Soros e a guerra entre globalistas e eurasianistas

O milionário húngaro George Soros publicou no dia 24 de janeiro, em seu site Project-Syndicate, um artigo em que alerta para a ameaça da Inteligência Artificial às Sociedades Abertas. Em clara referência às tecnologias chinesas de reconhecimento facial, entre outras utilizadas, Soros prevê que essas tecnologias são eficientes para sociedades fechadas e autoritárias, mas representam perigosos riscos para sociedades abertas. Ele provavelmente não vê problemas na forma como ele próprio ameaça as democracias ocidentais.

Trata-se de uma alfinetada do bloco globalista ao bloco eurasiano, representado por Rússia e China, sociedades defensoras de regimes de força e coletivistas, em oposição às democracias ocidentais, vistas por eles como individualistas, frágeis e decadentes. Mas o bloco globalista ocidental foi construído justamente pelos esforços da União Soviética, que via na democracia ocidental uma perfeita chance de influenciar e destruir as sociedades ocidentais para que, em ruínas, clamassem pela ajuda do velho bloco socialista. Esse objetivo é bem descrito Perestroika, de Mikhail Gorbachev, e ainda melhor explicado no livro Império Ecológico, de Pascal Bernardin.

George Soros, como bom aluno da escola soviética, tornou o seu poder de destruição social dependente da crença democrática dos direitos de minorias e da ideologia identitária, que submete as nações a infinitas pressões sociais vindas dos movimentos que milionários como ele financiam. As mudanças legislativas dos países ocidentais são propostas sempre de fora, por meio de organismos internacionais que obedecem a movimentos de grande investimento por milionários fortalecidos pela utopia socialista, representada em sua versão cultural pelo identitarismo, anti-racismo, anti-islamofobia, pró-migração etc. O seu objetivo é enfraquecer as sociedades para obrigar os estados a se fortalecerem localmente, enquanto se mantêm submetidos a autoridades supranacionais como a ONU ou blocos como a UE.

A crítica de Soros ao uso das tecnologias chinesas pelo ocidente, portanto, embora pareça uma coincidência de objetivos com Trump, que recentemente as proibiu nos EUA, representa o embate entre dois blocos que desejam manter o controle das mesmas áreas. Enquanto os soviéticos, do qual Soros é herdeiro, desejavam a destruição ocidental para o posterior domínio, os globalistas ocidentais acabaram acreditando que podiam dominar este território e controlá-lo melhor por meio daquela mesma estratégia imposta para destruí-los.

Os soviéticos sabiam que feminismo, gayzismo e todo o identitarismo cultural que emerge das versões culturais do marxismo, carregam poderosa força destruidora e desagregadora da sociedade. Utilizaram-nas como arma de guerra de longo prazo. Por outro lado, os globalistas perceberam nestas ideologias a grande chance de controlar as legislações dos países, já que as leis passaram a obedecer a paixões ideológicas e grupais, não mais às leis naturais. É assim que o mesmo objetivo fortalece os dois blocos. Mas ambos sabem que só um deles levará.

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