Congresso de comunicação Compós 2019 reforça narrativa da extrema esquerda

Anônimo (o autor preferiu ficar no anonimato, pois é profissional da área e teme retaliações)

A esquerda tentou primeiro controlar o curso dos fatos, tentando eleger Lula e depois Haddad. Não conseguindo o poder, busca controlar a narrativa. Para tanto, ela mobiliza o seu maquinário de formação de opinião: mídia, intelectuais e artistas. A esquerda ainda detém a capacidade de produzir os livros de história que irão narrar às gerações futuras o governo Bolsonaro como um período de tirania. Ao contrário da direita e dos conservadores, que ainda possuem de nenhum a pouco espaço nas universidades e na formação dos futuros profissionais de mídia e “especialistas” em geral.

Compós se reúne para combater governo Bolsonaro

“O Impeachment é golpe”, “Lula foi preso injustamente”, “Bolsonaro é uma ameaça à democracia”. Essas são algumas das conclusões que pode-se chegar ao ler os trabalhos publicados nos anais do último encontro nacional da Compós.

Aqui, alguns destaques dos trabalhos apresentados. Para conferir os textos completos, basta seguir o link: https://www.compos.org.br/. Se qualquer um dos artigos for tema de notícia, já se sabe de onde eles vieram.

“Excentricidade, Desinformação e Polarização Assimétrica: máquinas de guerra híbrida em plataformas algorítmicas” do excelso professor Julio Cesar Lemes de Castro. No texto, o autor basicamente defende que Bolsonaro possui uma máquina de guerra híbrida assimétrica. Ou seja, um exército de robôs e pessoas pagas para fazerem o apoio nas redes sociais de modo que a guerra não é quente no sentido de tiro, porrada e bomba, mas através das redes sociais. E ela é assimétrica porque a esquerda não possui nada similar, considerando que a grande mídia é isenta em termos políticos, isenta até demais porque dá espaço para o governo agir e até o apoia. A polarização assimétrica nada mais é que um lado polarizar demais, cedendo ao extremismo, enquanto o outro se mantém brando, democrático. A esquerda e o centrão, assim, vendem-se academicamente como os moderados, colocando tudo que diverge, seja direita liberal ou conservadora, como extremismo e antidemocrático.

“Esfera pública e desinformação: estratégias de circulação e legitimação da desinformação” de Felipe Bonow Soares. No texto, o autor mostra a revista Veja como oposição a Bolsonaro ao lado da Carta Capital. Algo que deve ter lhe causado uma certa confusão. Na tabela que ele apresenta, a revista de esquerda aparece ao lado da de “direita”. Alckmin provavelmente está entre os elementos que ele considera como excelentes exemplos de direitistas democráticos. Na polarização assimétrica, no lado da desinformação, pessoas como Allan dos Santos, Bernardo Küster e Leandro Ruschel. Destaca-se que em nenhum momento o texto avalia os argumentos de qualquer um dos lados. Ou seja, a matéria da Veja onde a revista aborda trechos de um processo judicial em que a ex-mulher de Bolsonaro o acusou de ocultação de patrimônio não é questionada. Ela é narrativa verdadeira. A oposição é extremismo e “verdade alternativa”.

“A justiça, o réu e candidato Lula em Capas de Revistas Brasileiras:12/07/2017 a 31/01/2018”, de Camila Moreira Cesar e Maria Helena Weber. Um trecho do resumo do trabalho: “Os resultados mostram a criminalização de Lula, alertam para o perigo de sua candidatura e, simultaneamente, questionam o sistema judiciário”. Imagina-se que há alguma discussão jurídica no texto. Não há. Ou seja, o trabalho parte do pressuposto de que o processo contra Lula é uma condenação política e injusta e que depende de um esforço midiático para voltar a população contra o ex-presidente. A autoras, então, só demonstram como isso acontece num esforço de fortalecer Lula como condenado injustamente e criar os argumentos para defender essa narrativa.

“‘Bololô, vamô ocupar’: estética e política nos arranjos disposicionais da insurgência secundarista”, de Francine Altheman. O texto defende e elogia as “ocupações” realizadas por estudantes do segundo ano em São Paulo no ano de 2015. Assim são formados os especialistas que defendem as invasões e as chamam pelo nome de “ocupação” sem mencionar os estragos que foram causados pelos estudantes e a participação de lideranças partidárias nos movimentos. Diversos alunos tiveram que recuperar aula durante os meses de verão exatamente em função do movimento que de espontâneo nada teve.

