Maia muda o tom e diz que bronca de Guedes “uniu o parlamento”

Na última sexta (14), o ministro Paulo Guedes reclamou das mudanças propostas pelo relator da Previdência, Samuel Moreira (PSDB) que, segundo ele, por ceder a lobbies dos servidores públicos, estaria “abortando a Reforma” ao reduzir, com os cortes apresentados no novo texto, a economia potencial de R$ 1,2 trilhões, pretendida pelo governo, para R$ 860 bilhões.

Essa discussão entra no contexto de uma possível articulação parlamentar, encabeçada pelo Centrão, para desidratar a Reforma com a finalidade única de atravancar o sucesso de Bolsonaro e sua equipe. Vale dizer que declarações de parlamentares desse grupo como as do Paulinho da Força que disse, mês passado que a Reforma não poderia beneficiar uma reeleição de Bolsonaro, corroboram a narrativa.

À essa crítica de Paulo Guedes, o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, num primeiro momento respondeu com menoscabo, dizendo que não iria entrar em polêmicas com essas “fábrica de crises” que é o governo e que o parlamento mostraria sua responsabilidade e maturidade para tratar da melhor maneira essa questão.

Entretanto, em uma declaração nessa segunda (17), Maia mudou o tom e disse que a fala de Guedes “uniu o parlamento”. Segue a íntegra do que disse o parlamentar do DEM:

“A fala dele [Guedes] ajudou, uniu o parlamento, nos deu a chance estarmos mais próximos de governadores e prefeitos. Às vezes, tem crises e críticas que vem para o bem, e acho que essa foi uma delas. Fortaleceu a nossa posição, a nossa certeza, que a Câmara e o Senado podem ter um papel de protagonista nesse momento que nunca tiveram ao longo dos últimos 20 anos”.

 

Além dessa tensão em torno de qual Reforma aprovar – a de Guedes ou uma insuficiente –, há uma evidente tentativa de Maia e aliados de trazer o protagonismo da Reforma para o parlamento, talvez assinalando a tendência parlamentarista que começa a se desenhar como principal proposta de Reforma Política para os próximos anos – possibilidade já cotejada por nomes como Geraldo Alckmin e pelo próprio Maia.

 

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