Fertilização In-Vitro: descarta a vida humana e apresenta riscos para saúde dos envolvidos

Foto: Pixabay

A Fertilização In-Vitro e inseminação artificial são amplamente ofertadas no Brasil como uma técnica inofensiva para o ser humano, uma “solução perfeita” para casais inférteis. Mas são omitidos da população todos os problemas éticos dela decorrentes, como a manipulação e o descarte dos embriões, seres humanos em estágio inicial de desenvolvimento, bem como, todos os riscos que a técnica apresenta para a mulher que se submete a ela e para os bebês que serão concebidos.  Aos que sofrem o drama da infertilidade, recomendo ao final desse artigo, um link com informações sobre a NaProTecnologia, que é mais eficaz que a FIV e não tem apresenta problemas éticos ou de saúde como aqui destacamos.

Por causa da Fertilização In-Vitro (FIV), milhões de seres humanos em estágio embrionário são manipulados e descartados. Em geral, a cada procedimento tentam implantar 2 a 4 embriões, mas para obter esses, é fertilizado um número maior. Esse excedente de embriões é em parte descartado, congelado para uso futuro e, uma pequena parte doada para experimentos científicos. Estima-se que 1,7 milhão de embriões já tenham sido descartados em processos de FIV no mundo, mas a cifra pode ser bem superior. Quando a vida humana se torna objeto de descarte, as consequências para o ser humano que sobrevive e manipula os seus semelhantes, também não poderia ser das melhores.

Diversos estudos têm comparado indivíduos (bebês, crianças ou adultos) nascidos por concepção natural com pessoas concebidas artificialmente em processo de FIV. As pesquisas científicas apontam aumento nos riscos de saúde dessas pessoas, mas também para as mulheres que participam desse processo de manipulação de vidas em laboratório.

Riscos para as pessoas concebidas por Fertilização In-Vitro (FIV):

  1. Maior risco de malformações congênitas graves (Verlaenen et al 1995; Hansen et al 2005 e Hvidtjørn e Olsen,2009). Uma metanálises de 19 estudos estimou um aumento de 29% em malformações de bebês gerados in vitro (Rimm et al 2004). Estudos posteriores confirmaram os resultados (Zhu et al 2006 e Delbaere et al 2007).
  2. Dentre os tipos de malformações estão lábio leporino, malformação cardíaca, malformações retais e de esôfago (Reefhuis et al 2008). O risco estimado para problemas gastrointestinais foi de 9.85; para cardiovasculares foi de 2.30 e para defeitos do músculo esquelético, 1.54 (El-Chaar et al 2008).
  3. Aumento de sequelas neurológicas como retardo mental (Verlaenen et al 1995; Hansen et al 2005 e Hvidtjørn e Olsen,2009)
  4. Aumento no risco de Síndrome de Potter (Klemetti R et al., 2005)
  5. Graves defeitos de visão e risco elevado de nascimento prematuro com as sequelas características da prematuridade (Verlaenen et al 1995; Hansen et al 2005 e Hvidtjørn e Olsen,2009)
  6. Aumento de 3 a 4 vezes no risco de anomalias cromossômicas (Marjoribanks et al 2005)
  7. Aumento da quantidade de gestações múltiplas de alto risco, onde muitos casais, já tendo banalizado o direito à vida, optam por aborto para seleção fetal. Tratam-se de abortos feitos entre 9 e 12 semanas de gestação, para reduzir o número de bebês em gestação, visando reduzir riscos para saúde inerentes a uma gestação múltipla (trigêmeos ou quadrigêmeos).
  8. As gestações múltiplas têm maiores riscos de anomalias congênitas e anormalidades hormonais (Alukal e Lipshultz, 2008)
  9. Estudos sugerem fortemente um aumento no risco da Síndrome Beckwith-Wiedeman, que afeta 1 a cada 12 mil nascidos na média da sociedade, mas foi encontrado 3 casos em um grupo de 65 bebês concebidos por fertilização artificial (DeBaun, Niemitz e Fienberg 2003); e em outro estudo, 6 casos em 149 bebês concebidos por FIV (Gicquel et al 2003). Essa síndrome se caracteriza por nascimento prematuro, língua anormalmente larga, hérnia umbilical, hipoglicemia neonatal e predisposição à tumores. Além disso, os bebês concebidos por FIV e com essa síndrome apresentavam mais defeitos do que os bebês com a mesma síndrome e concebidos naturalmente.
  10. Aumento no risco de câncer foi verificado em apenas um artigo científico – contudo, esse artigo até o momento, pelo que se sabe, não teve nenhuma refutação em estudos posteriores. Trata-se da pesquisa de Moll, Imhof e Cruysberg (2003), que aponta um aumento no risco de tumor infantil retinoblastoma.
  11. Boa parte desses riscos também são somados ao fato de que a média de idade das mulheres que concebe de forma artificial é maior que a média de idade de mulheres que concebem de forma natural, e a idade avançada da mulher é fator de risco para muitas dessas situações, portanto, aumentando ainda mais os riscos.

