Problemas e interesses do movimento pelo parto humanizado

Problemas e interesses do movimento pelo parto humanizado

25/10/2018 6 Por Marlon

O tema do parto humanizado, tendência em alta no Brasil, divide opiniões. Críticos argumentam que alguns grupos transformaram a humanização do parto em algo que vai além da melhoria nas condições de parto, tornando-se uma ideologia. Entre os principais defensores estão feministas e pessoas no espectro político de esquerda, que transformam a questão em luta por empoderamento feminino. Também começa a surgir defensores da humanização em segmentos distintos e inclusive entre católicos tradicionais que veem na humanização algo mais natural, valorizando e a essência fisiologia feminina – uma alternativa contra o mvndo moderno.

A procura pela humanização pode se justificar em várias situações e realidades.

Alguns pensam no empoderamento feminino, aderindo à ideologia. Outros, sabendo de histórias de cesáreas agendadas em 37 semanas por questão de conveniência de agenda do médico, generalizam e rotulam médicos como menos humanizados. Protocolos extremamente aversivos a quaisquer riscos do parto normal também levam casais a terem receio de cair em uma cesárea desnecessária. Divergências entre protocolos de obstetras no intervalo interpartal, onde um recomenda aguardar dois anos para engravidar e outros afirmam que não é necessário aguardar sequer meses para a próxima gestação, também trazem insegurança para casais que desejam uma gestação próxima. Com a vida matrimonial iniciando-se cada vez mais tarde, cesáreas podem ser vistas como extremamente limitadoras, tanto da quantidade de filhos quanto da idade que a mulher poderá engravidar novamente. Cada casal tem seus motivos, dúvidas, receios e aspirações. A busca por um parto humanizado e uma demonização de cesáreas também é um risco pois pode gerar grande frustração e até neuroses. Não é raro vermos casos de mulheres que fizeram de tudo para ter um parto vaginal humanizado domiciliar e tiveram que fazer cesárea no fim das contas, como ilustra o caso da Maíra Charken.

Mas de onde vem e para onde vai esse movimento da humanização do parto? quem são os precursores e os principais agentes desse movimento?

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Ressalva (atualização 26.10.2018): como o título do texto indica, o foco aqui são os problemas do movimento pelo parto humanizado e não os problemas do parto humanizado. Ao focar problemas, não abordamos as vantagens e pontos positivos dessa abordagem, pois não é foco do texto. As vantagens do parto humanizado são objeto de inúmeros artigos pela internet e estou ciente das vantagens que o mesmo oferece para a mulher e o bebê. Não é objeto aqui a defesa de uma ou outra via de parto. Demos enfoque aos exageros de conduta e na ideologização, já que parecem estar sendo pouco abordados ou quando são abordados, são tratados por defensores de uma via de parto específica ou outra, polarizando o debate, o que não é o caso aqui. Como autor declaro enfaticamente que não sou defensor de cesáreas desnecessárias, tampouco opositor de alternativas para melhoria das condições de parto e combate aos abusos. Trata-se de um esforço de compreensão e não de militância ou convencimento. Um esforço de análise social e política do movimento, feito na qualidade de mero paciente, que analisa o tema há algum tempo.

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O conceito da humanização

Os debates acadêmicos mostram a presença de uma ideologia bastante forte. Artigos como o de Malheiros e colaboradores (2012) argumentam que a formação dos obstetras “tem se mostrado insuficiente diante da necessidade de tornar estes profissionais habilitados a prestar uma assistência integral de qualidade, além de humanizada”, porque “se inclinam mais para a utilização de práticas intervencionistas” e que “a formação de enfermeiros obstetras visa uma assistência de caráter mais humanizado e voltada para o respeito à fisiologia do parto”.

Trechos do artigo ainda destacam que a humanização na assistência do parto e nascimento ocorre sob a ótica da autonomia feminina:

“a concepção de autonomia é ampla e envolve abordagens sociais, éticas e políticas”.

Destacando a etimologia da palavra autonomia, os autores destacam que auto, significa próprio, e nomos, significa norma, regra ou lei. Ou seja, “evidencia a ideia de liberdade de escolha“, suas próprias regras e leis. Para estes autores, a humanização visa o “respeito à autonomia da mulher, dando condições para o empoderamento feminino” e pela aceitação do protagonismo da mulher.

O fato desse conceito ser exposto dessa forma mostra como há uma ideologia inserida no termo “parto humanizado”, em abordagens mais críticas, caindo facilmente na interpretação de que os enfermeiros ou parteiros são humanizados e os obstetras não são. Na visão do obstetra e ginecologista Dr. Raphael Câmara, “há um viés ideológico totalmente inserido no termo parto humanizado“, para o obstetra, “você tem que tratar bem seus semelhantes“, sem extremismos ideológicos.

Uma pauta de esquerda: defensores do parto humanizado consideram a pauta como parte da esquerda

Embora seja crescente o número de pessoas não posicionadas no espectro político-ideológico esquerdista que defendem o parto humanizado, tendo inclusive parteiras, enfermeiras, doulas que vem se especializando em abordagens não relacionadas aos movimentos de esquerda, a defesa do parto humanizado é vista pela esquerda como parte de suas pautas. Uma das comprovações disso foi a recente fake news gerada pelo site Jornalistas Livres, que trouxe no título “Bolsonaro coloca em risco parto humanizado no Brasil“.  A autora do texto,  que trabalha como parteira domiciliar, acredita que uma eventual retirada de grupos de esquerda do Ministério da Saúde no governo Bolsonaro representaria o fim do parto domiciliar no Brasil – portanto, um revés na pauta do parto humanizado. Contudo, não existe qualquer manifestação do partido ou do candidato acerca de uma tendência de via de parto – normal ou cirúrgico -,  por isso, tratou-se de uma afirmação baseada em meras suposições – fake news.

Contradição: o bebê sabe a hora de nascer, mas a mãe decide se ele vai nascer

Como é tradicional na corrente de esquerda e feminista a luta pelo direito ao aborto vemos algo que pode soar contraditório. Enquanto defensores do parto humanizado, reivindica-se a autonomia da mulher e o conceito de que o bebê sabe a hora de nascer. Contudo, quando falam em aborto, a mulher é quem decide se o bebê vai nascer, devido ao conceito da autonomia e empoderamento feminino, comum a ambas as correntes – parto humanizado e discurso pró-legalização do aborto.

Isso fica evidenciado na esquete feita pelo grupo Porta dos Fundos onde criticam a postura do que popularmente costumam chamar de obstetras cesaristas. No vídeo, o conhecido ator militante da campanha pró-legalização do aborto, Gregório Duvivier, faz o papel de um obstetra em um consultório médico atendendo uma gestante que deseja parto normal. O personagem obstetra ridiculariza a afirmação da mulher de que o bebê sabe a hora de nascer e tenta agendar com a paciente um parto para o 7º mês de gestação por conveniência da sua agenda de final de ano.

Outro exemplo é a abordagem de eventos como o 2º Encontro de Enfermagem Obstétrica e Neonatal da Paraíba (Eneon), ocorrido em agosto de 2018. O grupo de enfermeiras abordou no evento dois principais temas: parto humanizado e aborto. Esse último tema com palestra intitulada  “Nossos corpos nos pertencem“. Declaram que a “Associação Brasileira de Enfermagem Obstétrica da Paraíba é favorável ao protagonismo das mulheres. As mulheres decidirem sobre seus corpo” e que “não se trata de ser favorável ou não ao aborto, como prática de controle de natalidade, mas da defesa universal de saúde das mulheres”.

Convergência entre pautas pela autonomia da mulher

A relação e as contradições dos grupos que reivindicam autonomia da mulher defendendo partos humanizados e abortos não fazem com que seus discursos contenham apenas mentiras, quando se trata de debate sobre melhores condições de parto. Existem exageros e devem ser combatidos. A convergência das pautas parece ocorrer tanto por razões culturais quanto por razões estratégicas nessas agendas.

