OLAVO DE CARVALHO, O BEZERRO DE OURO. POR RENÃ POZZA SILVA

OLAVO DE CARVALHO, O BEZERRO DE OURO. POR RENÃ POZZA SILVA

“É um grande sinal de mediocridade elogiar sempre moderadamente” – Gottfried Wilhelm Leibniz (1646-1716).

Resumão estilístico (eles costumam escrever pior ainda, diga-se de passagem) dos processos correntes no tribunal da Anta inquisição:

Verdade deve ser dita: Olavo de Carvalho incentiva a adoração em torno dele. Apresenta-se sempre como um messias salvador da pátria. Orgulha-se de seus palavrões e assim conquista uma multidão de seguidores bobos que o veneram tal como a um taumaturgo realizando prodígios aos montes por onde passa. Diz que não gosta de ser bajulado, mas ao primeiro sinal de discórdia persegue, estraçalha e dilacera numa frenesi diabólica o mais pobrezinho de seus alunos. Ao mesmo tempo, contraditoriamente, condena o “sentimento de grupo”, o qual diz nós brasileiros sermos reféns, mas trata seus admiradores como membros de uma verdadeira seita, obrigados a apoiá-lo e curvar-se à sua vontade sempre, a qualquer custo, certo ou errado. Prega contra a Nova Ordem Mundial, porém, exalta os EUA, país mais controlador do mundo, que, certamente, retomando o caminho da força bruta, montará o império do terror sobre a Terra — Hiroshima e Nagazaki estão aí para provar. Aos seus fiéis e cegos discípulos, só me resta a pena de quem se deixa levar por tão grotesco embuste.

Já me estendi demais tentando não me estender. Acima temos, condensadamente, o âmago de todas as loucuras diárias lançadas ao prof. Olavo de Carvalho, que ele tem de administrar pacientemente para não cair na mais obscura insanidade. É o estratagema 5 de Schopenhauer em “Como Vencer um Debate Sem Precisar ter Razão”. Começa com premissas absolutamente falsas — que o espectador ignora– levando a platéia a tirar conclusões partindo de tais premissas, seguido de um argumentum ad hominem (usar uma afirmação do autor contra ele, fora do contexto), e, no final, ainda tira da cartola um reductio ad absurdum (pega algo atribuído ao autor, verdadeiro ou não, e inventa consequências nefastas e mirabolantes).

Pois bem, agora vemos Olavo sendo chamado de “guru do Bolsonaro”. Os alunos que levam a sério a vida de estudos, sabem que ele sempre repugnou ser a “bandeira da direita”, um “guru espiritual” ou qualquer espécie do tipo. Se há debi&lóides que enxergam e utilizam seu nome assim, com certeza não é por sua iniciativa.

O problema desta nova geração surgindo, muito melhor que a geração passada – devido à era da informação, povo saturado de mentiras, catástrofes e caos como resultado etc. -, é o que já percebíamos, víamos e esperávamos mais pela frente anos atrás. É tanta acusação, tanta calúnia e, infelizmente, tanta demência entre os próprios ditos “alunos” do Olavo após sua surpreendente popularização, que pessoas boas, com potencial e inteligentes caem no engodo.

Para não parecerem idólatras, tem que sempre haver um “mas”. – “O Olavo é bom, MAS ele não é infalível.” – “Eu gosto do Olavo, MAS ele não é o dono da verdade.” – “Olavo de Carvalho é foda, MAS ele não é o responsável por esta mudança que vem acontecendo no Brasil, esta conscientização crescente.” – “Confesso que o Olavo é importante, MAS ele não é católico; ele fala mal do Papa”.

Meus caralhos, que veadagem sem fim!

Adivinhem, seus porra: OLAVO DE CARVALHO TEM DEFEITOS. Nossa, que incrível, né? Nunca conheci alguém com defeitos antes. E há coisas que vais gostar e outras não nele. É o normal. Anormal seria se não fosse assim.

Em geral, a galera do “MAS” são divididos em dois: (1) independência intelectual: amava o Olavo, queria sentar no colo dele, falava dele direto, mas, num belo dia, descobriu, do nada, que não deve nada a ele, que sem ele teria evoluído igual, que é coisa de imaturo ou retardado gostar tanto de um professor assim. Não se deve confiar nele, porque tenho espírito livre e mesmo 99% das coisas que ouvi dele, indo estudar por mim mesmo, confirmei serem verdades, digno de confiança ninguém é. Só eu. (2) Os “gosto dele, mas não o idolatro”: provavelmente pertencem a algum grupo social onde há aqueles que inibem os leitores do Olavo de cara já com um “mas tu não é um daqueles olavettes sem noção que acredita em tudo que ele fala, né?”. Por falta de personalidade, deixam de aprender muito mais; por medinho de virarem chacota, não apreciam como poderiam uma vasta obra que é uma verdadeira epopéia de conhecimentos aparentemente inacessíveis, a qual temos a sorte de, por ter surgido um sobrevivente em meio à imbecilidade nacional, desfrutar.

