Globalismo significa ditadura capitalista e liberal carregada por braços esquerdistas

Bem ao contrário do que tem sido dito pelos chavões direitistas dos que recém descobriram a batida e insuficiente expressão “marxismo cultural”, homens como George Soros, Bill Gates, os Rockefeller, Clube de Bildenberg, entre outros, são menos esquerdistas do que liberais. Seu objetivo com uma Nova Ordem Mundial tem mais a ver com a organização global para a eficiência e produção capitalista acima de todo o resto.

Como explica Olavo de Carvalho em uma de suas aulas recentes, reflexões como a do socialistas húngaro Georg Lúkacs, que originou a Escola de Frankfurt, são parte da percepção da crise marxista, fruto da desistência do proletariado industrial como agente histórico da revolução. Apostou na crítica profunda do sistema capitalista e na desconstrução do sistema de crenças e valores que o sustentava – a moral cristã, a família etc. Mas os marxistas ortodoxos viam movimentos como feminismo, sex lieb e o relativismo moral, como efeitos de “revoluções subjetivas” da burguesia.

Na opinião deles, e mais tarde na de Lúkacs, essas revoluções internas burguesas poderiam ser utilizadas para a destruição do capitalismo, mas jamais acreditadas pelos proletários. Marxistas ortodoxos sempre foram contrários à imoralidade como método revolucionário, considerados como alienação burguesa. Em si mesma, a destruição moral de uma sociedade era vista como sinônimo de ruína e decadência, processo contrário ao avanço cultural do marxismo, que representava, para eles, a continuidade da tradição clássica cultural do Ocidente.

Olavo de Carvalho lembra do fato de artistas como Caetano Veloso serem profundamente rechaçados pelo Partido Comunista, detonados pela crítica jornalística já ocupada por membros do partido, que viam neste tipo de manifestação cultural uma típica decadência burguesa e danosa à revolução.

O trabalho de marxistas culturais que apostavam na destruição dos valores familiares e religiosos, considerados base do capitalismo, acabou se sobressaindo por vários motivos. Um deles é a própria força integradora e popularidade dessas teorias, que correspondia aos anseios de novas gerações educadas por padrões materialistas e profundamente liberais, reflexo das transformações educacionais do final do século XIX.

Reforma educacional a serviço das elites financeiras

Movidos por utopias de progresso tecnológico e uma economia inteiramente administrada, os metacapitalistas milionários, donos de fundações, que desde o século XIX se organizavam em confrarias e entidades de debates sobre o futuro do mundo, concluíram que a educação clássica e o ensino de filosofia e humanidades era inútil para o progresso técnico que almejavam. Com isso, os grandes liberais batiam de frente com os marxistas ortodoxos que pregavam o esclarecimento filosófico para a emancipação do proletariado. Havia também o temor desses grandes capitalistas em relação à promessa marxista da expropriação da burguesia, evento que culminaria na revolução socialista mundial.

Datam da metade do século XIX, as reformas educacionais que começaram a excluir ensino clássico em nome de uma educação essencialmente profissionalizante, como demonstrado no alerta do Relatório de Yale, escrito em 1828. O Relatório é um manifesto publicado pelos reitores e professores da Universidade de Yale, contra a mudança pedagógica que estava sendo proposta para a instituição. Olavo de Carvalho comenta o relatório da seguinte maneira:

Este relatório da Universidade de Yale, publicado em 1828, se não teve a intenção de ser um alerta quanto aos problemas educacionais que desafiam hoje, não só os Estados Unidos, mas o mundo todo, com certeza poderia ter sido considerado como tal. O relatório demonstra que uma mudança na orientação do ensino superior, que o faça enfocar a profissionalização antes da formação integral da pessoa, gera resultados profundamente desastrosos, tanto em âmbito pessoal quanto social. A educação só é eficiente quando está direcionada, antes de tudo, para o seu propósito real: uma educação que liberte o homem de sua ignorância. O relatório de Yale de 1828 é um documento valioso para que se compreenda isto.

Um trecho do Relatório dá uma ideia do risco já previsto em uma época na qual ainda se vislumbrava o valor do estudo acadêmico sem interesses de grandes grupos. Hoje, infelizmente, nós nem sabemos mais o que é isso:

Diminua o valor de uma educação acadêmica, e a difusão de conhecimento entre as pessoas cessaria, o nível geral de valor intelectual e moral cairia, e nossa liberdade civil e religiosa seria colocada em risco por causa da desqualificação última de nossos cidadãos para o exercício do direito e do privilégio da democracia. (Relatório de Yale, 1928).

Esta mudança educacional, por sua vez, fez com que toda a educação cultural fosse ocupada pelas revoluções subjetivas da burguesia, que já vinham crescendo como resultado do trabalho da Escola de Frankfurt e dos efeitos da macabra combinação entre marxismo e psicanálise, o que evidentemente começou a ser visto até com bons olhos pelos financistas.

Afinal, como lembra o professor Olavo, “para um milionário pouco importa se o seu funcionário faz surubas gays nos fins de semana, desde que na segunda-feira ele esteja no trabalho no horário marcado”. Além disso, gays, lésbicas ou pessoas com uma vida sexual movida por impulsos, raramente formam uma família, o que as deixa livres para o consumo e, o mais importante, o trabalho como centro de suas vidas.

Subjetivismo dá muito mais lucro do que necessidade

As economias antigas se baseavam na necessidade dos povos por recursos, a escassez e a produção um dado objetivo. As ditaduras se baseavam na utilização da necessidade humana de recursos para controlar a sociedade, como está sendo feito no caso da Venezuela, Cuba, e tem sido a receita de países como Rússia, China e Coréia do Norte. No entanto, os globalistas aprenderam a controlar o mundo de maneira bem mais eficiente.

