Sendo Politicamente Incorreto

Sendo Politicamente Incorreto

22/11/2018 0 Por Lucas Almeida

O século XXI poderia ser denominado o “século da frescura” ou do “mi mi mi”. Nos dias atuais, a opinião tornou-se – quase – um insulto. Muita gente se vitimiza, se ofende etc.

A perseguição aos membros do “Politicamente Incorreto” acontecem em todas as áreas da vida social – trabalho, universidade, igreja, redes sociais, família etc . Grosso modo, somos perseguidos pelos novos libertários da humanidade, ou das novas “pessoas do bem”.

Acadêmicos, jornalistas, ativistas de minorias e artistas são os maiores responsáveis pelo “apedrejamento midiático” dos Politicamente Incorretos. Nessa lógica, carreiras e relacionamentos são destruídos. E, um breve pedido de desculpas, não há.

É sabido que qualquer tipo de discriminação deve ser combatido, seja por motivo de sexo (para a “militância do bem”, é gênero), cor, raça ou religião. No entanto, não nos esqueçamos, que essas “pessoas do bem” criam ONGs e movimentos sociais para destruir carreiras, reputações e ganhar as manchetes midiáticas, além de arrecadar muito dinheiro de fundações e partidos políticos.

Por exemplo, o Movimento #MeToo – que “combate o assédio” – é um dos representantes da hipocrisia Politicamente Correta, no qual uma das representantes – atriz – foi acusada de assédio sexual contra um jovem de 17 anos. Nesse sentido, intelectuais e artistas francesas criticaram o movimento, como subserviente “aos interesses dos inimigos da liberdade sexual, dos extremistas religiosos, dos piores reacionários e daqueles que acreditam em uma concepção substancial do bem e da moralidade […]”. Eu jurava que a Revolução Sexual ia resolver os problemas da humanidade, pois estava libertando-a da opressão patriarcal, capitalista e cristã.

Concordo com o filósofo Pondé, ao afirmar que o Politicamente Correto é uma praga. Deveria ser combatido e exterminado do debate público, pois muitas vezes os temas debatidos na mídia e nas universidades são meros discursos camuflados e fingidos para evitar o mal-estar das novas “entidades do bem”.

Na campanha política ficou claro as distorções e os xingamentos referidos aos apoiadores do candidato Jair Bolsonaro, por representarem o atraso e o atentado à democracia – o atual Presidente da República sofreu (sofre e sofrerá) com a patrulha politicamente correta do establishment cultural. Nas eleições, a esquerda, como sempre auxiliando nas pautas “reivindicatórias” do politicamente correto. Qualquer humano que discordasse da “democracia petista” – roubaram milhões – era rotulado de: fascista, nazista, reacionário, homofóbico, racista, sexista, dentre outros adjetivos.

Para finalizar este – breve – artigo, abordo algumas frases “Politicamente Incorretas”, com a certeza de que – em breve, não duvide – poderão ser consagradas em lei e gerar punição aos “engraçadinhos que ousem citá-las publicamente”.

Lei nº 1. Crime de homofobia. Quem cantar a Marchinha de Carnaval “Cabeleira do Zezé” será preso. Pena: 1 a 5 anos de reclusão.

  • Olha a cabeleira do Zezé / Será que ele é? / Será que ele é? / Olha a cabeleira do Zezé / Será que ele é? /Será que ele é?

Lei nº 2. Crime de racismo. Qualquer pessoa que dialogar amigavelmente com um colega, ou familiar afrodescendente será preso. Pena: 1 a 10 anos de reclusão.

  • Fala negão, como vai?

Lei nº 3.  Qualquer diálogo com uma mulher – a não ser com o consentimento prévio da mesma – resultará em crime de assédio sexual ou misoginia. Pena: 5 a 10 anos de reclusão.

  • Oi, gatinha! Tudo bem?
  • Oi, linda! Quer sair comigo?
  • Eu conheço a história do futebol brasileiro. Você deveria estudar mais, Fulana. Infelizmente, você não entende muito de futebol.

Neste momento, Ser um Politicamente Incorreto torna-se uma necessidade. Resistir e não aceitar essa forma de linguagem é essencial para compreendermos nossas dúvidas, nosso mundo e as pessoas que nos cercam. Isto é essencial, pois ao deixarmos o Politicamente Correto habitar em todas as esferas da nossa vida perdemos – totalmente – a percepção da nossa identidade, do nosso “eu”.

Em suma: sempre desconfie dos representantes da causa Politicamente Correta, pois eles colocam-se acima do bem e do mal. Sem pecados, sem máculas. Talvez mais cristãs que o próprio Cristo.

 

Notas

ALMEIDA, L. R. S. de. O politicamente correto e o Brasil. In: ALMEIDA, L. R. S. de. Viva o Brasil! : reflexões sobre empreendedorismo, marketing, cultura, cotidiano, política e educação. – João Pessoa, PB : IFPB, 2018. Disponível em: <http://editora.ifpb.edu.br/index.php/ifpb/catalog/book/95>. Acesso em: 22 nov. 2018 (adaptado).

Asia Argento admite relação sexual com Bennett: ‘Ele disse que tinha 18’. Disponível em: <https://veja.abril.com.br/entretenimento/asia-argento-admite-relacao-sexual-com-bennett-ele-disse-que-tinha-18/>. Acesso em: 22 nov. 2018.

Nous défendon une liberté d’importuner, indispensable à la liberté sexuelle. Disponível em: <https://www.lemonde.fr/idees/article/2018/01/09/nous-defendons-une-liberte-d-importuner-indispensable-a-la-liberte-sexuelle_5239134_3232.html>.

PONDÉ, L. F. Guia politicamente incorreto da filosofia. São Paulo: Leya, 2012.