Eu não preciso sempre que aprecio algo em alguém, para não parecer puxa-saco, falar mal também. Não sei quem foi o maldito que criou isso no Brasil, mas nos faz muito mal. Não sabemos apreciar a grandeza de outrem. Inconscientemente, isto é inveja e recalque.

Não é possível ser culto hoje ignorando a obra do maior intelectual brasileiro do século XXI. Amando ou odiando ele. Seria o mesmo que pretender falar de Inglaterra no século XX ignorando Tolkien, Chesterton ou Churchill; entender de teatro e ignorar Shakespeare; dar aula de literatura brasileira e ignorar Machado de Assis. Não faz sentido. Eu não ignoro a obra “Os Donos do Poder” só por que foi escrita por um socialista.

O fato é o seguinte: realmente há intelectuais sérios no Brasil que não tiveram formação com o Olavo; mas mesmo esses devem admitir, por honestidade, que não teriam o mínimo espaço se não fosse ele. Contra factum non argumentum est, dizia Santo Tomás de Aquino.

“Pelos frutos os conhecereis”, disse o Logos Divino: filmes e livros sendo lançados; editoras traduzindo livros jamais imaginados antes; políticos (pasmem!) que entendem de política; jornalistas se infiltrando na mídia suja e limpando o rabo dela; cursos de Latim, Grego antigo, Filosofia, História; conferências e congressos reunindo jovens e adultos de diversos lugares com o objetivo de realmente aprender, em uma busca faminta e sedenta de verdade; escultores talentosos recuperando a essência artística; a renovação positiva de psiquiatras, músicos e tutti quanti. Todo um leque de plantas que estão crescendo em meio à burrice e canalhada universal. Tudo vindo de alunos do prof. Olavo de Carvalho.

Termino este meu pequeno texto com uma profecia:

Ainda nem começamos. São pouquíssimos os rendimentos. O repertório ainda é minúsculo. Mas não começamos este trabalho, a dedicação à vida intelectual, para eleger um presidente. Nunca foi a finalidade e continua não sendo. Décadas se passarão. Lotaremos as livrarias; espalharemos a mentalidade de amor à sabedoria e à verdade incansáveis por todos os cantos: igrejas, mídias, conferências; expulsaremos até o último charlatão das cátedras universitárias; a Igreja voltará à sua vocação e razão de existir como Mãe e Mestra, com sacerdotes que saibam o que estão ensinando; o debate público em alto nível será reacendido; filhos amarão o conhecimento pelo exemplo dos pais; a caridade retornará e prevalecerá.

Iniciei com uma frase de Leibniz e a trago novamente: “É um grande sinal de mediocridade elogiar sempre moderadamente”.

Ninguém nos déte!

Acostumem-se: VIEMOS PARA FICAR.

 


COMENTÁRIO DO EDITOR DO BLOG.

Lembro-me como se fosse hoje quando, na sala dos professores na universidade onde eu lecionava, um colega me pergunta se era de direita. Respondi calmamente: “Não. Sou aluno do Olavo de Carvalho”. Não que o silêncio tenha se feito, mas os olhares e atenção à minha resposta, em meio as conversas, não foi algo difícil de perceber. Enquanto estive na faculdade, pude ver muitos fazendo pouco caso do professor Olavo de Carvalho, afetando desprezo e superioridade. Mas como poderiam sentir desprezo diante de alguém que não liam, que no fundo não conheciam nem queriam conhecer? Conhecer é ir fundo e não somente ler alguns posts, artigos e mesmo um ou dois livros. Se os ataques se direcionavam a pessoa do Olavo, nada mais justo esperar que viesse de quem o conhecia em profundidade. Mas simplesmente não queriam o conhecer, nem seus trabalhos.

Esse desprezo pelo Olavo era, no fundo, um desprezo por si mesmos, que não podendo se desfazerem de suas frágeis personalidades sem com isso entrarem num dilema existencial profundo, eram obrigados a atacar a fonte que remotamente os fazia relembrar quem eram.

Até agora não apareceu ninguém que faça uma objeção profunda, intelectual e honesta aos seus trabalhos, mas abundam em número oceânico seus detratores.

Renato Emydio