A transformação do consumo como orientado pelo desejo, ao invés da necessidade, provocou uma gigantesca mudança no padrão de vida e na expectativa, uma transformação que migrou rapidamente para a política, orientando até direitos e deveres com base no desejo e, atualmente, até em fantasias sexuais mais bizarras. Hoje, um homem do sexo masculino pode exigir que o estado puna quem eventualmente não tratá-lo como mulher, isto é, como ele deseja ser tratado.

Essa revolução subjetiva é um dos resultados da inserção da psicanálise para o consumo, como mostra o trabalho de profissionais como Edward Bernays, na propaganda. Sobrinho de Freud, Bernays foi responsável pela difusão do trabalho de seu tio nos EUA e a criação da profissão de relações públicas, substituta da propaganda para tempos de paz. Bernays ficou conhecido por duplicar o consumo de cigarros ao associá-lo ao feminismo, fazendo com que milhares de mulheres comprassem o produto do seu cliente. Este fato serve de demonstração de como as pautas identitárias se fizeram úteis ao consumo acima de tudo.

Esquerdistas midiáticos típicos, como ativistas do PSOL, são apenas uma espécie nem tão nova: são comunistas que arrumaram um emprego. Reclamam do grande capital que o sustenta, enquanto trabalha servilmente para ele não vive sem o melhor que o capitalismo pode oferecer. São profundamente consumistas, tanto de bens fúteis quanto de direitos adquiridos, todos artigos subjetivos de seus desejos mais íntimos e hedonistas.

Já os marxistas ortodoxos se tornaram ressentidos e perdidos em meio a um mundo no qual o dinheiro comanda até mesmo a filiação ideológica. Alguns têm optado por unir-se à Rússia, China, deslumbrados como eurasianismo. Mas somente aqueles que estudaram marxismo suficiente para não acreditar na aparente benevolência das pautas diversitárias.

Mas então o que o globalismo tem a ver com socialismo mundial?

Os grandes milionários são donos de grandes bancos, emprestadores de dinheiro para países em desenvolvimento, seu alvo predileto. Interessa aos utopistas financeiros, que os países se endividem a tal ponto de necessitar recorrer ao seu dinheiro. Países endividados com os globalistas acabam cedendo a eles o controle de seus recursos, assim como o destino de suas nações.

O mundo ideal do globalismo é uma sociedade totalmente organizada para a produção industrial, tecnológica e o comércio, cujo único valor moral é a administração de recursos e a submissão a uma ideia difusa de pertencimento mundial, à aldeia global. Nem a paz mundial pode ser considerada um valor em si mesmo, mas uma necessidade submetida ao desejo de comercializar com todos e lucrar mais. Todos os valores são vistos em sua utilidade para o projeto da Nova Ordem e nenhum valor oposto a isso poderá subsistir.

Nacionalismo, cristianismo e outros inimigos

George Soros foi amigo próximo de Karl Popper, autor do clássico da geopolítica “A sociedade aberta e seus inimigos”. Com essa ideia na cabeça, Soros criou a sua Open Society Foundation, pela qual financia pautas progressistas pelo mundo, como a migração e tudo o que desconstrua as fronteiras e o poder das nações sobre seus próprios destinos.

Entre os valores inimigos dessa Nova Ordem estão, em primeiro lugar, o nacionalismo. Evidentemente, não está em jogo mais o nacionalismo histórico do século XX, que via nas nações um papel de agente histórico relacionado a raça, etnia etc. Este é o tipo de nacionalismo ainda existente na Rússia e China. Mas no Ocidente democrático, a ideia de nação passa a ser uma defesa legítima contra autoridades supranacionais, isto é, globalistas. A defesa da soberania não se confunde com ufanismo orgulhoso ou a crença numa missão sagrada global que parta de uma nação específica. Ao menos não no sentido de submissão de outras nações às utopias ou projetos nacionais específicos.

Outro inimigo mortal da Nova Ordem é o cristianismo. Há muitos motivos para isso, mas podemos resumir com o mais importante deles: assim como o cristianismo, a Nova Ordem Mundial pretende criar a solidariedade global de todos os homens à autoridade de um único organismo. Os cristãos são imunes a autoridades humanas e confiam apenas em Deus, o que passa a ser um obstáculo difícil ao estabelecimento de uma sociedade totalmente administrada.


 
 

1 thought on “Globalismo significa ditadura capitalista e liberal carregada por braços esquerdistas

  1. Exmº

    Cumprimentos.
    A sua análise é corretíssima do ponto de vista teórico e até superior .
    Mas a evolução social é hoje muito diferente da que os esquerdóides analisam .
    Em primeiro lugar a população do mundo duplicou o que fez disparar vários índices que agora não vou incluir . Por outro lado a destruição da classe operária com educação pública, gratuita e obrigatória até aos 18 anos acabou com a vossa lavagem ao cérebro .
    Ao verem esse facto dirigiram-se histericamente para as escolas do estado e tvs a proclamar a doença com 150 anos … o socialismo que ninguém quer e quem lá esteve fugiu a 7 pés !!!! ainda hoje Trump é constantemente criticado pelos doentes mentais das grandes cidades da esquerda . Ora o presidente americano foi eleito por uma força autêntica dos que ficaram sem nada na globalização selvagem . Bolsonaro no Brasil . sem dom da oratória aparece e é eleito por uma força idêntica , um país destruído com 14 milhões de desempregados , a pior crise em 100 anos !!!! com nestádios de futebol novos ??????????
    ACORDEM F,,,,,,,,,

    jmvns1@gmail.com

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