Culturalmente, feministas preocupadas com autonomia da mulher reforçam a luta e ganham espaço em ambas as pautas. No tema da via de parto eles têm obtido “vitórias” segundo seus objetivos. O mercado que se criou em cima de partos humanizados cria soluções interessantes, algumas com eficácia comprovada, outras nem tanto.

Na cartilha da Rede Humaniza SUS, do Ministério da Saúde, fala-se até mesmo em “relações de poder”, mostrando a influência marxista da argumentação, neste caso, sobre o parto domiciliar:

A casa, ao ser incluída como ambiente propício para a realização de partos de baixo risco, tem grande potencial de desmedicalização e alteração das relações de poder que incidem sobre a vida.
A relação de poder parece focar tanto a questão feminista, do protagonismo da mulher (a gestante), quanto a luta de classes entre médicos versus enfermeiras e parteiras. O termo desmedicalização no trecho acima destacado mostra a existência de um movimento anti-médico,  algo que tem sido claramente percebido por muitos médicos e também pacientes que temos conversado.

Interesses comerciais da indústria do aborto

Como destacado em artigo recente, com a narrativa da humanização cresce o protagonismo de enfermeiras, parteiras, assistentes de parto e também da mulher. Recentemente, a indústria do aborto internacional obteve sucesso em aprovar uma legislação local na Califórnia, permitindo que enfermeiros, parteiras e médicos assistentes realizem abortos. Obviamente, isso reduz o custo para os empresários do ramo do aborto legal.

A alteração legal se deu graças às pesquisas do centro universitário Bixby, da Universidade da Califórnia. O centro de pesquisa em saúde reprodutiva realiza estudos graças ao financiamento que recebe de clínicas de aborto e fundações internacionais tradicionalmente ligadas a expansão da pauta do aborto e ao controle populacional mundial. Neste estudo, o laboratório da pesquisa de campo, obviamente, foi uma unidade da clínica Planned Parenthood. Na pesquisa usada como “base argumentativa” para o projeto da lei na Califórnia, os pesquisadores compararam 11.487 procedimentos de aborto por aspiração feitos por médicos obstetras e 11.487 procedimentos de aborto feitos por parteiras, enfermeiros e médicos assistentes. Os resultados da pesquisa sustentam que o risco seria “praticamente equivalente”, o que serviu como argumento para a aprovação da lei. Assim a indústria obtém mão de obra com menor curva de aprendizagem (é mais rápido formar enfermeiros e parteiras do que médicos) e menor custo.

O estudo sobre “a instrumentalização da área da saúde pela indústria do aborto no Brasil”, publicado recentemente, mostrou que há décadas vem sendo implementada uma estratégia para lidar com as barreiras que os médicos obstetras e ginecologistas são para a legalização do aborto no Brasil. Um grande marco desse plano foi a realização do Congresso Mundial de Obstetrícia e Ginecologia Fico Rio 2018, que ocorreu de 14 a 19 de outubro de 2018. O evento deu um grande foco aos partos humanizados sem presença de médico obstetra e também ao aborto como direito das mulheres.

Empoderamento é oportunidade de negócio

O movimento pela humanização do parto também pode representar uma oportunidade de negócio. Planos de saúde não cobrem parto humanizado domiciliar. As parteiras e enfermeiras passam a ser protagonistas, junto com a gestante, na cena de parto. O custo de um parto humanizado e/ou domiciliar pode chegar a duas ou até três vezes mais do que o valor que um obstetra cobra por uma cesárea ou parto normal em hospital – em algumas cidades.

Os obstetras que se engajam na valorização do parto humanizado facilmente se tornam referência e ganham muitas indicações. Com agendas lotadas, consequentemente valorizam o seu serviço, cobrando mais por prometer tentar um parto vaginal humanizado. A procura por obstetras adeptos do parto humanizado, que prometem tentar parto normal (afinal, nenhum deles pode garantir isso) acaba sendo uma forma de casais terem mais conforto emocional, pois avalia-se que como o médico é adepto dessa linha, um eventual desfecho cirúrgico será por real necessidade. Alguns obstetras também dividem as consultas de pré-natal com a equipe de parto (enfermeiras, parteiras etc) – a agenda do médico agradece. Nem sempre porém, obstetras que anunciam serem adeptos do parto humanizado, tem um percentual de cesárea muito baixo.