O #Elenão também foi pautado, com o texto de Carla Candida Rizzotto, Aléxia Saraiva, Louize Nascimento: “#ELENÃO: conversação política em rede e trama discursiva do movimento contra Bolsonaro no Twitter”. Alguém imagina que o apoio voluntário ao presidente também foi pautado, que os pesquisadores realmente estão tentando entender o país para melhor agir. Spoilers: não. O objetivo é valorizar o discurso da oposição ao presidente e mostrar que existiu um esforço de resistência ao fascismo e autoritarismo do governo Bolsonaro que, novamente, não é discutido. É pressuposto.

Será que Sérgio Moro escapou? Que tal o trabalho “De juiz popstar a superministro: a imagem pública de Sérgio Moro no contexto brasileiro” de Terezinha Silva e Paula Guimarães Simões. E com as palavras das próprias autoras “a análise mostra que, por um lado, a imagem de Moro é vinculada a valores como competência, seriedade, zelo,dedicação, probidade e honestidade. Por outro, é relacionada a uma atuação parcial e seletiva na aplicação da Justiça, além de ao desrespeito à legalidade em ações politicamente motivadas”. Então se percebe a origem da narrativa de que Sérgio Moro ocupa uma posição política e não técnica no governo. Uma mentira que, infelizmente, é capaz de influenciar muitas pessoas que não entendem de como se deve compor os ministérios, cargos técnicos para auxiliar o presidente em sua função, exatamente porque ele não pode saber de tudo.

Que tal um texto para compreender as consequências do Impeachment:

“Ladrão e Vacilão: linchamento e tortura no contexto pós-golpe”, de Leticia Cantarela Matheus. Algum embasamento jurídico para confirmar a afirmação de golpe? Basta lembrar que o evento é de comunicação, não jurídico. Em contrapartida, aparece novamente a defesa de condutas criminosas ainda que pelo eufemismo de criticar um ato corretivo exagerado. O objetivo do trabalho é afirmar que após o Impeachment a violência começou a se instaurar no país e ficou justificada, como se os índices de criminalidade estivessem subindo por esse motivo e porque brancos querem matar negros e mulatos.

Claro que a autocrítica está presente, como no trabalho de Fabiana Moraes e Marcia Veiga da Silva:

“A Objetividade jornalística tem raça e tem gênero: a subjetividade como estratégia descolonizadora”. Propõe “uma discussão sobre como a noção de objetividade jornalística prevalente se constitui a partir das estruturas epistêmicas do sistema-mundo capitalista, patriarcal, ocidental, moderno”. A autocrítica continua dizendo que o jornalismo brasileiro é direitista e que é preciso ir mais para a esquerda. Além disso, demonstra que a esquerda brasileira continua se utilizando da dicotomia capitalismo – socialismo, servindo de base para o discurso de que a única opção viável o socialismo porque o capitalismo já falhou.

Uma análise da atualidade? Que tal o trabalho “Credibilidade no Jornalismo Independente em Plataformas Digitais: uma análise a partir da Agência Pública”, de Raphaelle Batista e Edgard Patrício. O texto conclui “que há valores e dimensões de credibilidade da mídia convencional incorporados pela iniciativa ‘independente’ (no caso, a Agência Pública). Porém, há especificidades, como questões vinculadas a gênero e transparência, que as diferenciam”. Ou seja, a grande mídia possui tanta credibilidade quanto a iniciativa “independente” da Agência Pública. E, se o trabalho é sobre jornalismo independente, por que colocar entre aspas o “independente”? Dá a entender que a grande mídia e os independente são a mesma coisa.

E, para entender as dimensões de credibilidade da mídia convencional, nada como ler “O serpentear dos demônios: a demonização em imagens midiáticas e seus substratos culturais” de Alberto Klein, onde o autor se propõe a “explorar o mecanismo de demonização nos meios de comunicação por meio de imagens” após identificar “elementos visuais ofensivos à figura do ex-presidente Lula na capa da revista Veja”. Ou seja, ao mesmo tempo em que criticam e põem em cheque a credibilidade dos veículos tradicionais, utilizam-se deles como fonte de informações para embasar a narrativa. Utilizam-se da pretensa credibilidade deles para fazer o máximo possível de manipulação.

