Reportagem da BBC News denuncia “rede de notícias falsas” de extrema direita

Montagem reprodução

Uma reportagem assinada pela jornalista Simon Oxenham, intitulada “Ganhava a vida escrevendo notícias falsas”, conta a história de uma jovem de esquerda chamada Tamara, da Macedônia do Norte, que teria se envolvido com uma rede de sites que pagavam para adolescentes escreverem notícias falsas para influenciar as eleições norte-americanas de 2017. A reportagem destacou como tema principal dessas fake news, ataques de muçulmanos contra pessoas. Mas uma análise do texto de Oxenham pode revelar a verdadeira intenção da matéria.

O texto, originalmente publicado no site BBC Future, dá a entender que há grupos interessados em difundir a ideia de que muçulmanos são perigosos, quando na verdade isso seria, digamos, um exagero ou simplesmente “discurso de ódio”. Ao longo da matéria, a própria autora admite que o rótulo de notícias falsas usado para chamar a atenção não diz muito sobre o conteúdo disseminado pela suposta rede de jovens disseminadores de ódio. Em dado momento, ela escreve:

“…a experiência de Tamara também mostra as limitações do termo “notícias falsas” e por que a realidade do sites que as publicam é muito mais perniciosa.

Muito do que ela produziu foi desinformação baseada em fatos reais, escrita de forma a provocar medo e raiva nos leitores. No conjunto, as histórias forneciam uma visão falsa e distorcida do mundo, claramente indo ao encontro de preconceitos existentes.

Para entender o que a autora e a personagem quiseram dizer, é preciso abordar as suas premissas. Como explico no livro Fake News: quando os jornais fingem fazer jornalismo (2019), há dois tipos de jornalismo historicamente atuantes, que dialogam historicamente flertando com as diversas correntes políticas: o sensacionalismo e o jornalismo integrador. Enquanto o primeiro busca vender jornais, e às vezes exagerar nas tintas para gerar medo e desconfiança sobre as autoridades, o segundo busca atenuar e, quando interessa, manter debaixo dos panos as verdades inconvenientes que poderiam gerar indignação nas massas.

Mas é importante lembrar que o rótulo do sensacionalismo, embora exista historicamente e na prática de muitos sites atualmente, funciona como estereótipo negativo por qualquer voz que deseje atrair para si a imagem de responsabilidade e equilíbrio.

É a partir de uma pretensão integradora da sociedade, hoje submetida a ideais de transformação social impostas como censuras de pensamento e expressão, que o jornalismo da reportagem da BBC classifica como atitude responsável a rotulação de todo site de direita como uma parte de rede de fake news. Como a própria matéria admite, mesmo não havendo mentiras ou fatos falsos, uma notícia deve ser considerada fake se ela não corresponde ao vocabulário de métodos jornalísticos do modelo integrador. Afinal, falta àqueles relatos a devida “contextualização”, palavra cara à esquerda, que significa apenas a adequação dos fatos reais a uma explicação ideológica.

Sem desconsiderar a veracidade do relato publicado pela BBC, portanto, notamos que a falta de uma visão ideológica utópica e revolucionária que dê sentido aos fatos, já é suficiente para a imposição do rótulo de fake. O artigo pode ser verdadeiro, mas o objetivo da matéria é fortalecer a ideia de que muçulmanos são pacíficos e vítimas de redes de difamação ocidentais. Se isso poderia até ser verdadeiro quanto aos muçulmanos religiosos moderados (o que é discutível), acaba perigosamente protegendo radicais sob o véu de vítimas.

Ao apontar com único exemplo de notícias falsas os ataques de muçulmanos a pessoas, a BBC entrega quais são seus patrões: os milionários que financiam o terrorismo islâmico ao mesmo tempo em que bancam campanhas contra a “islamofobia”, esquecendo-se de que judeus e cristãos são, hoje, as comunidades mais perseguidas do mundo, de acordo com diversas entidades internacionais. E em matéria de perseguição a cristãos, os países islâmicos ocupam papel de liderança.

2 thoughts on “Reportagem da BBC News denuncia “rede de notícias falsas” de extrema direita

  1. Cristian, por que você não faz os artigos em versão bilíngue, inglês e português, para alcançar um público europeu e norte-americano? Eles precisam dessas informações.

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