Olavo e Bonifácio: perseguidos pela mediocridade brasileira

Rafael Nogueira

A campanha contra Olavo de Carvalho é menos inédita na história do Brasil do que parece. Tem pelo menos dois aspectos originais: (1) trata-se de um estudioso, não de um militar, nem de um político proeminente; (2) a quantidade e a intensidade dos ataques é muito desproporcional à posição que ocupa. Mas esse tipo de união monstruosa entre covardia, burrice, ingratidão e crueldade não é novidade.

Todos sabem que sou um patriota otimista. Mas sempre guardo comigo certa precaução ao expor meu amor à pátria. Amo o Brasil, sei que o povo brasileiro é majoritariamente bom, mas sei também que suas elites têm sido, desde há muito tempo, uma oligarquia de incapazes invejosos conduzindo tontos ingratos.

Foi assim com Bonifácio. O homem que nos deu a pátria foi afastado do poder por picuinhas políticas que se aproveitaram de certas fragilidades de caráter do Imperador. Ele estava, justamente, fazendo o que Olavo indica que se deve fazer: afastando os inimigos das posições de poder. Não conseguiu fazê-lo a tempo, e quando saiu do governo, assumiu seu cargo na Constituinte, de onde foi afastado até o exílio.

Seu exílio não foi à moda Jean Wyllys. Ele foi preso pelas Forças Armadas da época, ficou mais de um dia trancado, já idoso, sem banho nem comida, e mandado de navio para a morte no estrangeiro, de onde escapou por um triz. No exterior, dirigiu ao Brasil e seus poderosos palavras fortíssimas, marcadas pelos sentimentos de tristeza, inconformismo com a ingratidão e pessimismo.

Nove anos depois, depois de cicatrizar algumas feridas, perdeu sua esposa. Abalado e deprimido, ainda foi magnânimo a ponto de voltar a confiar no Brasil e de perdoar d. Pedro I. Este, sofrendo por seus erros e com enorme impopularidade, chamou de volta para o centro dos acontecimentos o velho mestre e amigo, nomeando-o tutor de D. Pedro II.

A reconciliação entre a pátria e o seu fundador parecia fato consumado, quando nossa fantástica elite resolveu promover uma campanha aberta de destruição completa de José Bonifácio, que já tinha quase 70 anos.

Todo dia, falavam mal de Bonifácio na Câmara, em panfletos e nos meios onde as fofocas circulavam. Tentaram lhe retirar o cargo, e conseguiram aprovação na Câmara, por 45 votos contra 31. Mas Senado não aprovou, por apenas um voto.

Com as palavras mais duras e injustas possíveis (como se fosse o homem mais perigoso do mundo para o pequeno imperador), um político-padre, que tinha mais filhos do que o próprio Bonifácio, fazia de tudo para Bonifácio renunciar de seu posto. De novo, sem sucesso.

Enfim, depois de dois anos de esforços difamatórios e caluniosos, os boatos de crimes que Bonifácio teria cometido serviram para que ele fosse denunciado à Justiça. Bastava ser investigado criminalmente, para o título de tutor do futuro imperador perder a validade. Bonifácio negou cumprir a ordem.

Quando um batalhão do Exército estava na frente do Palácio atrás de Bonifácio, ele resolveu sair para não pôr em risco o príncipe e os infantes.

O que disseram, triunfantes, os vermes invejosos e incapazes? “Demos com o colosso em terra!”

Eis uma faceta sombria do Brasil, amigos. Os seus benfeitores são celebrados pelo povo (Bonifácio tinha seus “adeptos”, que eram chamados de bonifácios, e o povo lhe deu nas ruas o epíteto de Patriarca da Independência), mas são sempre desafiados pelos anões morais, pelos imbecis, pelos inimigos da pátria e pelos sedentos de poder, pelo poder, que tomam por missão de vida a destruição dos gigantes.

É para isto que se unem as nulidades a atacar Olavo de Carvalho: para celebrarem juntos, em suas orgias, gritando, no português vulgar dos estúpidos deste século, algo como “Demos com o colosso em terra!”. E mais uma vez será o Brasil a cair por terra de novo.

A diferença a favor do Olavo é que ele é excelente professor, e muitos “olavetes” foram por ele diretamente formados, enquanto Bonifácio era homem de estudo e de ação, mas péssimo professor. Só podia ser, mal e mal, imitado de longe pelos bonifácios. O professor será defendido e honrado, com ascensão, queda ou afastamento da política, porque não está nela o coração de sua obra, está nas inteligências.

Elas estarão sempre prontas a foder com tudo. E o curso desse processo já não se pode mais conter.


 
 

2 thoughts on “Olavo e Bonifácio: perseguidos pela mediocridade brasileira

  1. Campanha contra Olavo? Hehehe… Um sujeito que não entende bem o que lê com uma projeção dessa… tá é bão!

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