A temática conservadora aparece em “Autoritarismos e Ciclos de Memória no Brasil”, de Fernanda Nalon Sanglard e Teresa Cristina da Costa Neves. As autores tentam compreender o atual cenário político-cultural brasileiro com o objetivo de entender a “virada conservadora e os atos de autoritarismo contemporâneos tomando como exemplo quatro episódios de censura à produção artística brasileira: a exposição Queermuseu, no Santander Cultural, em Porto Alegre, a performance La Bête, de Wagner Schwartz, no MAM, em São Paulo; a exposição de Pedro Moraleida, no Palácio das Artes, em Belo Horizonte; e a performance Literatura Exposta, do coletivo És Uma Maluca, na Casa França-Brasil, no Rio de Janeiro”. Ou seja, é um autoritarismo exigir que a religião não sofra vilipêndio (crime com previsão de pena) e rezar um terço em desagravo à ofensa religiosa. É um autoritarismo exigir que crianças não estejam numa sala com um homem nu apesar de filmes pornográficos serem classificados para maiores de 18 anos. Até filmes com nudez parcial recebem uma classificação mais alta que a idade das crianças que foram levadas para o evento.

A explicação sobre a vitória de Bolsonaro é retratada com sua vinculação à verdade (ou falta dela) em: “As novas formas do falso: entretenimento, desinformação e política nas redes digitais” de Marcio Serelle e Rosana de Lima Soares. Os autores tratam da temática de memes, gifs e outros, “dominada pela direita e pela extrema direita”. Para os autores, a comunicação através dessas formas, “por meio de estruturas profissionais, opera com narrativas de intensidade emotiva para grupos segmentados”. E “como na lógica do entretenimento, instaurou-se, nesse debate político, um mundo à parte, em que a vinculação com a realidade imediata se tornou irrelevante”. Ou seja, fake news é coisa da direita. A esquerda faz jornalismo sério, pesquisado, fundamentado. Já a direita está atrás de fazer click-bait usando de manchetes chamativas.

Um trabalho que merece destaque é o de Thales Vilela Lelo, intitulado “Recepção de Fake News e Fact-checking em contexto de polarização política”. Uma pauta bem interessante onde o autor busca “apreender a recepção do público a boatos e fact-checkings tomando por referência o atentado contra o então candidato do PSL, Jair Bolsonaro, ocorrido em 6 de setembro em uma visita de campanha a Juiz de Fora (MG)”. Deve-se deduzir que a facada foi uma fake news? Ou o objetivo é entender a recepção de fake news a partir de um fato verdadeiro? Toda a narrativa de que o atentado foi uma farsa para Bolsonaro ganhar uma eleição, ficou no hospital, não participou dos debates, mostrou a cicatriz no programa do Danilo Gentili só faz sentido para alguém que acredita nisso apesar das evidências contrárias. Então, é preciso ao máximo associar um fato com uma mentira.

Claro que existem trabalhos que escapam ao escopo de apreensão do público médio, como o de Allan Carlos dos Santos, intitulado “A Circulação de Memes Eróticos da Dilma: vinculando públicos afetivos e fortalecendo fronteiras simbólicas no contexto do impeachment”. Precisa-se de comentários? Este é um dos trabalhos dignos de adeptos da filosofia de Márcia Tiburi, para quem Lula é um garanhão.

O evento de abertura

O encontro nacional da Compós foi marcado para acontecer na PUCRS já no ano passado. Neste ano, os preparativos começaram em meio aos “cortes” do governo na área da educação.

Assim, é natural pensar que, num ambiente que se já alimenta do discurso de que o investimento é sempre insuficiente, muito precisaria ser improvisado e talvez até tivesse um ar de decadência. Por isso, a abertura do encontro aconteceu num dos lugares mais modestos de Porto Alegre: Salão de Eventos do Plaza São Rafael (na verdade, um dos lugares mais suntuosos da cidade).

Os conferencistas da abertura são dignos de nota: Juremir Machado da Silva (PUCRS) e Jorge Ezébio Assumpção (UNISINOS), com a mediação do, acreditem ou não, padre Pedro Gilberto Gomes (UNISINOS).

O professor Juremir iniciou falando sobre seu último livro: Raízes do conservadorismo brasileiro: A abolição na imprensa e no imaginário social. Nele, usa de Joaquim Nabuco para defender a dívida histórica de brancos para com negros.

Claro que isso só é possível negando a responsabilidade individual. Ou seja, a responsabilidade é coletiva e dada pela classe. Os brancos foram escolhidos como responsáveis pela escravidão e os negros como vítimas, apesar de registros de brancos que foram bondosos para com os negros e dos relatos de que os negros também tinham escravos (claro, sem mencionar o problema de como os escravos eram “adquiridos” na África sendo vendidos por outros negros). Sem a responsabilidade individual, é claro, a criminalidade é resumida num problema de classe, de pobres contra ricos. Logo, a criminalidade passa a ser defendida como a oprimida.

