E se o atentado em Campinas fosse dentro de uma mesquita?

ARI FERREIRA AFP

O atentado dentro da Catedral de Campinas, em 11 de dezembro, foi considerado pela polícia como resultado do transtorno psíquico do atirador, um solitário recluso com histórico de depressão. Outros aspectos da sua história, porém, demonstram que ele externava profundo ódio à Igreja Católica e criticava o trabalho voluntário do pai. Mesmo assim, esses elementos não foram suficientes para enquadrar o atirador em um típico crime de ódio. Por que?

Certamente, se o atentado ocorresse numa mesquita ou em uma parada gay, a conclusão de crime de ódio nem necessitaria de investigação. Isso devido à pressão de movimentos sociais de minorias, estruturados financeiramente por movimentos internacionais para definir a narrativa de quase tudo o que acontece e deve ser pensado pela opinião pública.

Ninguém dirá que as suásticas pichadas nos túmulos, na França, seriam obra de transtornados, depressivos e reclusos solitários. Não. Trata-se de crime de ódio. E é o mesmo tipo de ódio que se dirige contra cristãos, seja ele manifestado com tiros numa catedral ou com a seletividade com a qual são interpretados. Em um país normal (nem precisa ser cristão), políticos e autoridades visitariam a catedral para prestar condolências e o fato geraria comoção nacional, campanhas contra o ódio às religiões. Mas se ocorresse numa mesquita, certamente a islamofobia lotaria nossa programação. Mas e a cristofobia que mata milhões no Oriente Médio?

Os fatos ficam sempre dependentes dos seus definidores primários, isto é, de quem tem o monopólio explicativo e os meios materiais para isso, como o acesso fácil a editores e jornalistas, além da própria presença desses definidores em redações de jornais e até em locais de decisão jurídica.

Milhares de relises de imprensa são despachados para jornais oriundos de ONGs e movimentos sociais, com seus eventos, palestras, atos públicos e “puxões de orelha” da grande mídia para que dêem atenção aos “milhares de mortos” dentro de seus recortes sociais seletivistas e identitários. Isso causa um profundo constrangimento no trabalho jornalístico naqueles profissionais que eventualmente não participem dessas causas.

O crime que matou cinco pessoas numa catedral é obviamente um crime de ódio, que foi facilmente protegido pelo fato de que esse ódio é compartilhado por grande parte dos definidores de fatos, dos donos da narrativa, que acabam determinando até mesmo o curso de investigações: ora, o crime de homofobia, por exemplo, só é classificado dessa forma por delegados ou juízes devido o barulho dos movimentos, que trabalham incessantemente para levar suas pautas a instâncias superiores do judiciário, como o STF, nos quais nem necessitam de decisão favorável. Basta que sejam mencionados, sejam objetos de debate judiciário. Isso é suficiente para classificar um tema, uma tipificação penal, como polêmica e despertar o zelo e a hesitação de juízes e delegados por todo o país.

O novo Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos, da ministra Damares Alves, propõe o fim deste identitarismo, que considera uma pauta globalista e de interesse de grandes grupos internacionais. O objetivo dessas pautas é justamente entregar aos movimentos sociais, que dizem representar a sociedade, as definições de justiça e injustiça, pois sabem que quem terá esse poder em mãos serão os grandes grupos.

Esses grandes grupos, que financiam os movimentos identitários, são os donos do capital, que querem “moralizar” a sociedade em direção à eficiência e à produtividade, bem como a economia totalitária de recursos e pessoas. Para isso é preciso ter poder sobre as legislações dos países, o que fortalecem na pressão definidora de critérios desses movimentos.


 
 

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