Revolução das comunicações, decadência do conhecimento

 

No tempo da Internet e da revolução das comunicações, só se fala em futuro e nos fins. Os meios pouco importam. Hoje podemos afirmar que vivemos na Era dos Fins, onde tudo transcende o infalível bem que o fim oferece, sendo ele sempre um fim mais plural, mais múltiplo, menos exclusor. 

O falacioso Império das Imagens possui focos em todos os lugares e precede o intangível conhecimento da linguagem dos símbolos, remetendo ao início da cognição humana. Mas tal império não pode ser entendido como tendência mundial. É coisa brasileira e tem causa imediatamente relacionável com a história dos períodos políticos e sociais do país, enfim, tem a ver com a nossa histórica e tradicional falta de educação.

O brasileiro prefere as imagens às letras, pois é um analfabeto. Possui discernimento, no máximo, para diferenciar o que lhe convém diretamente ou o que lhe prejudica aparentemente. Isso, é claro, baseado em suas motivações fisiológicas como um cão que sabe diferenciar um pedaço de carne de uma pedra, simplesmente por este último não representar nenhum interesse para a sua sobrevivência.

A sociedade dos fins não se importa, portanto, com os meios. A pesar disso, discute, opina e informa aos seus semelhantes sobre a importancia dos mesmos para o futuro da humanidade. Discute-se os fins e os meios mas ninguém fala dos princípios. Havendo bons princípios, hão de serem utilizados sempre bons meios e alcançados invariavelmente bons fins. O problema que envolve a discussão dos fins e meios é justamente a falta absoluta de princípios.

Na comunicação, seja ela de qualquer natureza, os símbolos e ideogramas estão presentes nos mesmos meios onde a falta de conhecimento impera. Onde não há educação nem apreço ao saber, o jeito é se comunicar com desenhos e formas geométricas. Então os intelectuais acadêmicos da semiótica brasileira, confinados em seus campi revolucionários, dizem aos quatro ventos que os princípios foram e devem ser esquecidos em nome do pragmatismo epicurista-marxista que eleva a prática acima da teoria como se esta devesse refletir aquela e não o contrário.

Mas hoje a prática sobrepoe-se à teoria e os fins justificam os meios. Em um mundo onde culto à imagem superpõe a leitura e entendimento profundo dos conceitos humanos, aqueles que transformaram o Ocidente e criaram a civilização que conhecemos, os fins só podem estar próximos e a deturpação dos nossos valores através desses meios destrutivos é obra de intelectuais orgânicos de Antônio Gramsci.

As idéias libertárias e revolucionárias se aproveitam da fantasia dos empresários que sentem orgasmos ao ouvir notícias boas e supostos avanços tecnológicos, sem perceber que tais avanços na maioria das vezes podem estar trabalhando para a decadência da sociedade. A Internet e a elouquencia dos meios de comunicação nas questões morais é um claro exemplo disso. Mas fiquemos otimistas e esperemos que não haja mais espaço para piorar.

Escritor, Jornalista e pesquisador de mídia, mestre em Jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Autor do livro “A Transformação Social: como a mídia de massa se tornou uma máquina de propaganda (Estudos Nacionais, 2016)” e colunista no site Estudos Nacionais e um dos fundadores da RádioVox. Colaborador do site Mídia Sem Máscara e aluno do filósofo Olavo de Carvalho desde 2009.
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