Entendendo os porquês de alguns desses riscos aumentados:

  1. A super-estimulação ovariana nas mulheres para aumento na produção de óvulos resulta, não raro, na produção de óvulos imaturos
  2. Boa parte dos casos de infertilidade se devem a alterações genéticas especialmente no cromossomo Y, que passa para os filhos homens.
  3. Como a fusão entre os espermatozoides ocorre por injeção intracitoplasmática, não ocorre a seleção natural do processo de concepção em que vence a corrida para fecundar, o espermatozoide mais apto, com isso, diversos embriões são fecundados com espermatozoides pouco aptos para geração de embriões saudáveis. Depois da fertilização, os cientistas tentam selecionar os embriões menos aptos e eliminá-los, para contornar esse problema. Esse descarte atenta contra vida de seres humanos concebidos e também não é perfeito, resultando em tentativas de aproveitamento de embriões pouco aptos, que após o nascimento, podem apresentar os problemas de saúde citados anteriormente.
  4. A falta de comunicação do embrião e o corpo da mãe, nos primeiros dias de vida, de forma natural, dificulta enormemente a nidação correta, aumentando a taxa de perdas de embriões na nidação (implantação).
  5. A falta de comunicação do embrião com o corpo materno entre a fase da concepção até a nidação (implantação) também resulta em uma resposta ineficiente do corpo da mãe que precisa baixar suas defesas imunológicas para que o embrião não seja visto como um agressor ao seu corpo. Isso resulta em maiores riscos para a mãe e o bebê. Alguns riscos de saúde para a mulher que não tem a correta inibição imunológica na gestação sequer foram citados nos itens anteriores.
  6. Muitos outros detalhes explicam os riscos aumentados nos bebês concebidos por FIV.

Para a saúde da mulher, ainda é importante destacar que, como todo processo depende da super estimulação ovariana. Aproximadamente 1% das mulheres pode sofrer de uma síndrome de hiperovulação que consiste em uma excessiva resposta gonadotrófica. A forma severa da síndrome se caracteriza por um massivo crescimento do ovário, insuficiência renal, desconforto respiratório e fenômenos tromboembólicos (Delbaere et al 2006).

Tão inacreditável quanto o silêncio sobre os problemas éticos e riscos relacionados a FIV é o silêncio sobre uma solução muito mais eficaz e sem problemas éticos: a NaProTecnologia.  O tema é abordado de forma introdutória nesse artigo no site Aleteia, com foco para quem deseja conhecer mais e busca contornar problema de aparente infertilidade no casamento.

Este artigo tratou de resumir os principais elementos destacados no artigo dos doutores Pedro José Sanchez Abad, professor de bioética do Master de Bioética da Universidade de Múrcia e da Dra. Natalia López Moratalla, do Departamento de Bioquímica e Biologia Molecular da Faculdade de Medicina de Navarra, publicado na revista Cuadernos de Bioética, em 2000.

Referência bibliográfica principal:

Sánchez PJ, López N. Carencias de la comunicación biológica en las técnicas de reproducción asistida. Cuadernos de Bioética 2009; XX(3):341.

Referências citadas, apud Sánchez e Lopez 2009:

Alukal, J.P., Lipshultz, L.I. (2008) “Safety of assisted reproduction, assessed by risk of abnormalities in children born after use of in vitro fertilization techniques”. Nature Clinical Practice UROLOGY, 5, 140-150.

DeBaun, M.R., Niemitz, E.L., Feinberg, A.P. (2003) ”Association of In Vitro Fertilization with Beckwith-Wiedemann Syndrome and Epigenetic Alterations of LIT1 and H19”. Am. J. Hum. Genet. 72, 156–160.

Delbaere, A., Smits, G., Vassart, G., Costagliola, S. (2006) “Genetic predictors of ovarian hyperstimulation syndrome in women undergoing in vitro fertilization”. Nature Clinical Practice Endocrinology & Metabolism, 2, 590-591.

Delbaere, I., Goetgeluk, S., Derom, C., De Bacquer, D., De Sutter, P., Temmerman, M (2007) “Umbilical cord anomalies are more frequent in twins after assisted reproduction” Human Reproduction, 22, 2763–2767.

El-Chaar, D., Yang, Q., Gao, J., Bottomley, J., Leader, J.A., Wen, S. W.,Walker, M.( 2008) “Risk of birth defects increased in pregnancies conceived by assisted human reproduction” . Fertil Steril.

Gicquel, C., Gaston, V., Mandelbaum, J., Siffoi, J.P., Flahault, A., Le Bouc, Y. (2003) “In Vitro fertilization May Increase the Risk of Beckwith-Wiedemann Syndrome Related to the Abnormal Imprinting of the KCNQ1OT”. Am. J. Hum. Genet., 72, 1338–1341.

