Confira os principais pontos da entrevista de Bolsonaro no programa do Danilo Gentili

O presidente Jair Bolsonaro participou de uma longa entrevista no programa The Noite comandado pelo comediante Danilo Gentili. A atração do SBT foi toda dedicada a essa conversa com o governante que tratou de vários assuntos, de pesca de robalo à Reforma da Previdência. Vejamos os principais pontos.

 

Atentado

Logo no começo da entrevista, o presidente foi perguntado sobre a tentativa de assassinato por Adélio Bispo que o vitimou em setembro do ano passado, durante a campanha eleitoral. Muito emocionado e chegando mesmo a verter algumas lágrimas, Bolsonaro comentou a dor da facada, o medo da morte e o processo de recuperação. No que Gentili falou das teorias conspiratórias que dizem que o atentado foi todo uma armação, o presidente levantou a camisa e mostrou os cortes da faca e da cirurgia.

Com relação às investigações, Bolsonaro afirmou categoricamente que não acredita na tese de que Adélio seja um lobo solitário. As evidências – álibi na Câmara dos Deputados, pronta defesa com advogados caros, mortes na pensão em que Adélio ficava, filiação ao PSOL etc. – segundo ele, apontam para um esquema armado por gente que queira vê-lo fora da disputa presidencial. Não obstante isso, ele disse que não vai usar seu poder como presidente para pressionar a Polícia Federal a “achar um culpado”.

 

Reforma da Previdência

Parte considerável da entrevista girou em torno desse tema, o mais urgente no cenário político nacional. Bolsonaro foi taxativo ao dizer que se a Reforma não for aprovada, o país, no espaço de três anos, pode entrar numa etapa de profunda crise econômica, a ponto de servidores públicos e aposentados ficarem sem seus pagamentos ou atingirmos aqueles níveis da inflação galopantes como os que precederam o Plano Real.

Em vista desse quadro, Bolsonaro está otimista com a aprovação da Reforma de Paulo Guedes uma vez que, segundo as conversas nos bastidores do Poder, os parlamentares e governadores dos estados, mesmo da oposição, admitem que sem esse passo o Brasil quebra.

 

Governo versus Congresso

Ainda nesse diapasão da Reforma, questionado sobre os atritos entre membros do governo e do parlamento, Bolsonaro tentou minorar essa tensão e apontou que só alguns deputados mais antigos, ainda presos às velhas práticas, buscam uma relação com o Planalto “como no passado”, o que significa, no bom português, barganhar cargos ou outras vantagens em troca de votos.

Afora isso, o presidente disso que haverá, sim, problemas, pois não se muda um paradigma político sem causar desgastes. Segundo Bolsonaro, até dia 31 de dezembro de 2018 a classe política pensava em articulação e governabilidade em certos termos e ele, cumprindo sua promessa de campanha, propôs outros. Por isso é normal as diferenças e as dificuldades em ajustas a relação entre esses dois Poderes.

 

Armamento civil

Um outro ponto interessante da entrevista foi a questão da política de facilitação da posse de armas encabeçada por Bolsonaro. Gentili, que se disse filosoficamente favorável à proposta,  sobretudo no que diz respeito às possibilidades de o cidadão ter meios de se defender do Estado, questionou se o povo brasileiro, com todas as suas deficiências cívicas, está preparado para possuir armas de fogo e, mais, se Bolsonaro está disposto a assumir a responsabilidade que lhe será atribuída caso essa política acarrete em efeitos colaterais.

Bolsonaro defendeu seu ponto dizendo que a garantia da propriedade privada é inerente à democracia e que a cidadão deve ter a possibilidade de possuir instrumentos de defesa para si e sua família. Disse ainda que  a “política desarmamentista não funcionou” e que “é preciso ousar”. Ademais, falou que a política de segurança pública de seu governo, como um todo, já vem dando frutos, como, por exemplo, a queda de 25% no número de homicídios no primeiro trimestre desse ano e o fato de que não houve nesse ano invasões de propriedades rurais pelo MST. E finalizou dizendo que “confia no povo brasileiro” e que se as vítimas do armamento forem os bandidos, é sinal de que está dando certo.

 

Manifestações e militância virtual

Um outro assunto importante levantado na conversa foi o das manifestações que agitaram o debate público nas últimas semanas. Para questionar a postura diferente frente as manifestações pela educação do dia 15 de maio e as do dia 26, pelas reformas propostas pelo governo, Gentili retomou uma promessa feita no discurso da vitória em que Bolsonaro disse que acabaria com a divisão “nós e eles” criada pelo PT. O apresentador argumentou que, embora ambos grupos de manifestantes fossem compostos por brasileiros, houve tratamento diferente do presidente que chamou o grupo do dia 15 de “idiotas úteis” enquanto louvou a participantes do dia 26.

Em resposta, o presidente disse que se referiu aos estudantes dessa maneira pois entende que ali não houve uma manifestação espontânea, mas, pelo contrário, a cooptação de jovens, a que ele preferiu se referir como “inocentes úteis”, por “professores espertalhões” visando benefícios próprios – se referindo aqui a professores ligados a sindicatos e partidos políticos da oposição – o que ele classificou como um abuso inadmissível.

Por outro lado, o presidente viu nas manifestações do dia 26 não apenas um apoio ao seu governo, mas a população, de maneira espontânea, dando um recado à toda classe política, assinalando que, cumprindo seu papel democrático, continuará pressionando seus mandatários para que eles ajam em favor do povo e não em proveito próprio.

Sobre a militância virtual, Danilo falou que parece estar havendo um processo de “purificação da direita” no qual quem não concorda irrestritamente com o atual governo é perseguido, tem a reputação assassinada, é silenciado etc., coisa muito comum no comportamento da militância petista.

A isso Bolsonaro deu menor importância dizendo que não tem controle sobre suas redes; que, às vezes, esse militante mais histriônico é um esquerdista disfarçado; e, que, no final das contas, sem noção tem em todo lugar. Contudo, o presidente disse que é defensor irremovível da liberdade de expressão e que não pode propor meios de controle às opiniões na internet, como queria o governo petista.

 


 
 

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