O delírio de Talíria ou: a alma do comunismo

Foto: Rafaela Felicciano/Metrópoles

A alma do comunismo

“Todos os animais são iguais, mas uns são mais iguais que os outros”

O escritor inglês George Orwell usou essa frase na alegoria A Revolução dos Bichos para sintetizar o espírito que anima todo partido de viés comunista: a ideia de que por serem, segundo eles, o motor histórico da revolução, a classe consciente e a encarnação dos anseios dos oprimidos, a liderança do Partido, o politiburo, merece certos privilégios.

Todo empreendimento comunista, de 1917 para cá, acabou nisso. O resultado de toda sangueira, do terror e do roubo dos revolucionário sempre foi a formação de uma classe de dirigentes privilegiados que mantém os sobreviventes da carnificina hipnotizados ora pelo medo ora pela promessa do futuro dourado que o próprio partido precipitará.

Só que o futuro de ouro do comunismo, essa cenoura de burro da massa escravizada, vem sempre anunciado como aqueles cartazes de boteco que dizem “fiado só amanhã”. É um amanhã que se prorroga pelos séculos, nunca chega. Daí que o único sucesso das revolução comunistas seja mesmo a criação da casta semidivina do Partido – entidade fantasmagórica que Antonio Gramsci chamava de O Príncipe Moderno, em referência ao tirano amoral de Maquiavel.

A esse respeito, além de ler o Orwell, vale assistir a série Chernobyl, da HBO. Algumas das cenas mais simbólicas da obra – que vale cada minuto – são as reuniões do núcleo duro do Partido. Para aquelas pessoas,  membros da nomenklatura, os intoxicados de Pripyat eram seres de segunda categoria, bichinhos, coisas descartáveis que só não foram largadas ali para definharem sob o veneno da usina, porque pegaria mal, arruinaria a imagem do Partido e daria a vitória ao bloco ocidental-capitalista na Guerra Fria.

Aliás, segundo relata a série de Johan Renck, esses amantes do povo soviético só agiram para limpar a meleca nuclear que fizeram também porque o cientista Valery Legasov, a encarnação da decência no meio daquele bando de espíritos de porcos, convenceu a todos que a fumaça de Chernobyl, extremamente letal, poderia afetar a eles próprios, inclusive ao secretário-geral, o sucessor de Lênin e Stálin, Mikhail Gorbachov. Eles queriam, no fundo, salvar a própria pele.

Agora, se você não quer apelar à ficção – ainda que uma ficção muito bem assentada na realidade e fartamente documentada – basta escolher um dos infinitos casos reais que corroboram a frase de Orwell e as impressões deixadas pela Chernobyl de Renck.

Para um exemplo recente, bem burlesco, mas bastante significativo, veja o vídeo do ditador venezuelano Nicolás Maduro fumando seu charuto e se deliciando com uma apetitosa carne, em um dos restaurantes mais badalados do mundo, na Turquia, enquanto seu povo, a quem ele representa e por quem ele luta, desfila cadavérico pelas ruas de Caracas se estapeando por um pedaço de pão seco.

 

 

Isso é o comunismo real, em sua essência. E a deputada psolista Talíria Petrone não me deixa mentir.

 

 

O delírio de Talíria

Talíria é uma jovem militante comunista, dessas fabricadas pela intelligentsia acadêmica. Talíria filiou-se ao Partido Socialismo e Liberdade (PSOL), cujo nome é orwelliano por excelência – já que o slogan do partido totalitário da distopia 1984, também de Orwell, dizia: “guerra é paz; liberdade é escravidão, ignorância é força”, oximoros iguais a “socialismo é liberdade”.

Daí Talíria virou deputada e foi se sentar junto de gente como Maria do Rosário, do PT, partido que, enquanto no poder, seguiu à risca o roteiro do comunismo raiz – aliás, Lula foi cabo eleitoral de Maduro.

Essa Talíria se envolveu recentemente na discussão sobre a flexibilização da posse de armas de fogo. Talíria, assim como todos os comunistas do Congresso, são contrários ao projeto do governo Bolsonaro que quer facilitar a aquisição de armas pelo cidadão. São contrários, vale dizer, pois é a norma no comunismo. Porque, na imaginação do comunista, as pessoas de Pripyat, de Katyn, de Caracas, de Pyongyang, de Havana ou de Xangai não puderam e nem podem ter meios de revidar caso não se sintam lá tão representadas pelos líderes iluminados que ostentam seus carrões, mulheres, banquetes, vinhos e ternos caríssimos enquanto o povo chupa quietinho o dedo da miséria e da morte. Todo comunista é forçosamente desarmamentista. Afinal, são canalhas, não bobos.

