Psicólogos apartidários e a cura gay

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Embora as eleições passadas tenham representado uma mudança de rumos para o Brasil, os brasileiros sensatos ainda encontrarão muitas dificuldades com os insensatos. Entendo por sensatos os que têm amor pelo Brasil e querem o bem de todos e por insensatos aqueles que visam interesses partidários e ideológicos, que o povo demonstrou ser incompatíveis com o pensamento brasileiro, e até defendem o quanto pior melhor, para eles claro, criando fatos ou fake news para assustar e atemorizar as pessoas.

Em todos os ambientes os partidários e ideológicos continuarão atuando para defender seus interesses. Exemplo disso são os partidos que deixaram de assinar a Constituição, foram contra o Plano Real, deixaram o país com 23 milhões de desempregados, defendem a cultura da morte dos bebês em gestação e agora boicotam a posse do presidente Bolsonaro. Parece que essas pessoas não conseguem entender que o Brasil é de todos os brasileiros e não somente de alguns, e que todos são iguais perante a lei, conforme preconizado no artigo 5º da Constituição da República.

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Nos ambientes dos conselhos das profissões regulamentadas por lei, a permanência dos partidários e ideológicos é visível e tormentosa. Nalguns conselhos, os profissionais já conseguiram apear os insensatos, como no CREMERJ – Conselho Regional de Medicina do Rio de Janeiro, com a chapa 5 – Reconstruir, e no CREMESP – Conselho Regional de Medicina de São Paulo, a chapa 6, Apartidária. Alguns diretórios acadêmicos também trocaram de mãos. O mais significativo é o da Unb – Universidade de Brasília, onde a chapa apartidária Aliança pela Liberdade venceu as outras.

No Conselho Federal – CFP e nos Conselhos Regionais de Psicologia CRPs a situação não é diferente. Os insensatos continuam lá, entoando palavras de ordem, tipo Lulalivre. O presidente do CFP viajou para a Venezuela para apoiar o tirano Nicolas Maduro, que conseguiu a façanha de afastar cinco milhões de venezuelanos pela opressão ditatorial e pela fome. O liame político do CFP e CRPs está estampado na exigência estapafúrdia de “estar em dia com suas obrigações militares e eleitorais” contidas no artigo 8º, inciso III, da Resolução 16/2018. A OAB – Ordem dos Advogados do Brasil exige somente que o profissional esteja ativo e em dia com as anuidades.

Em razão dessa situação anômala, política e ideológica, surgiu o MPA – Movimento dos Psicólogos em Ação, com a meta de reconstruir os conselhos de psicologia, fazendo-os retornar para as suas finalidades precípuas de proteger os direitos dos psicólogos, que estão sendo perseguidos, e dos pacientes, que estão sendo impedidos de procurar os profissionais para resolver seus desconfortos pessoais.

O CFP baixou a Resolução 01/1999 para proibir que a psicóloga Rozangela Justino atendesse às pessoas que a procuravam com dúvidas sexuais. E, maldosamente, os insensatos a apelidaram de defensora da cura gay. A Resolução 01/1999 para atingir Rozangela foi estendida para todos os demais, que também não poderiam aceitar consultas desses pacientes, a não ser que os induzissem a continuar na homossexualidade. Rozangela Justino teve sua credencial profissional cassada e sofreu perseguição implacável, a ponto de ter de fechar o consultório e sair disfarçada com óculos, roupas e perucas que impedissem sua identificação.

Depois dela, outros profissionais foram perseguidos por palestrar e explicar qual a ideia de ideologia de gênero: Adriano Lima, que até teve visita de jornalista disfarçado, e Patrícia Teixeira. Todos foram obrigados a apresentar defesa administrativa e até jurídica, para poder continuar a exercer a profissão.

Em razão das defesas apresentadas, nos processos administrativos e nas ações judiciais movidas, o Conselho Federal refez a Resolução 01/1999, que passou a ser a Resolução 01/2018, agora com novas restrições e nomenclaturas, abarcando transexuais, travestis e outras construções mentais de sexualidades. Esta nova resolução proíbe até a ministração de palestras sobre a disforia de gênero, nome técnico do problema pessoal.

A opressão causou descontentamento na grande maioria dos profissionais e provocou o surgimento do MPA, com os objetivos de eliminar as resoluções que prejudicam ou impedem, ilegalmente, o trabalho dos psicólogos, restabelecer os princípios científicos que devem orientar as ações do organismo, reorganizar e buscar melhorias para a profissão, promover a defesa da vida e da família, bens essenciais e inalienáveis da pessoa humana e respeitar os direitos dos pacientes, de serem atendidos quando assim entenderem necessário, garantindo-lhes os direitos previstos na Constituição Federal.

Os psicólogos Rozangela Justino, Adriano Lima e Deuza De Avellar, apoiados por inúmeros profissionais, sob os motes “o CRP não me representa” e “psicologia apartidária – sofrimento humano não tem partido nem ideologia” criaram uma frente nacional para enfrentar os políticos e ideológicos aboletados no Conselho Federal de Psicologia e nos Conselhos Regionais.

Com o apartidarismo, querem livrar os conselhos dos vínculos com partidos políticos e suas ideologias. E liberar os psicólogos para que promovam novos e muitos estudos científicos e os divulguem a todos os demais.

Como aconteceu nos casos dos Conselhos de Medicina do Rio de Janeiro e de São Paulo e na Universidade de Brasília, os psicólogos também estão em luta para afastar os insensatos que conduzem os conselhos focados em interesses políticos e ideológicos.

A perseguição ao atendimento das pessoas com disforia de gênero ou de qualquer outro tipo de desconforto pessoal, pertinentes à profissão do psicólogo, deve ser eliminada, liberando-se todos os profissionais para atenderem a quem os procurar.

Sob pena de violação da Constituição Federal, os conselhos não podem impedir os pacientes de serem atendidos pelo profissional que escolherem, seja na advocacia, na medicina ou em qualquer especialidade profissional, para auxiliá-los na melhoria de suas vidas.

Publicado originalmente em Advogados Biagini.


 
 

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