A direita cresce a olhos vistos

Já não é possível negar. As redes sociais são de direita. A esquerda treme e tenta, por meio do aparato político, conter a maré e impor censura, mas ao que parece, as consciências não estão ao seu alcance.

Um relatório publicado no início de março pela ePoliticSchool (EPS), mostra que o número de interações (curtidas e compartilhamentos) em páginas de direita chegou a 14,7 milhões no período, mais que o dobro dos 7,1 milhões registrados em páginas de esquerda. A pesquisa, realizada em 150 páginas de influenciadores, mídia, políticos e partidos, apontou também que 60,5% dos fãs das páginas analisadas eram ligados a correntes de direita.

O relatório fornece uma importante fonte de observação da evolução dos debates no Brasil, principalmente em um momento de ferrenha luta política que se inicia nas redes e acaba despontando para o mundo real.

Apesar de toda a tentativa de caracterizar os opositores da esquerda como militaristas, autoritários, fascistas ou disseminadores de ódio, o número de pessoas que se identificam com rótulo da direita ou conservadores tem crescido no Brasil, principalmente entre os mais jovens.

A única maneira de negar isso é fechando os olhos, como a maior parte da mídia tem feito. No entanto, a matéria recente do Estadão não deixa dúvidas para aqueles que precisam do aval da grande imprensa para acreditar em alguma coisa.

A mudança no padrão de posições políticas no Brasil está sendo impulsionado pelas redes sociais, a partir dos protestos que crescem desde 2013, no país, e culminaram com o Impeachment, em 2016. Longe de ser um movimento exclusivamente virtual, essa nova direita questiona a hegemonia da esquerda construída ao longo das últimas décadas e que abrange a cultura, o meio intelectual e consequentemente a política. Essa direita identifica claramente a corrupção do sistema político à presença histórica de movimentos e políticos de esquerda.

Principalmente entre os mais jovens, cresce um interesse por conhecimento das causas do problema e das possíveis soluções. O fato mais relevante apontado pelas pesquisas nas redes sociais é justamente a perda da vergonha de se dizer de direita ou conservador, em um país onde o termo direitista sempre foi facilmente relacionado a fascista e até nazista, devido a hegemonia cultural da esquerda.

Movimentos que se dizem conservadores surgem inicialmente com o anti-petismo, evoluindo a posturas liberais e por fim conservadoras, motivadas por um outro movimento em direção a um retorno da espiritualidade cristã, em correntes mais conservadoras e tradicionais, que também defendem uma mudança na feição atual da Igreja Católica no Brasil, histórica apoiadora da esquerda e uma das instituições por trás da fundação do PT.

Leia o relatório completo da EpoliticSchool

OBS.: Evidentemente, utilizamos aqui os termos direita e esquerda de modo mais genérico e um ângulo de visibilidade de maior abrangência possível para fins de demonstrar uma evidente tendência.

 

Escritor, Jornalista e pesquisador de mídia, mestre em Jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Autor do livro “A Transformação Social: como a mídia de massa se tornou uma máquina de propaganda (Estudos Nacionais, 2016)” e colunista no site Estudos Nacionais e um dos fundadores da RádioVox. Colaborador do site Mídia Sem Máscara e aluno do filósofo Olavo de Carvalho desde 2009.

0 respostas

Deixe uma resposta

Want to join the discussion?
Feel free to contribute!

Deixe uma resposta