Advogados de Lula se oferecem para defender Greenwald contra a Lava Jato

Lia de Paula/Agência Senado

O editor-chefe do The Intercept, Glenn Greenwald reuniu-se, nesta segunda-feira (8), com pelo menos 40 advogados anti-Lava Jato que se colocaram à sua disposição além de oferecer auxílio a demais jornalistas que atuarem contra a Operação Lava Jato. Advogados ligados a Lula e ao PT temem que Greenwald tenha as contas bancárias analisadas pelo Coaf, conforme pedido feito pela Polícia Federal. A reunião foi feita em segredo e divulgada somente depois, segundo informações da Folha.

A investigação da PF que estaria em curso tem sido vista por ativistas e setores temerosos dos efeitos da Operação Lava Jato como uma tentativa de perseguição política, mesma tese sobre a prisão de Lula. Entre os defensores de Greenwald, estão pelo menos quatro advogados lulistas: Geraldo Prado, Aury Lopes, Juarez Tavares e Carol Proner.

Além deles, Dora Cavalcanti, que prestou serviços à Odebrecht, Luciano Bandeira, da OAB, e Marco Aurélio de Carvalho, sócio de José Eduardo Cardozo, juntaram-se a Nilo Batista, advogado de Greenwald e que foi advogado de Lula no caso do Triplex. Kakay e Alberto Toron, advogado de Dilma Rousseff e Aécio Neves, enviaram mensagens oferecendo seus serviços.

Os advogados preparam um manifesto em defesa da liberdade de imprensa e do jornalista Glenn Greenwald, suspeito de envolvimento com hackers internacionais procurados pelo FBI, na Rússia, por meio de esquema de transações financeiras. Segundo informações que podem estar sendo objeto de investigação da PF, o jornalista teria pago 700 mil dólares ao ex-deputado Jean Wyllys para que cedesse seu mandato ao suplente, David Miranda, atual deputado federal e namorado de Greenwald, além de uma mesada para mantê-lo no exterior. Wyllys estaria cobrando dinheiro de Greenwald, de acordo com vazamento de mensagens privadas pelo perfil Pavão Misterioso, neste fim de semana.

A Polícia Federal perdeu a oportunidade de enquadrar Greenwald no momento em que os celulares do ministro da justiça e de procuradores do MP foram invadidos. Na ocasião, calculou-se que uma intimação ao jornalista seria vista como atentado contra a liberdade de imprensa, em um governo marcado por forte oposição exercida por grandes jornais.

Greenwald, que também é advogado, defendeu um líder neonazista nos anos 90, quando morava nos EUA. Ele se ofereceu para fazer a defesa de Mattwell Hale sem custos durante cinco anos, após o supremacista branco ameaçar fisicamente uma juíza federal por ela ser judia e ter “netos miscigenados”. Na ocasião, Greenwald acreditava que a liberdade de expressão deveria assegurar o direito de Hale dizer o que queria contra uma juíza. Atualmente, Greenwald volta a se aliar com radicais para insurgir-se contra um ex-juiz federal por causa de suas sentenças.

1 thought on “Advogados de Lula se oferecem para defender Greenwald contra a Lava Jato

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *