Vitória da direita pode ter sido a primeira e última, diz Olavo de Carvalho

A vitória de Bolsonaro nas eleições de 2018 trouxe esperanças a uma parcela da população que não tem tido voz ao longo das últimas décadas, época em que o sistema universitário e a grande mídia, dominados pela esquerda, vêm monopolizando as discussões e regras daquilo que eles próprios convencionaram chamar de “Estado Democrático de Direito”. Mas ao invés de garantir a visibilidade e relevância das opiniões conservadoras dessa parcela da sociedade, a eleição do presidente conservador tem grandes chances de se tornar apenas um dado histórico curioso na história do Brasil.

Esse é o alerta do professor Olavo de Carvalho, que em suas redes sociais vem chamando a atenção para o problema da hegemonia cultural construída lentamente pela esquerda, que não vem sendo combatida eficientemente pela direita.

“Se você vence uma eleição mas não conquista um único lugarzinho na mídia ou no sistema universitário, você garante que essa vitória será provavelmente a última”, disse o filósofo.

O combate dessa hegemonia não tem qualquer relação com a conquista do poder político, já que o verdadeiro poder é o da definição das categorias e caminhos que um debate pode ou não seguir. Quando determinadas expressões, vindas de certas visões de mundo são proibidas ou invalidadas, o horizonte de ação é reduzido drasticamente e coincidirá apenas com o que é permitido pelos definidores das categorias da linguagem. Afinal, a política precisa lidar com o debate público atual e atuante para ser compreendida no tempo do seu mandato. Os governados precisam ver nos governantes a expectativa de ação dentro de uma conjuntura que precisa existir primeiro na mente das pessoas.

O que fazem um sistema universitário e uma grande mídia dominados ideologicamente é reconstruir pseudo-ambientes, ficções conjunturais que levem inevitavelmente às propostas de ações desejadas. Falando assim, parece algo sofisticado, mas é bem simples. Trata-se de mentira organizada, mas organizada caoticamente, isto é, o resultado de um conjunto de distorções e degradações da linguagem que geram degradações cognitivas. Ninguém entende nada. É a subversão. Para baixo todo santo ajuda, diz o ditado. Basta atrapalhar o entendimento das coisas e tudo vai por água abaixo naturalmente. Bastará a ação de meia dúzia de experts e se cria uma geração inteira de idiotas úteis a serviço de milionários.

Num ambiente assim, as ações pretendidas por outros agentes, no caso os conservadores, precisariam contar com uma mudança na linguagem primeiro para gerar a cognição social da situação concreta e, só assim, sugerir ações sobre essa conjuntura percebida. Sem isso, nenhuma proposta de ação efetiva será nem mesmo compreendida, muito menos aceita como legítima. E a gritaria é automática.

Quando me entrego à tarefa ingrata de responder a agressores jornalísticos e acadêmicos, muitos amigos me perguntam: “Para quê perder tempo com palhaços a quem só grupinhos desprezíveis dão atenção? ” A resposta é simples: esses grupinhos são a elite presente e futura.

Ardilosa reconstrução da realidade

A ação de militantes está no redirecionamento das perspectivas, quebra de tabus, e reconstruções conjunturais que conduzem idiotas úteis a propostas específicas ditadas por eles (recebidas de cima). Eles começam criando obstáculos à percepção da realidade até que esses óbices se convertem em elementos da estrutura da mente.

Com o tempo, os idiotas se convertem em militantes (espécie de pós-graduação da idiotice), agindo em defesa daqueles muros cognitivos dos quais já dependem as próprias personalidades, profissões, família e amizades. Transformar ideias em modos e estilos de vida cria uma dependência psicológica quase impossível de quebrar, tornando fácil e rápida a organização de militância para ação efetiva na política. Eles se levantam contra toda ameaça às suas personalidades construídas sob bases mentirosas.

Jo Langer, nas suas memórias “Une Saison Bratislava” (1991), conta que, desembarcando em Paris, narrava aos intelectuais esquerdistas franceses a sua experiência vivida de prisioneira do Gulag, e eles, que nunca sequer haviam estado na Rússia, negavam tudo com ares de certeza absoluta… Isso é a ESSÊNCIA da mentalidade esquerdista: “Afinal., você vai acreditar em mim ou nos seus próprios olhos?”

 

 

18 thoughts on “Vitória da direita pode ter sido a primeira e última, diz Olavo de Carvalho

  1. Sabemos disso, mas comparado ao que era antes vemos cada vez mais os curso técnicos e mídias conservadoras se engajando nessas causas, e pelo amor esses bobocas da esquerda só fazem barulho.

    1. Brasil tá a chegar no fim do poço. Mas não se preocupem os brasileiros pois para baixo sempre se pode cavar.

  2. Eu também acho, em 2022 dificilmente Bolsonaro se reelege. Pode acontecer um monte de coisas, inclusive planejarem algo de forma que só nos reste o candidato que eles querem. Muitas pessoas votaram nele para tirar o PT, muitos eram eleitores de Ciro, Amoedo etc.
    Outra coisa, canelada atras de canelada. Bolsonaro jamais poderia ter chamado os estudantes de idiotas úteis, ganhou um monte de inimigos que na hora já foram arrebanhados pela esquerda.

    1. Oras, assim funciona uma democracia.
      Se assim não fosse e o presidente tivesse plenos poderes pela força do voto, Lula e Dilma poderiam ter implantado um regime comunista no Brasil. Não fizeram isso porque existe uma constituição, um congresso nacional plural e um poder judiciário. Nenhum chefe do executivo tem plenos poderes e Bolsonaro sabia disso. Foi deputado por 27 anos. Foi um dos deputados que fez oposição ao PT como plena liberdade e pleno direito de exercer essa oposição.

  3. Oftalmologista é o que o povo está com falta no governo. Talvez assim o povo enchergava melhor antes de dar seu voto a malandro

  4. Eu já não me importo mais, pra mim desde que não estraguem a economia e aumentem o desemprego, podem fazer o que quiser. A luta foi perdida lá atrás

  5. Boa análise. Mas o que vale para a esquerda também vale para a direita. A cegueira ideológica deixa ver aquilo que os olhos e a análise alcançam. Ademais a disputa pelo poder é muito mais complexa do que supõe o analista… Os interesses privados sobressaem diante de alianças frágeis, lideranças sem capital intelectual, militantes guiados pelo desespero…

  6. Crítica ao progresso no pensamento antirracista de Aleksandr Dugin:

    A rejeição radical das três teorias clássicas reflete também nossa atitude diante daquilo que é comum às três – isto é, nossa atitude perante a modernização, o progresso, evolução, desenvolvimento e crescimento.

    O cientista americano Gregory Bateson, teórico da etno-sociologia, cibernética e ecologia e também psicanalista e linguista, descreveu o que chamou de processo monotônico em seu livro Mind and Nature[1] (Mente e Natureza). O processo monotônico é justamente a idéia de um crescimento constante, acumulação constante, desenvolvimento, progresso estável e regular e a elevação de um indicador particular. Na matemática, está associado à noção de valor monotônico, i.e. o valor sempre crescente, daí as funções monotônicas. Os processos monotônicos são aquele tipo de processo que ocorre sempre em uma direção: por exemplo, todos os seus indicadores consistentemente aumentam sem flutuações cíclicas e oscilações. Estudando os processos monotônicos em três esferas – a esfera da biologia (vida), da mecânica (motor a vapor, motor de combustão interna etc) e a esfera dos fenômenos sociais, Bateson concluiu que quando esse processo ocorre na natureza, ele imediatamente destrói a espécie; se estamos falando de um dispositivo artificial, ele pifa (explode, entra em colapso); se estamos falando de uma sociedade – ela deteriora, degenera e desaparece. O processo monotônico (na biologia) é incompatível com a vida – é um fenômeno anti-biológico. Processos monotônicos são completamente ausentes na natureza. Todos os processos de acumulação de algo em particular, de um traço específico, resultam na morte de outros. Processos desse tipo não existem em nenhuma espécie, desde células aos organismos mais complexos. Assim que esse tipo de processo (monotônico) inicia-se, surgem aberrações da natureza, grandes demais, pequenas demais, desvios de toda sorte – são incapacitados, incompatíveis com a vida, não produzem prole e a vida mesma os expulse.

    Ora, o processo montônico foi o principal problema a ser resolvido no desenvolvimento de motores a vapor. A questão é que a sutileza mais crucial em se tratando desses motores é o “relay feedback”. Quando o processo chega a certa velocidade, é necessário resetar o abastecimento de combustível, senão o processo monotônico inicia-se, tudo começa a ressonar e a velocidade do motor aumenta, causando explosão. Foi precisamente asolução que evita o processo monotônico, na mecânica, o principal problema de engenharia teorético, matemático e físico durante o primeiro estágio da industrialização. Aparentemente o processo monotônico não é apenas incompatível com a vida – mas também com o devido funcionamento mecânico de um dispositivo qualquer. A tarefa de projetar um dispositivo funcional consiste em evitar o processo monotônico, isto é, a prevenção de qualquer progresso unidimencional, da evolução, desenvolvimento e crescimento num ciclo fechado.
    Ao analisar a sociologia, Bateson demonstrou que não há processos monotônicos em sociedades reais. Processos monotônicos, tais como crescimento populacional, normalmente levam a guerras, como regra geral, o que corta o crescimento da população pela metade. Em nossa sociedade atual vemos um nível sem precedentes de progresso tecnológico automatizado juntamente com uma degradação moral inacreditável.

    Se atentarmos para a evidência disponível sem viés “evolucionista”, então perceberemos que o processo monotônico existe apenas na mente de quem olha, i.e. são modelos puramente ideológicos. Bateson demonstra que não existem na realidade biológica, mecânica e social. Marcel Mauss, conhecido sociólogo francês, também criticou a crença no processo monotônico. Em seu livro, O Sacrifício: sua natureza e funções [2] e principalmente em seu ensaio, O Presente [3]; nesses trabalhos ele mostra como a sociedade tradicional dava grande importância à destruição ritual do excedente. O excedente era visto como excessivo, likho, usura. Likho personifica o mal, usura é o juro cobrado pelo capital emprestado e excesso é aquilo que é obtido que excede a necessidade. Por exemplo, colheitas excedentes (excessivas) eram vistas como um desastre na sociedade tradicional. A visão de mundo antiga baseava-se na crença de que um aumento em uma área significa uma diminuição em outra. Assim sendo, o excedente tinha de ser destruído o mais rápido possível. Para esse propósito, a comunidade organizava uma orgia, banquete, uma festa, um sacrifício etc no qual consumia toda a comida excedente, empanturrava-se, ou dava-a como oferenda aos deuses ou ainda destruía-a. Eis aí a origem dum tipo especial de ritual – o potlatch, que consiste na destruição deliberada de propriedade pessoal. Ele pressupõe a destruição do excedente [4].

    Marcel Mauss provou que a crença na destrutividade do processo monotônico está na base da sociabilidade humana. A sociedade só permanece forte por meio da rejeição do processo monotônico e por meio da transformação do crescimento num ciclo.

    Emile Durkheim, Pitirim Sorokin e George Gurvitch, os grandes sociólogos do século 20, clássicos do pensamento sociológico, argumentaram que o progresso social não existe – contrastando com a sociologia do século 19, de Auguste Comtem ou Herbert Spencer. O progresso não é um fenômeno social objetivo, mas antes um conceito artificial, um tipo de “mito formulado cientificamente”. Quando estudamos a sociedades, só podemos falar, quando muito, em diferentes tipos (de progresso). Não há um critério geral objetivo que possa determinar qual é mais desenvolvida e qual é menos. Lucien Lévy-Brühl tentou provar que o pensamento “selvagem” é pré-lógico, enquanto o pensamento dos modernos seria lógico [5]. No entanto, Claude Levi-Strauss demonstrou [6] que os selvagens pensam da mesma maneira que nós; apenas sua taxonomia é construída diferentemente, de modo que eles não possuem menos lógica do que nós – talvez, em certo sentido, tenham até mais – demonstrou também que seu pensamento é mais refinado (em alguns aspectos).

    Quanto às fases do desenvolvimento social, Franz Boaz, o maior antropólogo cultural americano, e seus discípulos, bem como Claude Levi-Strauss e sua escola provaram que nós não podemos conceber, no quadro conceitual da antropologia, os humanos “modernos” como pessoas que evoluíram das horas arcaicas e primitivas. Os primitivos e as sociedades primitivas são simplesmente pessoas diferentes e sociedades diferentes. Os seres humanos “modernos” são um grupo, e os “arcaicos”, outro. Porém, trata-se de pessoas, em nada piores do que nós. Os “primitivos” não são uma “versão subdesenvolvida” de nós mesmos. Eles têm filhos diferentes, que não conhecem nossas fábulas e contos, diferentemente das nossas crianças. Eles têm adultos diferentes – seus adultos conhecem os mitos, enquanto os nossos não crêem em mitos.Nossos adultos, nossa sociedade prática e sóbria, assemelha-se às crianças deles. Os adultos em tribos primitivas é que conhecem as histórias míticas, acreditam sinceramente nelas e personificam em sua vida as façanhas de seus ancestrais e espíritos, sem fazer distinção. Já as crianças nas sociedades primitivas é que se caracterizam pelo cinismo, pragmatismo, cepticismo e o desejo de atribuir tudo a causas materiais. Isso não significa necessariamente que as sociedades modernas desenvolveram-se a partir do primitivismo e suplantaram-no; ocorre simplesmente que configuramos nossa sociedade diferentemente (nem melhor nem pior) e erguemo-la sobre outros fundamentos e outros valores.

