Censura no Facebook: briga de rua e a casa que não é sua

Fica evidente que o establishment começa a aquecer motores para a corrida presidencial

Nas últimas horas, mais de 180 páginas de conteúdo político identificadas à direita do espectro ideológico, bem como centenas de perfis pessoais, foram simplesmente excluídas da rede social Facebook. O fato surpreende, mas era previsível. Ninguém precisa ser um especialista em política ou redes sociais para saber da lista de arbitrariedades do “FB” contra produtores de conteúdo direitista de todas as partes do mundo. A imprudência dos direitecas brasileiros quanto ao fato é que é mesmo escandalosa.

Ao que me parece, o pessoal que trabalha para a rede social de Mark Zuckerberg no monitoramento da direita tapuia em seus hábitos de consumo, informações pessoais, padrões de comportamento,discurso, e reações às pautas quentes da mídia mainstream, considerou que já possui material suficiente para suas análises, e, então, decidiu apertar o cerco. Um aperto que está só começando. No que se refere à política, 2018 está só no início, e desconfio que terminará bem depois de 2019. Como coincidência pouca é bobagem, Jair Bolsonaro reclamou, exatamente na manhã de hoje, do aumento de publicações de factóides a seu respeito. Fica evidente que o establishment começa a aquecer motores para a corrida presidencial. E o fusquinha da direita terá de fazer milagres.

Que ninguém esqueça que a força do golpe do inimigo foi gerada pela própria direita. O Facebook se tornou uma das principais (e poucas) armas de liberais e conservadores na divulgação de material concernente ao debate político, mas… é casa dos adversários. A mesma situação se repete em outra mídia, da qual não custa se preparar para más notícias de natureza similar: o Youtube. No Facebook brasileiro, repete-se, hoje, o que tem sido feito na Europa: cala-se quem não se alinha com sua agenda e a de seus comparsas. Ou esqueceram de Jean Wyllys dizendo que tinha “parceria” com a rede social? E que tal lembrar dos inúmeros críticos europeus das políticas de imigração da União Européia, que tiveram no Facebook a arapuca na qual caíram nas mãos de uma elite política criminosamente “multiculturalista”?

Sei que precisarei esclarecer que não sou contra o uso das redes sociais no debate político. Mas que se evoque o tal “senso prático” também para criar outras alternativas, canais e estratégias. Até para que a eficácia de um futuro boicote esteja assegurada. Pois a dependência simplesmente imprudente e absurda de redes sociais alinhadas com a esquerda e com globalistas denota, de forma inegável, o quão verdes estão, para a real disputa do poder, os opositores ao establishment no Brasil.

E há um problema anterior e mais grave: a sujeição psicológica ao “FB” que sedizentes protagonistas da disputa política notoriamente preservam. Uma massa de inteligentinhos encabrestados no Facebook tal qual boa parte do povão com as novelas da Globo. E passíveis de ouvir Mark Zuckerberg bradar o que eles mesmos alegam quando leem, em suas próprias páginas, comentários que consideram dignos de serem apagados: “minha casa, minhas regras!”. Afinal, ninguém é obrigado a participar do Facebook. E a porta da rua ainda é a serventia da casa. Pouco importando inclinações políticas.

“Política é briga de rua”, bem observou David Horowitz. Quem estiver esperando uma disputa com árbitro criterioso e regras claras, que não saia de casa. Pois certamente não entendeu o que está se passando nos dias de hoje, sobretudo no Brasil.

(Por Edson Camargo.)

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