Project Syndicate: o oráculo de George Soros

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Cristian Derosa e Alex Pereira

Na democracia, em tese, todo o poder emana do povo, que o exerceria por meio da livre opinião diante dos rumos da política. A opinião pública torna-se, assim, a legítima expressão da liberdade de consciência no sistema democrático. Logo, não é possível estabelecer um governo mundial sem uma espécie de opinião pública global, de onde partem as reivindicações e demandas das nações por meio de um falso ambiente de livre opinião.

Foi pensando nisso que o megainvestidor globalista George Soros fundou a Open Society, da qual faz parte a centralização da opinião batizada com o nome de Project Syndicate. Trata-se da concretização do velho sonho dos intelectuais que desde o final do século XIX chamavam a atenção para a tamanha imprudência de se deixar os rumos globais para as bocas famintas e imprevisíveis das massas alienadas. Como recomendava Walter Lippmann, em 1922, “as opiniões devem ser organizadas para a imprensa e não pela imprensa”.
Totalmente ausente dos estudos científicos de comunicação e das acadêmicas análises de discurso, o Project Syndicate é a maior associação de colunistas de opinião do mundo, formada pelos donos do poder, o que inclui toda a elite globalista da velha Sociedade Fabiana e outras lideranças políticas e intelectuais. A influência desse órgão de propaganda no conteúdo dos grandes jornais do mundo é evidente, já que ele distribui artigos de opinião para veículos de comunicação de mais de 59 línguas diferentes, em 154 países e nos 492 jornais mais influentes do mundo, atingindo um total de tiragens de mais de 78 milhões de exemplares.

O Project Syndicate foi fundado em 1994 em Praga, República Tcheca, considerada a capital internacional da espionagem. O projeto faz parte da Open Society, a rede de ONG’s criada por Soros logo após a queda do bloco socialista no Leste Europeu. O apoio de Soros à organização Carta 77, encabeçada pelo amigo e então dissidente do governo comunista, Václav Havel, favoreceu a escolha da cidade como quartel general de muitas organizações da Open Society.

Segundo o Media Research Center, o império midiático de Soros atinge mensalmente cerca de 330 milhões de pessoas pelo mundo. Talvez seja a maior rede de homogeneização de opiniões de toda a história do jornalismo. A Fundação Open Society fundou ao menos 180 organizações de mídia, dedicadas a implantar a agenda globalista. Estima-se que Soros gastou US$ 24 milhões para tentar derrubar o presidente Bush em 2004. Mas isso não é nada perto dos US$ 8 bilhões já doados por Soros aos projetos da sua própria “sociedade aberta” nas últimas décadas.

sorosgfA fundação de Soros financia a criação e a manutenção dos mais variados grupos esquerdistas ligados à comunicação como a Free Press, uma ONG que quer a implantação da regulamentação da mídia e recentemente promoveu uma campanha contra o colunista conservador Rush Limbaugh. As ligações de Soros com os maiores meios de comunicação dos EUA, como The New York Times, Washington Post, the Associated Press, CNN e ABC, além de jornalistas de renome e influência na opinião pública internacional, são mantidas por meio desta infindável rede de comunicação.

Para se ter uma ideia da influência do Project Syndicate na circulação de opiniões, basta citar alguns de seus colunistas: o próprio Soros, Tony Blair, Peter Singer, Mikhail Gorbachev, Ban-Ki-Moon, Kofi-Annan, Jimmy Carter, Richard Haass, presidente do Council Foreign Relations (CFR), além dos intelectuais Umberto Eco e economistas como Joseph E. Stiglitz, Jeffrey D. Sachs e presidentes do Parlamento Europeu. Entre os brasileiros, ninguém menos que o nosso garoto propaganda da liberação das drogas, Fernando Henrique Cardoso e o ministro das relações exteriores, Antônio Patriota.

A política e a opinião pública
Jürgen Habermas se referia à esfera pública como a instância de legitimação da política, através da qual as ações públicas se justificam e dizem representar. Isso torna o seu controle uma necessidade para todo e qualquer movimento que ambicione a hegemonia das consciências. Mas tanto Habermas, enquanto membro da Escola de Frankfurt, quanto os engenheiros sociais do seu tempo, já não acreditava tanto nas potencialidades da democracia enquanto esfera de decisões populares. Isso fez com que crescesse nestes pensadores a noção da necessidad do controle das consciências para levar a sociedade aos rumos adequados conforme os melhores ideais.

Essa democracia utópica permanece como símbolo auto-justificador na mente das massas, enquanto os intelectuais e políticos detém os meios que possibilitam as mudanças reais e por eles planejadas. Walter Lippmann, o idealizador do CFR, recomendava:

“Minha conclusão é que, para serem adequadas, as opiniões precisam ser organizadas para a imprensa e não pela imprensa como é o caso hoje. Essa organização eu concebo como sendo em primeira instância a função da ciência política, que ganhou seu próprio lugar como formuladora, previamente à real decisão, em vez de ser apologista, crítica, ou reportando após a decisão ter sido tomada. Tento indicar que as perplexidades do governo e da indústria estão conspirando para dar à ciência política esta enorme oportunidade para enriquecer-se e servir ao público”.(Public Opinion, 1922)

O filósofo, jornalista e professor Olavo de Carvalho chama a atenção para a evidente uniformidade da mídia ocidental nas últimas décadas. A opinião, segundo ele, aparece através das notícias e não mais em editorias de opinião dos jornais. Isso porque a verdadeira opinião, a única opinião realmente livre, é a que vem de cima, dos próprios detentores dos meios de ação que servem de oráculo à interpretação dos fatos noticiados. Uma infinidade de estudos de psicologia social foi realizada para que a coisa chegasse a este ponto, dando origem às técnicas de controle social para a manutenção de determinados padrões de julgamento e interpretação.

Grande parte das notícias atuais não busca meramente informar, mas fornecer uma base aparentemente factual às opiniões geradas previamente pelos engenheiros sociais. É fácil perceber que o viés sempre esteve na seleção dos fatos, mas o que ocorre hoje é a uniformização dos enquadramentos das notícias ditada pelo que Stuart Hall chama de “definidores primários”, isto é, aqueles que definem o ângulo dos fatos ao gerarem, eles próprios, os acontecimentos e as suas abordagens pré-fabricadas.

O mais impressionante de tudo isso ainda é o fato de ninguém mencionar a existência do Project Syndicate, nem na mídia, nem em estudos acadêmicos ou pesquisas institucionais, embora o Project seja simplesmente a fonte opinativa mais consultada e mais influente do mundo.

Escritor, Jornalista e pesquisador de mídia, mestre em Jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Autor do livro “A Transformação Social: como a mídia de massa se tornou uma máquina de propaganda (Estudos Nacionais, 2016)” e colunista no site Estudos Nacionais e um dos fundadores da RádioVox. Colaborador do site Mídia Sem Máscara e aluno do filósofo Olavo de Carvalho desde 2009.
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