    No que diz respeito ao estudos culturais e à filosofia, Nikolai Danilevskii, Oswald Spengler, Carl Schmitt, Ernst Jünger, Martin Heidegger e Arnold Toynbee demonstraram que todos os processos na História da filosofia e história da cultura são fenômenos cíclicos. O historiador russo Lev Gumilev também o sugere em sua versão da História cíclica, a qual explicou em sua famosa teoria da passionalidade. Todos esses autores reconhecem que existe desenvolvimento, mas também existe declínio. Aqueles que apostam apenas no crescimento e desenvolvimento agem contra todas as leis da História, contra as leis sociológicas, contra a lógica mesma da vida. Tal modernização unidirecional, tal crescimento, tal desenvolvimento e tal progresso não existem. Piotr Sztompka, sociólogo polonês contemporâneo, afirma [7] que, em termos de progresso, a seguinte mudança aconteceu nas ciências humanas: no século 19, todos acerditavam que ele (o progresso) existe e isso era o principal axioma e um critério científico. Porém, se examinarmos os paradigmas do século 20 nas humanidades e ciências naturais, veremos que quase todo mundo já rejeita tal paradigma; ninguém mais é guiado por ele. Hoje em dia, o paradigma do progresso é considerado quase “anti-científico”; é incompatível com os critérios científicos contemporâneos, bem como é incompatível com os critérios do humanismo e tolerância. Qualquer ideia de progresso é ela mesma um racismo velado ou direto, que reivindica a “nossa” cultura, por exemplo, a “cultura branca” ou a cultura americana como uma cultura superior à “sua” cultura; superior, por exemplo, às culturas africanas, islâmicas, iraquianas ou afegãs. Assim que afirmamos que a cultura americana ou russa é melhor do que a cultura Chukchi ou a dos habitantes do norte do Cáucaso, nós estamos agindo como racistas. Isso é incompatível, seja com a ciência ou com o próprio respeito a diferentes etnias.

    As ciências do século, seja como for, usam a ciclicidade como critério científico ou ainda, de acordo com Sztompka, poder-se-ia dizer que nós saímos do paradigma da evolução, modernização e desenvolvimento e movemo-nos para o paradigma da crise, o paradigma das catástrofes. Isso significa que todos os processos – na natureza, sociedade e tecnologia – devem ser concebidos como relativos, reversíveis e cíclicos. Essa é a questão principal.

    No que diz respeito à sua base metodológica, a “Quarta Teoria Política” deve fundamentar-se na rejeição fundamental ao processo monotônico. Em outras palavras, a “Quarta Teoria Política” deve asseverar que o processo monotônico é anticientífico, inadequado, amoral e falso como axioma futuro (sem precisar especificar exatamente como o processo monotônico deve ser rejeitado). Mais do que isso: tudo que recorre à ideia de processo monotônico e suas variações, tais como o desenvolvimento, evolução e modernização devem, pra se dizer o mínimo, ser colocado no modo cíclico. No lugar da ideia de processo (monotônico), progresso etc, devemos defender outros “slogans”, direcionados à vida, repetição e preservação daquilo que vale a pena ser preservado (e mudança daquilo que deve ser mudado).

    No lugar do discurso da modernização e crescimento, precisamos do caminho do equilíbrio, adaptabilidade e harmonia. No lugar do movimento sempre para frente e acima, precisamos adaptarmo-nos àquilo que existe, comprender em que ponto estamos e harmonizar o processo sócio-político.
    Mais importante do que isso: no lugar do crescimento, progresso etc existe a vida. Ainda há de se provar, afinal, que a vida esteja relacionada ao crescimento. Tal foi o mito do século 19. A vida, na verdade, é relacionada ao eterno retorno. No fim, até mesmo Nietzsche acabou incorporando o conceito de eterno retorno à sua idéia de “vontade de poder”. A lógica mesma da vida, à qual Nietzche dedicou-se, contou-lhe que se há crescimento na vida, o movimento apolíneo rumo ao logos, então o equilíbrio do mundo noturno dionisíaco também existe. Ora, Apolo não é apenas o oposto de Dionísio, mas seucomplemento (complementam-se). Metade do ciclo é composto por modernização, a outra metade – por declínio; quando um lado da moeda vira-se para cima, o outro vira para baixo. Não há vida sem morte etc.

