Por que existem campanhas como setembro amarelo, outubro rosa, novembro azul

Agora, elegeu-se o mês de setembro como mês da prevenção ao suicídio. Todos os anos existe o Outubro Rosa, Novembro Azul, entre outros. Mas o que faz com que se faça tanta publicidade com campanhas de prevenção a doenças como estas? O cidadão comum tem a impressão de que há uma onda global de benevolência e filantropia, com o fim de ajudar e proteger as pessoas. Na verdade, trata-se de campanhas de agendamento de pensamento, um tipo de engenharia social que nos diz o que pensar em determinados períodos. É claro que, nesses meses, pensamos sobre outros assuntos. Mas nossa mente estará preparada para encarar aqueles temas elencados como os mais relevantes frente a qualquer outro. Mas quem está por trás disso?

Isso aconteceu devido a mudança no padrão da função dos meios de comunicação ditos informativos. O jornalismo deixou de ser informativo para enfatizar a transformação social (conforme apontei no livro A Transformação Social: como a mídia de massa se tornou uma máquina de propaganda). Com o advento da internet, o bolo publicitário das empresas jornalísticas teve que ser dividido. Empresas menores puderam padronizar seus ganhos somente pela internet. Mas as maiores ficaram mais tempo ancoradas no modelo de negócio ligado ao jornal impresso e, durante a década de 1990, tiveram que buscar novas fontes de financiamento. A primeira opção era um setor que vinha crescendo, o Terceiro Setor: as ONGs (Organizações Não-Governamentais). As ONGs são conhecidas por militar por causas diversas. Há uma ONG para cada causa. Mas esse setor enriqueceu com a doação de milionários como Bill Gates, Fundação Ford, Rockefeller e, mais recentemente, Mark Zuckerberg. Esses são os nomes que estão, de fato, por traz daquilo que você encara como prioridade de pensamento quando se baseia no critério midiático, seja impresso e tradicional ou de internet, em nossos dias.

Escritor, Jornalista e pesquisador de mídia, mestre em Jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Autor do livro "A Transformação Social: como a mídia de massa se tornou uma máquina de propaganda (Estudos Nacionais, 2016)" e colunista no site Estudos Nacionais e um dos fundadores da RádioVox. Colaborador do site Mídia Sem Máscara e aluno do filósofo Olavo de Carvalho desde 2009.
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