Governo chinês continua usando órgãos de presos políticos para transplantes

Pintura intitulada 'Extração ilegal de órgãos', de Dong Xiqiang (The Traditional Culture Arts Center) Fonte: Epoch Times.

A China mantém hoje milhares de presos políticos e condenados à morte, dos quais tem utilizado os órgãos para transplantes. Uma denúncia feita em 2014 fez com que o país prometesse rever essa prática. Mas, de acordo com um tribunal independente, localizado em Londres, isso não aconteceu.

O China Tribunal, formado para investigar a prática da coleta forçada de órgãos de presos políticos na China, monitora as vítimas entre muçulmanos uigures e os praticantes do Falun Gong, uma prática espiritual chinesa. Médicos e investigadores de direitos humanos expuseram evidências assustadoras.

Publicado no dia 17 de junho de 2019, o julgamento final do tribunal apresenta, de forma unânime, a conclusão do júri de que a coleta forçada de órgãos de prisioneiros políticos na china vem ocorrendo por longo tempo e em um número considerável de vítimas.

De acordo com Sir Geoffrey Nice QC, presidente e promotor do tribunal, “muitas pessoas morreram de formas indescritivelmente hediondas e sem razão e muitos outros podem sofrer de forma semelhante e que todos nós vivemos em um planeta onde a extrema maldade pode ser encontrada no poder daqueles que, por enquanto, administram um país com uma das civilizações mais antigas conhecidas pelo homem moderno”, disse Nice QC, que também julgou os crimes cometidos na antiga Iugoslávia.

A coleta forçada de órgãos tem sido cometida durante anos em toda a China em uma escala significativa e os praticantes do Falun Gong têm sido os principais atingidos. A perseguição combinada e os exames médicos dos uigures são mais recentes e pode ser que evidências de remoção forçada de órgãos desse grupo possam emergir no tempo devido.

Não foram encontradas evidências do desmantelamento da estrutura associada à indústria de transplante da China. Sem uma explicação satisfatória para a fonte de órgãos prontamente disponíveis, o tribunal conclui que a remoção forçada de órgãos continua ininterrupta.

As principais evidências reunidas pelo tribunal são estimativas de um alto número de transplantes, muito maior do que as estatísticas oficiais, do curto tempo de espera por um transplante e testemunhos de ex-detentos. Há relatos de remoção de órgãos de pessoas vivas, que foram mortas no procedimento.

O tempo de espera por um órgão para transplante é bastante baixo na China, o tribunal apontou, normalmente de apenas algumas semanas. O tribunal foi iniciado pela Coalizão Internacional para o Fim dos Abusos em Transplantes na China (Etac) e seus membros, que trabalharam de forma voluntária.

A China insiste que cumpre os padrões internacionais que exigem que as doações de órgãos sejam feitas com consentimento e se recusou a participar do tribunal, segundo o jornal The Guardian.

Informações e texto: Gazeta do Povo

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