Assim, ficam algumas perguntas: se o percentual de partos normais de um médico da linha da humanização for o mesmo dos médicos que não falam em humanização de parto, teria a humanização servido mais como marketing do que como mudança na conduta? O obstetra que não aborda a temática da humanização, mas trata os pacientes de forma humana e profissional estaria apenas perdendo a oportunidade de melhorar seu marketing (e preço) com adesão do discurso da humanização? Estaríamos diante de uma gourmetização ou uma grife do mercado de parto?

Violência obstétrica

O termo “violência obstétrica” aparece como justificativa tanto para a humanização quanto para aumento do poder das doulas, parteiras e enfermeiras na cena do parto.  Violências obstétricas de fato podem ocorrer e devem ser combatidas, mas dentro desse contexto de tantos interesses, também existem exageros no uso do termo.

Na rede pública, o risco passa a ser maior quanto a conduta de forçar parto normal, como destaca uma história real no site da UFRGS. Acredita-se que a conduta de hospitais públicos forçarem parto normal ocorre prioritariamente por questões de custos, o que exporia partos à riscos desnecessários e pode retirar o direito da mulher escolher a via de parto, pois algumas desejariam ter o bebê por cesárea. Existem depoimentos de mulheres que perderam o bebê em hospitais públicos porque aparentemente, recusou-se completamente o recurso da cesárea.

Neste ponto muitos abortistas e pró-vidas concordam e se juntam contra a violência obstétrica. Contudo, vemos as lutas e interesses sendo feitas por grupos específicos. O site Plano Feminino destaca no título de um artigo: Violência obstétrica e legalização do aborto são lutas diárias das mulheres, confirmando o alinhamento entre pautas por parte desses grupos. Em pesquisas sobre a questão do aborto, por diversas vezes visitei sites de ONGs abortistas que falavam nesses dois temas – liberação do aborto e fim da violência obstétrica.

Conforme destaca a Febrasgo (Federação Brasileira de Associações de Ginecologia e Obstetrícia), existem muitas distorções do que deve ou não ser considerado violência obstétrica.

Comumente, mulheres e casais durante o pré-natal se informam ou recebem diferentes orientações sobre o que é violência obstétrica e “como se prevenir dos médicos violentos“. Neste quesito um pouco de relativização e terrorismo pode gerar o caos, uma definitiva luta de classes entre médico x paciente, médico x doula, médico x marido.

Qualquer um que pesquise no google sobre a lista de condutas consideradas violência obstétrica verá que existem diferentes listas, cada site, desde blog a sites de entidades formais, apresentam diferentes interpretações. A episiotomia, por exemplo, segundo a Febrasgo, pode ser necessária em 10 a 15% dos casos de partos para evitar danos ao bebê e à gestante, portanto, não se pode dizer que toda episiotomia é uma violência obstétrica – mas alguns dizem que é uma violência em todos os casos. No site da Febrasgo destacam:

“…tem de ter critério, não se pode manifestar ideias irresponsáveis compradas, de um modo geral, por certas ativistas que muitas vezes agem de maneira passional e com pouca racionalidade para análise crítica dessas questões”, adverte César Eduardo Fernandes.

Interessante notar que a Febrasgo não faz parte do grupo de entidades avessas às narrativas e posturas progressistas e da humanização do parto, mas mesmo assim, apresenta aparente dificuldade com as relativizadas interpretações e posturas de militantes sobre o que é ou não é violência obstétrica.

Alguns críticos alegam que a luta contra a violência obstétrica e pela humanização do parto deixou de ser apenas uma preocupação com a garantia de uma boa técnica médica e um atendimento humano, passando a classificar praticamente todas as atividades do obstetra na hora do parto como violência obstétrica. Com isso, igualam a função do obstetra com a função de um enfermeiro. O resultado óbvio dessa igualdade é a oportunidade de se retirar a necessidade de um obstetra para o parto e nisso existem grandes interesses.