Com essas informações, é possível compreender como as pautas da mídia são tão parecidas com os programas de governo dos partidos de esquerda. O professor Juremir nada mais é que professor de futuros jornalistas do país.

Até Mariele se fez presente. Como vítima do governo Bolsonaro. Apesar das evidências contrárias e apesar de tudo que saiu contra o MP e a favor de Flávio Bolsonaro. A mídia mantém a narrativa da esquerda.

Por quê? Porque os jornalistas são assim formados. Se o professor fala, é lei. Roma locuta, causa finita est.

O evento de abertura terminou com um humilde coquetel com garçons servindo os convidados com uma comida digna de uma pessoa humilde.

A COMPÓS

O evento acontece anualmente. Nele, a nata dos professores e dos comunicadores brasileiros ou, mais precisamente, da esquerda brasileira se reúne para debater os trabalhos de pesquisas, a atualidade brasileira e discutir as estratégias para combater o governo.

Nem todos os participantes são professores. Vários são doutorandos, mestrandos e outros pesquisadores. Muitos são bolsistas. Seja como for, jornalistas, publicitários, marqueteiros e profissionais de relações públicas, em geral, são formados por esses nomes ou os utilizam ao consultar os “especialistas”.

Além dos artigos e livros publicados, é um espaço para conversa e palestras, onde é possível entender mais sobre o “corte” de gastos na educação feito pelo governo Bolsonaro. Que tal ouvir ocasionalmente nos corredores do evento que todas as bolsas cortadas não estavam sendo usadas por alunos e, em alguns casos, eram de programas de pós-graduação sem alunos?

Controle das narrativas

A esquerda tentou primeiro controlar o curso dos fatos, tentando eleger Lula e depois Haddad. Não conseguindo o poder, busca controlar a narrativa. Para tanto, ela mobiliza o seu maquinário de formação de opinião: mídia, intelectuais e artistas.

A esquerda ainda detém a capacidade de produzir os livros de história que irão narrar às gerações futuras o governo Bolsonaro como um período de tirania. Ao contrário da direita e dos conservadores, que ainda possuem de nenhum a pouco espaço nas universidades e na formação dos futuros profissionais de mídia e “especialistas” em geral.

E enquanto a esquerda detiver tal poder cultural, a cooptação do Estado e da moral virá com o tempo, porque já venceu no imaginário e na mente popular. Um processo que vale a pena ser elucidado:

A média das pessoas tende a se guiar pelas narrativas da grande mídia. A média das pessoas tende a confiar na média das pessoas porque acreditam que todos que vivem numa mesma cidade querem, como regra, conviver pacificamente e colaborar. Conscientes disso, a esquerda tomou as universidades e formou os jornalistas. Hoje, a classe jornalística quase que unanimemente foi formada para enxergar o mundo com o viés da esquerda. E não é preciso haver maldade em tal afirmação. As faculdades servem ao propósito de formar os jornalistas para que tenham essa visão ao mesmo tempo em que filtra os dissidentes da visão esquerdista do mundo. A censura é a regra para os adversários e a crítica é considerada um ataque pessoal.

O plano de poder só foi malogrado porque a mídia começou a contradizer o cotidiano das pessoas comuns levando-as a buscar informações nas redes sociais e youtubers da “extrema-direita” “ancorados” no, assim chamado, “Guru” e “astrólogo” (Olavo de Carvalho). A desconfiança surge toda vez que alguém elogia aquele que te agride.

É preciso que a direita e os conservadores ocupem esse espaço na formação do imaginário social através de professores, médias e artistas. É preciso conquistar cátedras universitárias ou substituir o espaço que elas ocupam no papel de formação da “elite intelectual brasileira”. Expressão cuja única verdade, talvez, é ser “brasileira”.

2 thoughts on “Congresso de comunicação Compós 2019 reforça narrativa da extrema esquerda

  1. e depois dizem que não há doutrinação, fdps. têm mais é que cortar mesmo as verbas para essa cambada de imprestáveis.

  2. Discordo apenas de um ponto do texto do autor: o grande formador do imaginário social no Brasil ainda é o Cristianismo. Este, sim, representa a grande força conservadora dentre os brasileiros mais simples (e que compõem a ampla maioria da população brasileira).

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