Greenwald defendeu líder neonazista que ameaçava juíza federal em 2003

Conforme noticiou o The New York Times em janeiro de 2003, o ex-advogado e atual editor do site The Intercept Brasil, Glenn Greenwald, era o advogado do supremacista branco Matthew Hale, conhecido como “Pontifex Maximus” de uma igreja fundamentalista de Illinois, chamada Igreja Mundial do Criador, que defendia abertamente a supremacia branca e a violência contra negros e imigrantes. Um dos alvos do neonazista foi uma juíza federal acusada por ele de parcialidade nas sentenças. Greenwald defendeu Hale por cinco anos sem receber nada por isso.

Hale foi acusado de ter ameaçado e incitado que alguém assassinasse a juíza federal Joan Humphrey Lefkow. A juíza havia decidido em favor de Hale em um processo pelo uso do nome da sua igreja supremacista, mas meses depois, após ter sua decisão derrubada em uma apelação, a juíza acabou ordenando que Hale parasse de usar o nome. Hale acusou Lefkow de ser parcial por ser casada com um judeu e ter netos mestiços.

O então advogado Glenn Greenwald discordava dessa afirmação e aceitou defender Hale alegando que tudo não passava de um mal entendido, fruto de uma “retórica acalorada”.

Mas a retórica acalorada de Hale não vinha sendo tão inofensiva quanto Greenwald aparentemente imaginava. Em 1999, Benjamin Smith, assumidamente seguidor de Hale, atacou e matou dois homens, sendo um deles negro e o outro asiático, ferindo outras nove pessoas antes de cometer suicídio. Membros da polícia, que monitoravam os supremacistas, informaram que Hale recrutava jovens pela internet, utilizando uma estrutura de mais de 30 sites com jogos interativos para atraí-los. Sobre Hale, o autor do atentado declarou: “Ele me guiou espiritualmente… Quando o encontrei pela primeira vez, eu não tinha certeza do que eu queria fazer com a minha vida, em que direção eu iria”, noticiou o Chicago Tribune na época.

Segundo histórico também levantado pelo site Caneta, três sobreviventes dos atentados entraram com ações judiciais contra Hale, o “pontífice máximo” do grupo neonazista. Em uma ação federal, um pastor atingido com três tiros durante um dos atentados afirmou que Hale encorajou e conspirou para “cometer atos de violência genocida em nome de uma ‘guerra santa racial’ contra negros, judeus, asiáticos e outros grupos étnicos”. Já numa ação estadual em Chicago, dois judeus ortodoxos que também foram vítimas dos atentados alegaram que Hale ordenou que Smith atacasse grupos minoritários. Na ocasião, o então advogado do líder neonazista, Glenn Greenwald, afirmou: “Eu acho que essas pessoas por trás dessas ações judiciais são tão odiosas e repugnantes que isso me motiva”. Greenwald estava criticando vítimas de um atentado por estarem movendo processo contra o autor, um líder neonazista.

Anos depois, Greenwald justificou sua defesa de neonazistas como uma atividade “pro bono”, expressão latina que pode ser traduzida como “pelo bem comum”. Sua causa é a liberdade de expressão, coisa sagrada aos princípios de libertários como prefere se intitular. Há boatos de que Greenwald e Hale eram amantes.

“Se juízes federais devem julgar as pessoas, as pessoas devem poder julgá-las”, disse o supremacista branco na época.

Hoje, como jornalista, Greenwald está no centro de um caso de vazamentos de mensagens entre um juiz federal e procuradores, com objetivo de desacreditar suas sentenças e mostrar suposta parcialidade de certas prisões. A ironia do destino fez com que o seu atual cliente possa ser um ex-presidente preso com milhares de seguidores que veem nele um libertador injustiçado por juízes parciais. Como no passado, o poder do criminoso que ele defende agora é bem maior do que uma mera “retórica acalorada”.

Informações: NYT, Caneta

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