Ao vermos que também há uma tendência de se reivindicar a não participação de obstetras na “cena de aborto”, nos Estados Unidos, reforça-se a perspectiva de que haja sim um interesse maior por traz de toda essa pauta, o que não significa dizer que a pauta em si não tem suas verdades e justificativas em diversas reivindicações.

Em muitos casos, o marido, um familiar ou a doula ficam um atendimento humano, p ao lado da gestante com uma lista de possíveis atos de violência obstétrica em sua memória, advindas dos mais diferentes sites que pesquisou o tema na internet, atuando como fiscal do trabalho do médico. Embora tenham se informado, são leigos no assunto e podem facilmente interpretar de forma incorreta alguma conduta necessária que o médico faça, criando um clima de tensão. Uma atitude que pode reprimir a ação do médico, gerar um constrangimento desnecessário – tudo isso em um momento crítico, que envolve risco de vida, e que o médico deve ter foco e atenção aos procedimentos.

A luta pela redução das cesarianas

Um dos grandes argumentos em torno da questão da humanização do parto é o combate as cesarianas desnecessárias. Monitorando o percentual de partos cirúrgicos em relação aos partos normais um grande movimento pela redução desse percentual tem sido realizado. Em 2015, a Justiça Federal determinava que profissionais da saúde na rede particular deveriam receber três vezes mais quando auxiliassem um parto normal, em medida para estímulo da redução das cesáreas

O dr. Raphael Câmara, obstetra do Rio de Janeiro, destaca:

“Algumas pessoas querem me colocar como cesarista, o que é uma mentira. O que eu defendo é o direito da mulher escolher, dentro do que é possível fazer. Se a paciente quer o parto vaginal, isso deve ser tentado o máximo possível. É isso que defendo. Agora se a mulher quer uma cesárea ela tem que ter o direito dela também. Mas eu não me refiro ao serviço privado, porque em hospital privado ela vai ter a cesárea se ela quiser. Eu estou falando do serviço público.”

O monitoramento do percentual de cesáreas pode ser consultado no site da ANS, para convênios. Ao analisar a lista rapidamente vemos que a maioria traz altos percentuais de cesáreas, mas alguns trazem o inverso, como tendo apenas 7% de cesáreas. Já no SUS, segundo o Ministério da Saúde, em 2017 houve 58% de partos normais.

Quem nunca ouviu uma mulher dizer que vai pedir cesárea porque não quer sentir dor? Em geral, verifica-se que em hospitais privados o índice de cesárea é superior e pode se explicar, em parte, porque as gestantes pediram uma cesárea – a cesárea eletiva. Por outro lado, há médicos que se preferem de fato priorizar cesáreas por motivos pessoais, gosto pessoal ou conveniência, o que precisa ser deixado as claras, como destaca o Dr. Raphael Câmara:

“É um direito do médico fazer uma cesárea, mas ele tem que avisar isso na primeira consulta. Eu falo isso com tranquilidade porque eu nunca na minha vida fiz um parto particular. Em toda minha carreira sempre trabalhei na saúde pública. Nunca ganhei 1 centavo com cesariana e já fiz muito mais parto normal do que cesariana. Na minha atuação, não há o fator financeiro influenciando a decisão. Por outro lado, o médico que promete tentar parto normal tem que fazer de tudo para isso. Mas ele promete tentar, porque não pode garantir que o desfecho será parto vaginal. Muitos obstetras que habitualmente prometem tentar parto vaginal acabam tendo uma taxa de cesárea normal – a mesma taxa de médicos que não prometem tentar por uma via ou outra.

A minha sugestão aos pacientes é checar a taxa de parto vaginal do médico antes. Isso tem disponível na ANS, o que é uma coisa muito boa, e se não for plano de saúde, o paciente pode perguntar ao médico.”


Referências:

Malheiros, Alves, Rangel, Vargens, 2012. Parto e nascimento: saberes e práticas humanizadas. Texto Contexto Enferm, Florianópolis, 2012 Abr-Jun; 21(2): 329-37.