Outubro Rosa: silêncios sobre riscos da mamografia

 

A dita preocupação com o câncer de mama de campanhas como o Outubro Rosa tem feito um silêncio ensurdecedor sobre os riscos da mamografia. Assim como o que acontece com o câncer de próstata, os exames que prometem prever o câncer trazem estatisticamente mais riscos do que benefícios. No entanto, campanhas como essa lucram milhões com o medo que geram na população.

Entre as iniciativas de grupos como o Inca (Instituto Nacional de Câncer) está a difusão de informações sobre a doença e os modos de prevenção, informando que o Sistema Único de Saúde (SUS) garante a oferta gratuita de exame de mamografia para as mulheres brasileiras em todas as faixas etárias. Mas e os conhecidos riscos deste tipo de exame?

Há muitos artigos científicos que tem influenciado a recusa de médicos em pedir tal exame. Segundo pesquisa publicada no periódico British Medical Journal, a exposição à radiação pode elevar em até cinco vezes as chances de mulheres jovens com uma mutação nos genes responsáveis por controlar a supressão dos cânceres de mama e de ovário desenvolverem a doença.

De acordo com pesquisa de Harvard, sistema de triagem pode detectar cânceres que não provocariam sintomas ou mortes e levar mulheres a tratamentos desnecessários em até 20% dos casos

  • A mamografia tem vários pontos negativos, incluindo os resultados falsos positivos, falsos negativos, o uso da radiação ionizante (que pode provocar câncer) e o fato de que as mamografias não têm impacto visível sobre as taxas de mortalidade
  • Um estudo recente refuta o uso da mamografia como uma ferramenta importante na prevenção do câncer, afirmando que ela não tem nenhum impacto sobre as taxas de mortalidade e causa mais danos às mulheres do que as ajuda.

Segundo o Dr. Mercola,

“para cada 1.000 mulheres que não fazem mamografias, 5 delas morrem de câncer de mama. Para cada 1.000 mulheres que não fazem mamografias, 4 delas morrem de qualquer maneira.

A diferença entre os dois grupos é de 20% (a diferença daquela uma pessoa salva no grupo da mamografia cuja vida foi salva). No outro lado da equação, de cada 1.000 mulheres que fazem as mamografias de rotina durante a vida:

  • METADE recebe um resultado falso positivo. Portanto, embora elas NÃO tenham câncer, cerca de 500 a cada 1.000 mulheres que fazem mamografias sofrem o terror do diagnóstico do câncer de mama
  • 64 fazem biópsias, que podem ser dolorosas e apresentam riscos de efeitos adversos

10 fazem tratamento para o câncer que, na realidade, NÃO é câncer, incluindo cirurgias de mutilação, drogas tóxicas e radiação. Tanto a cirurgia quanto a quimioterpia e radioterapia são perigosas e morrer tratando um câncer que você não tem é uma tragédia dupla”.

A dra. Lucy Kerr dá 10 bons motivos para NÃO se fazer uma mamografia.

Leia um dos estudos brasileiros sobre o tema

Campanhas como Outubro Rosa e Novembro Azul aproveitam-se de uma neurose tipicamente moderna

Todos os anos é a mesma coisa. Chega outubro e somos bombardeados de informações sobre câncer de mama. O movimento começou em 1990, com o objetivo de conscientizar para o perigo da doença, isto é, amedrontar a população e recomendar toda sorte de exames preventivos. A iniciativa deu resultado. Nunca se fez tanto exame preventivo periódico, muito embora a doença não tenha retrocedido um milímetro. A realidade do câncer existe e precisa, de fato, de informação para o tratamento. Mas quando se fala em prevenção, é importante termos em mente algumas coisas que não têm, em si, muito a ver com medicina, mas que nos afetam inevitavelmente todos os dias.

Vivemos uma neurose médica como nunca houve, fruto de um modo de vida atribulado e aterrorizado, mas, principalmente, de uma consciência do real fragmentada em recortes abstratos, sem os quais seria impossível acreditar na comunidade médica ou na indústria farmacêutica do modo como acreditamos. A verdade é que o exame preventivo possui riscos, assim como qualquer exame, que devem ser pesados e confrontados com o risco real da doença. No caso do câncer de mama, o exame da mamografia, há alguns anos, não vem mais sendo recomendado periodicamente, como antes. Isso pouco é falado pelas campanhas tão preocupadas com a doença.

O cúmulo da mentalidade moderna é muito bem representado pela atitude de celebridades como Angelina Jolie, que mutilou os próprios seios devido o medo de desenvolver câncer de mama. 

O caso do Novembro Azul deixaremos para o próximo mês, mas apresenta o mesmo tipo de riscos, que só podem ser justificados por sentimentos de medo e horror à doença. Em um mundo no qual a doença tem quase que um valor moral, não pode haver coisa mais horrível do que o sofrimento e a doença, verdadeira vergonha alheia, já que se tornou comum culpar o doente por seus males, resultados de hábitos detestáveis e pouco “conscientes”.

Engajamento midiático

O motivo de tanto engajamento da mídia para questões de prevenção, como Outubro Rosa, é o financiamento feito pelo Terceiro Setor, as ONGs, que desde o advento da Internet, passaram a substituir as grandes empresas no custeio da publicidade das grandes empresas de mídia. Já que as fundações milionárias estão por trás, não mais somente das grandes empresas, mas das grandes ONGs, as causas são mais caras que os produtos e os jornais precisam, anualmente, mostrar serviço que justifique o seu sustento.

 

Escritor, Jornalista e pesquisador de mídia, mestre em Jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Autor do livro "A Transformação Social: como a mídia de massa se tornou uma máquina de propaganda (Estudos Nacionais, 2016)" e colunista no site Estudos Nacionais e um dos fundadores da RádioVox. Colaborador do site Mídia Sem Máscara e aluno do filósofo Olavo de Carvalho desde 2009.
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