BBC Brasil cita Estudos Nacionais sobre “disputas ideológicas” no parto e Congresso Figo Rio 2018

BBC Brasil cita Estudos Nacionais sobre disputas ideológicas no parto e Congresso Figo Rio 2018

BBC Brasil elabora reportagem baseada em artigo do site Estudos Nacionais. A reportagem foi replicada pelo G1, UOL, Terra e outros sites e teve foco na apropriação feita pela esquerda no tema da “humanização de parto”, polêmicas em congresso de obstetrícia e o alinhamento da pauta da humanização do parto com a da legalização do aborto no Brasil por alguns grupos.

A reportagem da BBC traz o título “Como disputas ideológicas no país chegaram ao parto”. Inicialmente cabe destacar que é uma interpretação errônea ou simplista dizer que a polarização política entre conservadores e esquerdistas adentrou nas salas de parto. O que foi destacado é que a esquerda considera o parto humanizado uma de suas pautas, tomou parte das organizações e eventos do tema e muitas vezes inclui a defesa da liberação do aborto em seus eventos. Também foi destacado em meu artigo, com citações de artigos acadêmicos e outros documentos de autores de esquerda, que o conceito de humanização de parto tem base ideológica de esquerda e feminista. E isso foi inclusive confirmado na reportagem da BBC por uma das entrevistadas. Mas conservadores não são contrários à  humanização do parto, nem defensores da cesárea (cesaristas), de modo que não há “parto de direita”. E é bom que não haja. Denunciar a instrumentalização ideológica nesse tema não é ser de direita.  Denunciar uma ideologia não é ter uma ideologia oposta – nem tudo nesta vida é polarização ideológica. Isso é um raciocínio binário típico de analfabetos funcionais ou de militantes profundamente engajados na causa. O fenômeno precisa ser estudado sem militância e esse foi o objetivo do artigo de outubro de 2018.

A reportagem da BBC Brasil também apresenta um trecho entre aspas ao falar do artigo publicado no Estudos Nacionais, mas esse trecho entre aspas não existe, não estava no artigo.  A reportagem da BBC traz a frase: “Um congresso organizado pela Abenfo-PB foi citado no texto “Problemas e interesses do movimento pelo parto humanizado”, publicado no Estudos Nacionais, como um exemplo de uma “excessiva autonomia da mulher” que seria prejudicial ao bebê – nas entrelinhas, no caso de um aborto.” Aqui ocorreu uma significativa imprecisão com o uso indevido de aspas pela reportagem da BBC, pois não há no texto publicado no Estudos Nacionais esses termos. Trata-se de uma interpretação da jornalista da BBC.

É curioso que a reportagem da BBC omitiu uma referência que fizemos no texto sobre a existência de grupos conservadores de doulas que defendem o parto normal e humanizado. Essa omissão contribui para reforçar a narrativa de uma polarização entre direita e esquerda nas vias de parto.  Este é exatamente o expediente dos defensores do parto humanizado que pretendem torná-lo monopólio da esquerda, jogando a cesárea para a direita. Isso se encaixa no objetivo de alguns grupos em criar uma imagem de que pessoas de direita seriam “menos humanizadas”.  É a mesma conduta feita por muitos defensores do parto humanizado que aderiram à ideologia e chegam a defender expressamente que médicos seriam menos humanizados do que os demais profissionais de suporte no parto (parteira, doula e enfermeira). Um automatismo com fundo ideológico que favorece uma ideia de luta de classes.  Mas onde fica a ciência e a preocupação com o ser humano? É exatamente isso que era criticado no artigo publicado em outubro de 2018.

A reportagem da BBC também destacou as polêmicas apresentadas pelo Estudos Nacionais acerca do Congresso Mundial Figo Rio 2018 e críticas feitas por outras instituições contrárias ao aborto. Para a reportagem, as críticas não teriam considerado o fato do congresso ter “participantes do mundo todo” e “não tratar exclusivamente de temas brasileiros”. Contudo, as críticas foram detalhadas em extensos artigos e a própria página do congresso mundial Figo, quando anuncia a realização do curso “Tecnologias em aborto” destaca que o mesmo se justifica diante do cenário de possíveis mudanças legislativas na América Latina, visando capacitar fornecedores do serviço de abortamento.

Para melhor compreensão dessa problemática recomendo a todos que leram a reportagem elaborada pela BBC Brasil a leitura do o artigo do Estudos Nacionais citado pela reportagem.


 
 

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