    O ser-para-a-morte, a atenção cuidadosa à morte, ao outro lado da esfera do Ser, como escreveu Heidegger, não é uma luta com a vida, mas antes a glorificação da vida e seu alicerce.

    Devemos pôr um fim às ideologias políticas e teorias antiquadas. Se rejeitamos realmente o marxismo e o fascismo, então o que resta a ser rejeitado é o liberalismo. Ele é uma ideologia igualmente ultrapassada, cruel e misantropa. O termo “liberalismo” deveria ser igualado aos termos “fascismo” e “comunismo”. O liberalismo, afinal, é responsável por não menos crimes históricos que o fascismo (Auschwitz) e o comunismo (o gulag): ele é responsável pela escravidão, a destruição os índios americanos nos EUA, por Hiroshima e Nagasaki, pela agressão militar na Sérbia, Iraque e Afeganistão e pela devastação e exploração econômica de milhões de pessoas no planeta; e ainda pelas mentiras cínicas e ignóbeis que mascaram essa história. Mais do que isso: devemos rejeitar a base mesma sobre a qual essas três ideologias (liberalismo, comunismo e fascismo) foram construída: o processo monotônico, em todas as suas formas, isto é, evolução, crescimento, modernização, progresso, desenvolvimento e tudo aquilo que parecia tão científico no século 19, mas foi desmascarado como anti-científico no século 20.

    Devemos abandonar a ideologia do desenvolvimento e propor o seguinte slogan: a vida é mais importante do que o crescimento. No lugar da ideologia do desenvolvimento, devemos apostar na ideologia do conservadorismo e conservação. Entretanto, não é apenas pelo conservadorismo na vida quotidiana que clamamos, mas também por um conservadorismo filosófico. Nós precisamos da filosofia do conservadorismo. Olhando para o futuro do sistema político russo, vemos que se será baseado na ideia de processo monotônico, então está condenado ao fracasso. Nenhuma estabilidade poderá advir de mais uma rodada de crescimento unidirecional (a partir dos preços da energia, bens imóveis, ações da bolsa de valores etc) ou do crescimento da economia global como um todo. Se essa ilusão persistir, ela pode tornar-se fatal para nosso país.

    Hoje nós nos encontramos em um estado de transição. Nós sabemos vagamente do quê estamos nos afastando, mas não sabemos rumo a quê nos aproximamos. Se nós nos dirigirmos rumo àquilo que direta ou indiretamente implica na presença do processo monotônico, então chegaremos a uma rua sem saída.

    A “Quarta Teoria Política” deve dar um passo rumo à formulação de uma crítica coerente do processo monotônico; deve desenvolver um modelo alternativo de um futuro conservador, um amanhã conservador, baseado nos princípios de vitalidade, raízes, constância e eternidade. Afinal, como disse Arthur Moeller van den Bruck, “a eternidade está do lado dos conservadores”.

    [1] Bateson, Gregory, Razum i priroda, Moscow, KomKniga, 2007. [Mind and Nature]

    [2] Mauss, Marcel, Sotsial’nye funktsii sviaschennogo, in Selected Works, tr., ed. I. V Utehin, St. Petersburg, Evraziia, 2000. [Sacrifice: Its Nature and Functions]

    [3] Mauss, Marcel, Ocherk o dare. Obschestva. Obmen. Lichnost’: Trudy po sotsial’noi antropologii, tr. A. B. Gofman, Moscow, Vostochnaia literatura, RAN, 1996. [The Gift: Forms and Functions of Exchange in Archaic Societies]

    [4] Nota do tradutor: likho ém na mitologia eslava, a personificação de calamidades e desastres. Essa palavra arcaica equivale à palavra “mal” e é etimologicamente relacionada a lishnii, ou seja, “excesso”. O autor também usa o sentido original do termo likhva, um vocábulo arcaico que significa “usara” e também está relacionado a likho.

    [5] Lévy-Brühl , Lucien, Pervobytnoe myshlenie. Psikhologiia myshleniia. Moscow, MGU, 1980. [Primitive Mentality]

    [6] Lévi-Strauss, Claude, Pervobytnoe myshlenie – issledovanie osobennosti myshleniia, Moscow, Respublika, 1994. [The Savage Mind]

    [7] Sztompka, Piotr, Sotsiologiia sotsial’nykh izmenenii, Moscow, Aspekt Press, 1996. [The Sociology of Social Change]

    (Alexander Dugin, A Quarta Teoria Política – Tradução e negritos: Uriel Irigaray).