E o governo Bolsonaro disse que queria facilitar a aquisição de armas pelos cidadãos justamente para que possamos nos defender a nós e a nossa família tanto do ladrão de galinha e do estuprador quanto do tirano. Mas Talíria e os demais comunistas, por imposição da coerência, não concordam. Sobre o tema, a psolista tweetou o seguinte:

“Não há contradição em ser contra o armamento da população e cobrar que o Estado cumpre seu papel de proteger o povo e seus representantes. Segurança é responsabilidade do Estado, não do indivíduo. Não pedimos arma, mas proteção”. 

Talíria disse isso pois tem sofrido ameaças de morte. Segundo ela, desde abril, quando a PF soube de planos contra sua vida, ela anda escoltada pela Polícia Legislativa – coisa chique.

Porém, o fato ganhou repercussão quando o governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel, negou à Talíria uma escolta por 24h, enquanto a deputada circularia pelo estado. Segundo nota do governo carioca, incumbia à PF, e não a eles, fazer esse trabalho. Daí Talíria ficou chateada e foi se lamuriar nas redes sociais. E o caso virou polêmica pública.

Vejamos aqui uma chapa da alma do comunista.

É fato patente e notório que o Estado brasileiro não garante a segurança da população. No Brasil, já há década, alcançamos a média anual de 50, 60 mil homicídios. Um verdadeiro genocídio. E quem morre é o povo, a plebe, os proletas. Também por isso um armamentista como Bolsonaro foi eleito.

Por outro lado, nossos nobres representantes, encarnações da democracia, como a Talíria, não morrem – bem, quando um morre, como a Marielle, faz-se todo um escarcéu justamente porque é incomum. E os representantes não morrem pois eles têm salários gordos, que nós pagamos, e com essa bolada podem contratar segurança particular – eu não posso. Depois, eles também podem apelar, como a nossa Talíria, à PF, à Polícia Legislativa, a uma escolta particular em cada estado da federação – eu não posso. Daí, gente como eu, morre. Gente como a Talíria, dificilmente. Eis onde reside todo o igualitarismo comunista.

Por fim, Talíria disse, no mesmo tweet, que “quando ameaçam uma deputada, ameaçam a democracia”.

Minha cara Talíria, quando 60 mil pessoas são assassinadas, todo ano, pela falência do sistema público de segurança, está tudo bem com a democracia? O importante é que a elite sacrossanta, da qual você faz parte, esteja protegidinha, e o cidadão comum, como eu, que se lasque? A verdade é que se me ameaçarem, deputada, você, os demais psolistas, os petistas et caterva, pouco se me darão. Se me matarem amanhã, por causa do meu celular, sem que eu tenha chances de reagir, serei só mais um número, um detalhe, e a democracia, tal como você e os comunistas a concebem, seguirá a todo vapor.

É doentio, eu sei, mas você pensa assim. No fundo, minha boa Talíria, você se acha mais igual que eu.

 

 

 

5 thoughts on “O delírio de Talíria ou: a alma do comunismo

  1. O conserto do Estrago Laico no Brasil será pior do que a caça aos comunistas.

    Porém, para comunistas haverá uma fila de carrascos voluntários que irá do Oiapoque ao Chuí.

  2. Nunca vi na minha vida um texto- discurso tão patético, errôneo que para enganar Analfabetos Políticos e Funcionais, mistura pequenas verdades com insanas mentiras, justamente para ludibriar o leitor, na busca de seus doentios desejos. Discurso digno de frequentar os anais de propaganda política em “estórias” contadas de formas distorcidas. Se autor vivesse nos anos de 1800, seria só mais um insano Capitão-do-mato a perseguir seus semelhantes irmãos consanguíneos e a bajular a corrupta elite dominante… só esquece apenas que, se os ideais esquerdistas e comunistas não tivessem sidos vitoriosos em algum momento da história, o mesmo ainda seria escravo… ou, simplesmente, um Capitão-do-mato.

    1. Como é possível levar a sério o seu comentário, Sr. Leonid?
      Quais são os “doentios desejos” do autor?
      Outra coisa: já que gosta tanto do adjetivo insano, já se perguntou se não é verdadeiramente esse o estado mental de alguém que julga denunciar um “discurso digno de frequentar os anais de propaganda política em ‘estórias’ contadas de formas distorcidas [sic]” ao mesmo tempo em que é filiado ao Partido dos Trabalhadores desde 30/09/2003 (inscrição 012406962011)?
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