“Por favor, não mate nosso bebê!”

Saturno devorando seu filho. Goya.

Talvez não haja nada nesse mundo que se assemelhe à dor dos pais diante do cadáver de seu filho.

Ano passado, no velório de meu sogro, vi sua mãe, já senhorinha, irrompendo lentamente na sala, como que carregando um universo de tristeza nos ombros. Na hora, todos paramos, silenciamos, baixamos as vistas. Seu sofrimento era contagiante. Só ali ficou mensurável o tamanho da perda, pois, só um pai ou uma mãe consegue exprimir, em seus contornos mais francos e realistas, a dor de uma morte.

Ademais, a morte de um filho é um absurdo na ordem das coisas. O filho é o prolongamento de seus pais no tempo, é aquilo que, em alguma medida, vai imortalizá-los na Terra. Quando morre o filho, morre, portanto, parte da humanidade dos pais.

Agora, há mortes e mortes. Pode ser que um pai idoso veja seu filho também velho, acamado de muitos anos, perder a vida para uma doença terminal. Pode ser, de outro modo, que um pai jovem veja seu filho igualmente jovem, na flor dos anos, morrendo nas mãos de um homicida por causa de um tênis. Em um caso, temos uma perda como que já esperada, uma tristeza já maturada, vivida aos poucos, em pequenos goles; no outro, temos o golpe fatal, abrupto, inconsolável. Daí que talvez não haja dor maior que a dos pais diante do cadáver de seu filho, mas, há de se saber que as circunstâncias podem atenuar ou aguçar essa desgraça.

Qual não seria, então, a dor de uma mãe vendo o seu marido, calma e pacientemente, carregando uma pistola para dar um tiro no seu filho, pois, segundo ele, a criança o onera para além do previsto? E qual não seria a dor de um pai que assistisse seu filho sendo racionalmente levado para o abate, pelas mãos da própria mãe, pois, diz a mulher, o pequeno frustrou suas férias na praia nos três últimos anos?

É este tipo de dor que se sentiu nos gritos desesperados do jovem Tyler que fora flagrado suplicando, ajoelhado em frente à clínica abortista Hope Clinic for Women, em Illinois (EUA), onde sua namorada fora para matar o filho do casal:

— Please, don´t kill our baby! Abby! Please, don’t kill our baby!

 

 

Esse caso aconteceu há duas semanas e ganhou repercussão, pois, John Ryan, um homem pró-vida, gravou a cena e a publicou nas redes sociais.

Tyler contou a Ryan que Abby, sua namorada e mãe de três filhos com outra pessoa – filhos que o jovem acolhera como se fossem seus – consentira em ter mais um bebê com ele. Porém, segundo Ryan, Tyler lhe revelou que Abby fora convencida pela madrasta de que seria melhor matar essa nova criança – os motivos não foram revelados. Então, a madrasta levou-a na clínica e Tyler foi implorar pela vida daquela vítima inocente.

Segundo os canais pelos quais me informei, não se sabe se Abby concretizou o ato. Pode ser que tenha se arrependido. Porém, o mais macabro disso tudo é que essas insanidades vem acontecendo, sistematicamente, no mundo ocidental. E, pior, acontece com respaldo acadêmico, financiamento de filantropos bilionários, campanhas públicas com estrelas de Hollywood, partidos políticos e militância organizada.

Daí que grito de Tyler seja símbolo de um mundo normal, da humanidade que ainda chora seus pequeninos, enquanto a Hope Clinic for Women, a Abby, a Planned Parenthood et caterva sejam símbolos do nosso futuro sem esperança, de um mundo em que seremos apenas bestas-feras que, diante dos cadáveres dos nossos filhos, mortos por nós mesmos, diremos, com sorriso de satisfação: é, foi pela liberdade, foi pela igualdade.

O grito de Tyler é o grito de um mundo em agonia.

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