MBL imita Folha de São Paulo e espalha fake news sobre as manifestações do dia 26

Foto: Edilson Dantas / Agência O Globo

O MBL (Movimento Brasil Livre) tornou-se o centro das discussões políticas nos últimos dias em razão de seu posicionamento controverso sobre os atos que acontecerão em todo o país no próximo domingo, 26.

Toda a polêmica começou quando o grupo liderado por Renan Santos e pelo deputado federal Kim Kataguiri expediu uma nota oficial justificando a ausência do MBL nos protestos.

Segundo o comunicado, o ato, impulsionado nas redes, em um primeiro momento, com as tags #Artigo143Já (que prega a intervenção militar) e #OPovoVAiInvadirOCongreso, teria um teor golpista, antirrepublicano, anti-político, anti-liberal e anti-conservador, e, em sendo assim, preferiam se evadir do evento para não macularem a personalidade do movimento que, de acordo com que disseram, atua sempre pela via do diálogo, da articulação política, do respeito às instituições etc.

Segue a íntegra da nota do MBL sobre as manifestações de 26 de maio:

Caros apoiadores, seguidores e inscritos. O MBL vem acompanhando com apreensão certas movimentações em redes sociais, e notou que um setor em especial — mais radical — está convocando uma estranha manifestação em Brasília.

Entre as hashtags divulgadas por essas pessoas, estão #Artigo142Já — focado em fechar o STF — e #OPovoVaiInvadirOCongresso , autoexplicativa. Obviamente, tais pautas antirrepublicanas não são compartilhadas pelo MBL, e pelo bem das reformas e do país ficaremos de fora deste ato.

Desde 2015 sofremos pressão para aderir a pautas simplistas e absurdas, e jamais fizemos uso desse expediente para avançar a agenda do movimento. Já derrubamos a Dilma e o PT no diálogo e na boa política. Vamos avançar as reformas que o Brasil precisa do mesmo jeito.

Nosso único ato programado é no dia 22 de maio, quando vamos enviar nossos ativistas para convencer deputados a aprovarem uma reforma da previdência que acabe com privilégios.

 

Ocorre, que, tão logo a nota circulou na internet, o grupo passou a sofrer incontidos ataques de pessoas e movimentos bastante indignados com a mensagem. A justificativa era que o MBL estaria distorcendo a pauta da manifestação para tachá-la como ilegítima e, por isso, boicotá-la.

Ato contínuo, os maiores influenciadores da direita politicamente ativa nas redes sociais, como Nando Moura, Bernardo Kuster, Daniel Lopez, Diego Rox e outros, saíram em defesa dos protestos do dia 26 e trataram de explicar, pacientemente, que os radicais eram uma minoria e que a pauta principal é fazer uma pressão, política, sobre o Centrão. O objetivo, segundo essas figuras, é, portanto, pressionar o grupo de barganhadores profissionais encastelados no Congresso para que votem, rápido, o Pacote Anticrime do ministro Sérgio Moro (reforma no Código Penal), aprovem a Reforma da Previdência, cheia, apresentada pelo ministro Paulo Guedes e que mantenham a estrutura ministerial de Bolsonaro como desenhada pela MP 870. Ou seja, é o povo que elegeu Bolsonaro pedindo que sua agenda, importante para todos os brasileiros, avence no parlamento ainda que a contragosto da turma da “velha política” que, mais uma vez, tem jogado contra o país. Há algo mais democrático que isso?

 

Vídeo do Nando Moura esclarecendo as pautas do 26 de maio:

Desta feita, esperava-se do MBL, senão a adesão aos protestos que, por óbvio, eles são livres para não apoiar, pelo menos uma retratação, um mea culpa, uma mudança no tom. Fez-se, porém, o contrário.

Em um vídeo de cerca de 15 minutos, Renan Santos reafirmou a narrativa inicial e reiterou a tese de que não participariam pois o ato tem um viés anti-político e golpista, via de ação do novo governo que tem como mentores, segundo Santos, os filhos do presidente, alguns assessores e o filósofo Olavo de Carvalho.

 

Vídeo do Renan Santos reforçando a narrativa distorcida:

 

Também em vídeo, o símbolo máximo do movimento, Kim, repetiu à risca o mesmo discurso, evidentemente alinhado: o ato é coisa de golpista que vai pôr as reforma à perigo.

 

Kim repetido a ladainha:

 

Esse conjunto de fatos redundou numa campanha gigantesca de boicote ao MBL. O alvo principal foi o canal do YouTube do grupo que perdeu em poucos dias mais de 160 mil inscritos – o que significa, entre outras coisas, prejuízos econômicos.

