O ativismo pedófilo entre nós

O ativismo pedófilo entre nós

17/07/2018 2 Por Cristian Derosa

Há cerca de 10 anos, o filósofo Olavo de Carvalho criticava o projeto de lei que pretendia criminalizar a homofobia, o famoso PL 122, chamado então de “lei da mordaça gay”. O filósofo via na proposta a criação do crime de opinião, tipificado como homofobia, além de uma sabotagem ao ordenamento jurídico, que se veria em constante contradição com a liberdade religiosa e direitos individuais. Mais do que isso: Olavo de Carvalho alertou que o objetivo daqueles movimentos era o de elevar práticas como a pedofilia ao status de orientação sexual. Desde então nada ocorreu fora do previsto.

Uma previsão, vista como absurda por alguns, não veio desacompanhada de certa verossimilhança. As declarações do então líder do Grupo Gay da Bahia, Luiz Mott, que em seu blog enaltecia a sensualidade de meninos impúberes, confirmavam a existência deste tipo de preferência entre ativistas gays. Paulo Ghiraldeli, professor de filosofia da USP, também manifestou apreço à pederastia com meninos em textos do seu blog, referindo-se ao “amor inter-geracional”. Tais apresentações da mais alta estirpe intelectual foram, à época, devidamente retratadas e diagnosticadas pelo professor Olavo de Carvalho nas ondas do seu programa online True Outspeak.

O que se verificou nos anos seguintes foi o avanço das militâncias sobre os mais diversos ambientes. Aquilo que já se esgueirava pelos fétidos corredores de departamentos de ciências humanas, começou a aparecer em blogs e culminou com o surgimento de políticos pró-gênero e pró-pedofilia (Jean Willys, não por acaso egresso de reality shows da Globo), viabilizando a entrada das temáticas de gênero na educação. Nos anos subsequentes, o Brasil viu a Ideologia de Gênero ser rejeitada pelos deputados – após intenso trabalho da bancada pró-vida, uma verdadeira força-tarefa montada para conter a avalanche gayzista e proteger o então Plano Nacional de Educação.

Rejeitada no Legislativo Federal, sobrou aos ativistas recolocarem a temática nos planos regionais, o que demandou mais uma intensa maratona, agora nacional, de um combate que terminou por extirpar a Ideologia de Gênero. Pouco adiantou, já que o avanço mudou de estratégia e se implementou na Base Nacional Curricular. Mas o intenso combate contra a ideologia que trazia junto o avanço sexual sobre crianças mostrou a presença maciça de ativistas em órgãos públicos de todo o país, secretarias e Ministério da Educação, bem como nas escolas entre professores.

Mas como é que o filósofo e professor Olavo de Carvalho chegou a tão preciso diagnóstico antes mesmo de aparecerem as primeiras iniciativas administrativas?

Diálogos internos dos movimentos e suas estratégias

Parece óbvio demais, mas a maioria das pessoas não pensa em estudar os livros e teorias revolucionárias para saber o que eles pretendem e, com isso, prevenir-se diante do próximo passo que darão. A maioria da direita brasileira se escandaliza com muita facilidade e prefere acreditar na imagem do inimigo que foi pintada pelo próprio medo, o que gera um pânico insuperável ou indiferença apática.

Mas a agenda desses movimentos está mais do que disponível e bem documentada em trabalhos acadêmicos, relatórios de ONGs, manifestos dos movimentos e na própria ação local do ativismo do gênero, que abriga em suas fileiras ativistas pró-pedofilia. Evidentemente, quando falamos de pedofilia, não estamos falando apenas dos abusadores de menores. Há uma distinção estratégica entre dois tipos básicos de pedófilos, o que pretende legitimar a pedofilia mediante a fragmentação da percepção sobre o tema.

A estratégia de normalização da pedofilia começou com as próprias denúncias de abusos sexuais como um problema social a ser combatido. “Diga não à pedofilia” estampava camisetas e bottons, campanhas televisivas e reportagens alarmantes buscavam deixar a população atenta à questão. Um problema demanda soluções. As primeiras sugestões de solução para o problema pedófilo foram, naturalmente, as mais radicais e um tanto violentas, o que motivou imediata sensação de empatia com o criminoso, que passou a ser visto também como vítima. Este processo narrativo é perfeitamente conhecido e consagrado na ciência das relações públicas.

Os movimentos internacionais que desejam a descriminalização da pedofilia agem de maneira estratégica e pouco perceptível. Historicamente, os movimentos pela pedofilia buscam mudanças, via trabalhos de advocacy (ou lobby) legislativo para a baixa da idade de consentimento sexual. Esta é a luta tradicional dos seus grupos, desde os primórdios, como o PIE (Pedophile Information Exchange), da Grã Bretanha, extinto em 1984.

Leia também: Breve histórico do ativismo pedófilo

Do mesmo modo, o NAMBLA (North American Man/Boy Love Association) luta pela idade de consentimento, mas também publica artigos e estudos sobre a relação entre sexo e as crianças, sempre na tentativa de desconstruir para redefinir conceitos-chave como infância, sexo, violência, consentimento, amor etc. Um dos objetivos declarados do NAMBLA é diminuir a imagem negativa que a pedofilia carrega socialmente, modificando seu estigma para algo aceitável, o que faz chamando a atenção para o drama sofrido pelo pedófilo individual.

Em muitos casos, os ativistas também podem estar no comando de entidades que dizem lutar contra o abuso sexual de menores, o que é facilmente classificado por eles como “verdadeiro ato de amor às crianças”. O site The Primary Prevention of Sexual Abuse, por exemplo, defende o apoio aos MAPs (minor-attracted persons = pessoas atraídas por menores), como pessoas que precisam de tratamento psicológico. O apoio aos supostos pedófilos que não abusam de menores, mas “apenas os amam” (sic), diminuiria, segundo eles, a quantidade e a legitimação do abuso, o que seria preferível à perseguição social a um doente.

Recentemente, a Rede Globo fez uma matéria sobre o tema, defendendo caridosamente que pedofilia é doença e pode ser tratada. Há poucos anos, o site Humaniza Redes, iniciativa do Governo Federal, fez uma campanha em que dizia exatamente a mesma coisa, distinguindo pedófilos de abusadores. Nos mesmos moldes de associações internacionais como o NAMBLA, o objetivo é transformar o estigma da palavra pedofilia.

Nas últimas semanas, as Nações Unidas criaram um órgão especial para a luta contra a “violência de gênero”. É evidente que a justificativa parece perfeitamente louvável, mas o objetivo da aplicação do termo “violência” é ampliá-lo à mera reprovação de conduta ou para pôr atrás das grades pais que não desejam que seus filhos tenham aula de masturbação com um professor transexual.

A pedofilia e sua relação com a Ideologia de Gênero foi tema de reportagem especial da primeira edição da Revista Estudos Nacionais, onde busquei resgatar a história do seu ativismo e as referências intelectuais presentes ainda hoje.