Não é Fake News: Universidades estão criando disciplinas chamadas ‘Golpe de 2016’

Não é Fake News: Universidades estão criando disciplinas chamadas ‘Golpe de 2016’

01/03/2018 0 Por Marlon

Universidades federais como a UFBA, UFAM e a UnB criaram disciplinas específicas sobre o suposto golpe de 2016. Iniciativas complementares, como livros e produção acadêmica também têm sido utilizados como forma de recaracterizar o fracasso do governo petista e os crimes de responsabilidade praticados, como sendo um golpe e perseguição política.

UFBA – Bahia
A disciplina criada chama-se “Tópicos especiais em história: o golpe de 2016 e o futuro da democracia no Brasil” e é ofertada pelo departamento de História da UFBA.

UFMA – Amazonas
A UFMA também criou a disciplina no departamento de História, abordando tópicos como “Golpe de Estado, corporativismo e o legado autoritário da Era Vargas”, “Golpes e contragolpes no breve período democrático (1945-1964)”, “O golpe civil-militar de 1964”, “O golpe de 2016: autoritarismo, perda de direitos e reação conservadora”, e será oferecida pelo professor César Augusto Balbolz.

Em nota ao site Manaus de Fato, o professor da disciplina na UFAM não aborda em específico o afastamento de Dilma mas sim, faz uma avaliação do governo Temer e do contexto político atual. Critica a Reforma Trabalhista e da Previdência e o crescimento das posturas conservadoras no Brasil, citando os protestos diante da “performance” realizada no MAM/SP e os protestos contra visita de Judith Butler. Pela nota do professor, têm-se a sensação de que seria a performance do governo Temer que se caracterizaria um golpe e não o processo em si de afastamento da presidente pelos crimes de responsabilidade.

revista estudos nacionaisOutra iniciativa relacionada é o lançamento do livro “O Golpe na Perspectiva de Gênero”, organizado pelo Centro de Estudos Multidisciplinares em Cultura da UFBA, publicado pela Editora da UFBA, contendo ensaios de diversos autores que analisam o afastamento de Dilma Rousseff. Segundo resenha da editora da universidade, “o livro destaca como o processo histórico de inserção das mulheres ao espaço político tem sido marcado por uma dinâmica de avanços e retrocessos” e também os “impactos da reforma trabalhista e previdenciária para as brasileiras”, sendo “um convite à reflexão sobre gênero no Brasil”.

Entre as autoras do livro estão ex-ministras de Dilma,  Nilma Lino Gomes e Eleonora Menicucci, uma senadora do PCdoB-AM além de professores e uma vereadora do PSOL-RJ.

A partir dessas iniciativas se vê novamente um movimento de caracterização da história do Brasil em viés político-partidário e ideológico. Possivelmente, diante de dificuldades em argumentar contra o processo de afastamento de Dilma Rousseff, o foco dessas disciplinas e publicações têm sido mais político do que histórico, tratando mais o desempenho do Presidente Temer do que o “Golpe” em si.


Informações:

UFBA vai oferecer disciplina ‘Golpe de 2016 e o futuro da democracia no Brasil’

Editora da UFBA – edufba.ufba.br – “O Golpe na Perspectiva de Gênero” será lançado nesta terça-feira (01/03)

Vermelho.org – UFBA e UFAM também criam disciplina sobre o golpe