  7. Exatamente!!! Estudantes são idiotas sim, fazem das universidades ponto de sexo e drogas. Acabar com as universidades e colocar esse povo para trabalhar e pagar seus estudos. Privatizar todas universidades ou deixar aos cuidados dos militares.

  8. Compreendo que a análise do prof Olavo é um puxão de orelha na classe acadêmica de direita que deve se empenhar mais em ganhar espaço nas universidades e mídias sociais. Apesar do que, não posso negar oquê os meus olhos vêem! A proporção de militantes de direita hj nas redes sociais é superior qse 2/1 aos esquerdistas. Devido a importância desses redes, acredito num processo de osmose ao qual o própria besta de 7 cabeças considerado pelos catedráticos gramscistas por encontrará penetração nas universidades.

  9. Já foi avisado que se não der certo, os MILITARES assumirão.

    Bater continência para BANDIDO e Organização Criminosa novamente, nem pensar.

  10. Oras, assim funciona uma democracia.
    Se assim não fosse e o presidente tivesse plenos poderes pela força do voto, Lula e Dilma poderiam ter implantado um regime comunista no Brasil. Não fizeram isso porque existe uma constituição, um congresso nacional plural e um poder judiciário. Nenhum chefe do executivo tem plenos poderes e Bolsonaro sabia disso. Foi deputado por 27 anos. Foi um dos deputados que fez oposição ao PT como plena liberdade e pleno direito de exercer essa oposição. Ditadura nunca mais.

  11. Se me recordo bem, o próprio Olavo disse que a política não é ciência exata, podemos fazer uma analise do momento, projeções são suposições, todas as opções estão em aberto, o pior é que ele sempre tem razão em suas analises.

  12. O Olavo sempre tem razão. E temos mais uma condicionante: o tempo passa muito rápido. Quatro anos de mandato já estão logo aí. Tem muita coisa para ser feita. Passamos por um período de experimentações, provocações (coisa que a esquerda sabe fazer muito bem). Mas é um começo. Temos que ter uma cartilha com algumas posições tomadas. E segui-las. Creio que seja isso que o prof Olavo tanto fala. Combater o bom combate. Mas combater esses esquerdistas sem um discurso forte contrário e tomar de 7×1. Esses FDP não possuem escrúpulos. São assassinos. Bandidos. E estão infiltrados em todos os lugares. Pega os sindicatos. Rapaz são todos esquerdistas. E isso você acha que é pouco? Vamos pegar um nicho só. O de prédios. Portaria e zeladoria. 100% esquerda. Imagina numa cidade que nem São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, dá pra imaginar o tamanho do estrago? E as escolas municipais e estaduais? ?? Cada sala um professor esquerdopata. Aí já dá para considerar um suicídio coletivo. Mas se for possível uma cartilha com tópicos bem definidos de argumentos que combatam toda essa ideologia do socialismo explicando quais os países socialistas hoje em dia. Como estão economica e socialmente. Quais riquezas possuíam antes e como estão agora. Qual o grau de liberdade existe. Se é que existe. Bom isso é para que seja pensado. Tem que ser feito algo. E rápido. Essa é minha humilde sugestão. Agora não pode ter ares de superioridade igual ao Fernando Henrique Cardoso. Oh caviar! É necessário falar a verdade de uma forma que as pessoas entendam. E a partir daí comecem a raciocinar de uma outra forma. Precisam sair do anestesiamento em que se encontram. Espero ter podido contribuir de alguma forma. Pelo menos para reflexão. Pois não podemos nos esquecer que todos nós já temos problemas sérios e graves para enfrentar todos os dias. E não são poucos. E em grande parte até de sobrevivência. O desemprego está alarmante. Enfim é um trabalho hercúleo pelo frente.

  13. A única instituição que pode salvar o Brasil é a Igreja, mas antes esta precida realizar um grande profilaxia em seus quadros e retomar o trabalho iniciado por Dom Vital. Precismos de um E. Michael Jones lusófono, que não fique a adular heréticos, gnósticos e panteísta travestidos de ‘cristãos’. Fora do catolicismo apostólico não há cristianismo.
    Qualquer outra promessa de salvação ou restaurção de ‘alta cultura’ é cantilena de aproveitadores.

    Mais Ourique e Menos Televangelismo Político

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