 

Segundo a Social Blade, o grupo perdeu mais de 160 mil inscritos no canal do YouTube em um espaço de cinco dias.

Entretanto, quando a poeira parecia estar baixando e o silêncio de constrangido parecia ser a estratégia adotada pelas lideranças, eles retomaram o expediente difamatório.

Primeiro usando celebridades liberais-conservadoras.

Para endossar sua atitude e provar que não está sozinho nessa, o MBL passou a divulgar uma lista de personalidades midiáticas que não iriam às ruas no próximo domingo. Dois desses foram o Caio Coppolla, jornalista que é fenômeno de audiência na internet e Danilo Gentili, um dos maiores influenciadores do Twitter. Resultado: ambos desmentiram a informação. Coppolla disse, inclusive, que não só apóia como estará nas manifestações. Danilo, por sua vez, explicou que uma mensagem em que se negava a fazer uma convocação não tinha a ver com os protestos e que em nenhum momento havia se pronunciado contrariamente ao ato.

 

Caio Coppolla desmentindo a narrativa do MBL:

 

Danilo Gentili twitta sobre o boato veiculado por emebelistas:

 

Em franco desespero, porém em outro front, o grupo tentou emplacar a narrativa dos “moderados que não aderiram” usando imagens de políticos populares.

Depois que o Porta-Voz da Presidência, ministro Rêgo Barros, disse em coletiva que o presidente e seus ministros não comparecerão ao ato – pelo simples motivo que não cabe a eles, representantes do Estado, irem a um manifesto de civis a favor de si próprios – o MBL passou a espalhar folhetos nas redes dizendo que Bolsonaro, Moro e Guedes juntaram-se às fileiras dos prudentes Kim, Holiday, Santos, Balbinus e cia., e não iriam às ruas.

Kim espalha a fake news:

 

Em seguida, leva uma chamada do cantor Zezé di Camargo:

 

 

Esse último expediente foi tão baixo que uma chuva de mensagens nas páginas do grupo passou a compará-los com a Folha de São Paulo, ícone do jornalismo inescrupuloso que planta qualquer manchete, por mentirosa que seja, para colher os frutos da narrativa que lhe beneficia.

O fato é que o MBL se equivocou na leitura inicial do cenário. Fizeram um julgamento precipitado das manifestações por preconceito ideológico – o Renan e o Kim já atribuíram mais de uma vez a culpa dos problemas do governo na atuação de Olavo, um entusiasta da pressão popular sobre a classe política – ou por pura malícia. Daí que erraram na nota oficial e, depois de desmentida a narrativa a que se apegaram, e desmentida até por gente extremamente moderada como Augusto Nunes da Jovem Pan, não tiveram a hombridade de voltar atrás.

No fim, acabaram encobertos até o pescoço na lama da mentira. Saem de tudo isso muito mais fracos do que entraram.

6 thoughts on “MBL imita Folha de São Paulo e espalha fake news sobre as manifestações do dia 26

  1. MBL é o mesmo que a Orcrim PT nas décadas de 1980 e 1990.

    Quem colocar essa CORJA no poder novamente, que se considere tão traidor da pátria quanto ela.

  2. Oqueprecisa ser eliminado, éa ORCRIM que o Brasilpassou a conhecer com essa turma no poder. Estamos pagando caro pelo analfabetismo politico dos 39% de eleitores que elegeram esse fiasco de PRESIDENTE…

  3. Pra ficar completo e pra posteridade, só faltou falar sobre a Live que fizeram…dizendo pras pessoas saírem do canal, pro bolsonaro cometer suicídio…

  4. Era simples de resolver, bastava serem humildes e assumirem o erro, deram voz a uma minoria insignificante se comparada a maioria do povo que vai protestar legitimamente com pautas que o próprio MBL defende. E para piorar depois disso se apegaram a uma narrativa errônea e tentaram a partir daí justificar injustificável . Agora colhem os frutos da sua própria arrogância e prepotência, lamentável pois eles decepcionaram muita gente.

  5. Engraçado se você notar os dados de seguidores do youtube, aparece “last 30 days” ou últimos 30 dias, indicando a perda de 160 mil seguidores ou cerca de 5 mil diários, em compensação ganho de 11 milhões… ao menos seria interessante revisar seu texto. E eu seria a última pessoa a defender o tal MBL, que inclusive foi um dos responsáveis por eleger e foi eleito pelo modelo político atual.

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