusão que a direita é tola. Há uma necessidade de ser anti papa para ser considerado de direita e conservador. Rezemos pelo Papa Francisco que é bem difamado e caluniado, tanto pela direita e pela esquerda.

  3. O cara do artigo é desinformado demais pra se definir de direita. Como a turma que toma todas as ideias do Twitter como reais, esqueceu de pesquisar. As intenções de oração do pontífice foi divulgada em janeiro, com um tema específico em casa mês.
    Outrossim, o papa não diz nenhuma inverdade, muito menos defende nada que a direita (de verdade) não defenda.
    Fica uma impressão que o autor defende juiz parcial. Muito cuidado.

  4. Essa direita neocon é mesmo burra e precipitada por acreditar nas fake news da esquerda e sair fazendo espalhafato contra o Papa.

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