Hansen, M., Bower, C., Milne, E., de Klerk. N, Kurinczuk, J.J. (2005) “Assisted reproductive technologies and the risk of birth defects—a systematic review”. Hum Reprod, 20, 328–338; Hansen, M. et al. (2007) “Practitioner reporting of birth defects in children born following assisted reproductive technology: does it still have a role in surveillance of birth defects?” Hum Reprod, 22, 516–520; Lie, R.T., Lyngstadaas, A., Orstavik, K.H., Bakketeig, L.S., Jacobsen, G., Tanbo, T. (2005) “Birth defects in children conceived by ICSI compared with children conceived by other IVF-methods; a meta-analysis”. Int J Epidemiol; 34, 696–701; Reefhuis, J., Honein, M.A., Schieve, L.A., Correa1, A., Hobbs, C.A., Rasmussen, S.A. and the National Birth Defects Prevention (2005) “Assisted reproductive technology and major structural birth defects in the United States” TheScientificWorldJOURNAL 5, 922–932; Schieve, L.A., Rasmussen, S.A., Reefhuis, J. (2005) “Risk of birth defects among children conceived with assisted reproductive technology: providing an epidemiologic context to the data”. Fertil Steril, 84, 1320–1324; Reddy UM et al. (2007) “Infertility, assisted reproductive technology, and adverse pregnancy outcomes: executive summary of a National Institute of Child Health and Human Development workshop”. Obstet Gynecol,109: 967–977; Zhu, J.L., Basso, O., Obel, C., Hvidtjørn, D., Olsen, J. (2009) “Infertility, infertility treatment and psychomotor development: the Danish National Birth Cohort”. Paediatric and Perinatal Epidemiolog, 23, 98–106.

Klemetti R et al. (2005) “Children born after assisted fertilization have an increased rate of major congenital anomalies”. Fertil Steril, 84, 1300–1307; cfr además: Merlob, P., Sapir, O., Sulkes, J., Fisch B. (2005) “The prevalence of major congenital malformations during two periods of time, 1986–1994 and 1995–2002 in newborns conceived by assisted reproduction technology” Eur. J. Med. Gen. 48. 5–11; Olson, C.K., Keppler-Noreuil, K.M., Romitti, P.A., Budelier, W.T., Ryan, G., Sparks, A.E., Van Voorhis, B.J. (2005) “In vitro fertilization is associated with an increase in major birth defects”. Fertil Steril, 84, 1308–1315; Clementini, E., Palka, C., Iezzi. I,, Stuppia. L. et al. (2005) “Prevalence of chromosomal abnormalities in 2078 infertile couples referred for assisted reproductive techniques”. Human Reproduction, 20, 437-442.

Marjoribanks, J., Farquhar, C., Marshall C. (2005) Systematic review of the health risks to the mother, child and family associated with the use of intracytoplasmic sperm injection (ICSI). Report to the Ministry of Health from the New Zealand Guidelines Group undertaken by the Cochrane Menstrual Disorders and Subfertility

Moll, A.C., Imhof, S.M., Cruysberg, J.R.M., Schouten-van Meeteren, A.Y.N. et al. (2003) “Incidence of retinoblastoma in children born after in-vitro fertilisation”. The Lancet, 361, 309-310.

Reefhuis, J., Honein1, M.A., Schieve L.A., Correa, A., Hobbs, C.A., Rasmussen S.A., (2008) “Assisted reproductive technology and major structural birth defects in the United States” Human Reproduction, 1-7; doi:10.1093/humrep/den387 .

Rimm, A.A., Katayama, A.C., Diaz, M., Katayama K. P. (2004), ”A Meta-Analysis of Controlled Studies Comparing Major Malformation Rates in IVF and ICSI Infants with Naturally Conceived Children”. Journal of Assisted Reproduction and Genetics, 21, 437-443.

Verlaenen, H., Cammu, H., Derde, M.P., Amy, J. (1995) “MRC Working Party on Children Conceived by In vitro Fertilisation”. J. Obstet. Ginecol. 86, 906-910.

Zhu, J.L., Basso, O., Obel, C., Bille, C., Olsen, J. (2006) “Infertility, infertility treatment, and congenital malformations: Danish national birth cohort”. BMJ, 333-679; doi:10.1136/bmj.38919.495718.AE; Midrio, P., Nogare, C.D., Di Gianantonio, E., Clementi, M. (2006) “Are congenital anorectal malformations more frequent in newborns conceived with assisted reproductive techniques?” Reprod Toxicol, 22,576–577; Green, N.S. (2006) “Risks of Birth Defects and Other Adverse Outcomes Associated With Assisted Reproductive Technology” Pediatrics, 114, 256-259; Wood, H.M., Babineau, D., Gearhart, J.P. (2007) “In vitro fertilization and the cloacal/bladder exstrophyeepispadias complex: A continuing association”. J. of Pediatric Urology 3, 305-310.


 
 

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *