Sem diferença ideológica, PT e PSDB se dividiram pelo poder

“PT e PSDB nunca se juntaram por disputa de poder, não por disputa ideológica”, disse o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, em entrevista à Folha de São Paulo, nesta quarta-feira (7/03), no Youtube do jornalista  Fernando Grostein Andrade.

“O PT tentou caracterizar o PSDB sempre como de direita. E não é verdade”, disse. “Agora abriu espaço para uma direita reacionária”. O ex-presidente afirmou, ainda, que gosta de Fernando Haddad (ex-prefeito de São Paulo pelo PT) e que ele é “uma pessoa correta”. Haddad é cotado como um dos candidatos que o Partido dos Trabalhadores pode lançar em substituição a Lula. Na entrevista à Folha, FHC se autointitulou “completamente liberal” no que chamou de “matéria de costumes”. “Acho que a diversidade tem que ser respeitada. O pessoal da direita reacionária não acha isso. E querem punir. Está errado! É perigoso”, opinou.

Não é novidade que FHC considera Lula “um grande líder”. Em 1993, Fernando Henrique apresentou Lula aos grandes investidores, pertencentes à elite econômica global, ocasião em que foi firmado o Diálogo Interamericano, pacto entre as esquerdas norte-americana/européia e a latino-americana para a cooperação no continente. A história foi descoberta e contada inicialmente por José Carlos Graça Wagner e registrada em detalhes no livro O eixo do mal latino-americano e a Nova Ordem Mundial, de Heitor de Paola, publicado em 2008.

O pacto entre elite econômica e o Foro de São Paulo

O Foro de São Paulo foi fundado em 1990, por Fidel Castro e Lula, como um comitê estratégico regional para fortalecer os partidos e organizações de esquerda, objetivando a chegada e manutenção do poder nos países do bloco continental. Já o bloco econômico é composto de diversas entidades globais, como por exemplo Clube Bilderberg, grupos como os Elders (do qual FHC faz parte, junto com Mandela, Kofi Anan e outros), além da elite das Nações Unidas, Unesco, Unicef e suas Ongs pelo mundo. As duas facções da esquerda mundial possuem diferenças, mas em 1993, reuniram-se para unir esforços pelos objetivos comuns.

Graça Wagner contou essa história em um e-mail aos congressistas brasileiros, em 2001:

[Em 1993] estavam presentes, nessa reunião, 112 organizações de esquerda de toda a AL [América Latina], além de observadores convidados de organizações de esquerda de outros continentes. Era o seu IV Encontro Internacional. A primeira, tinha sido quando da fundação em São Paulo, no Hotel Danúbio, nos inícios de 90, logo após a vitória de Collor sobre Lula, como estava previsto que deveria ser feito, se isso acontecesse, desde uma reunião em 8 de janeiro de 89, em Havana, também publicada no “Paraíso Perdido”, com a presença de Fidel, de Lula, Frei Beto, (atual assessor de Lula, residindo no Palácio do Planalto), de José Genoino, (atual presidente do PT), e do jornalista [Ricardo] Koscho, (atual assessor de imprensa do presidente Lula). A finalidade, nessa ocasião, era fixar as estratégias para as eleições nos países do continente, que iriam se realizar desde dos fins de 93, no México, até as eleições de inícios de 95, na Argentina, num total de 14. Estavam presentes, nesse IV Congresso, as organizações guerrilheiras e toda a cúpula do PC cubano, inclusive, logicamente, Castro, bem como toda a cúpula internacional do PT, com Lula à frente e, naturalmente, Frei Beto, que é o único que fala, praticamente de igual para igual, com Castro.

Após a vitória de Lula, em 2002, houve uma sucessão de vitórias dos partidos de esquerda em diversos países do continente, chegando ao domínio quase completo da esquerda latino-americana. Nada disso teria sido possível sem a ajuda do bloco financeiro da elite econômica progressista, comandada de dentro do Partido Democrata, nos EUA, que é submetido a grupos ainda mais internos de milionários e fundações filantrópicas que há décadas estão comprometidas com causas ligadas ao controle dos recursos mundiais (ecologia), da reprodução humana (controle populacional, aborto).

A esquerda latino-americana, por sua vez, tinha a função de apoiar as causas das elites milionárias que, em última análise, deseja submeter estados nacionais à autoridades supra-nacionais, como a ONU, Unesco, Unicef, entre outras. Este objetivo, embora em certa medida oposto ao do bloco econômico (já que as ditaduras latino-americanas visam certo fechamento econômico e político) auxilia a esquerda regional a ampliar a “integração” do continente em direção ao sonho da “pátria grande”, uma espécie de “União das Repúblicas Socialistas da América Latina” e realizar o objetivo declarado do Foro de São Paulo que era o de “restaurar no continente americano o que foi perdido no Leste Europeu”.

Informações: Folha de São Paulo e Boletim da liberdade

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