As “midterms”: notas sobre as eleições nos EUA

Primeiro, um assunto decisivo para os próximos pleitos: o Facebook, ou o que fazer com ele. Uma rede de páginas conservadoras com 1,5 milhão de seguidores foi tirada do ar 24 horas antes da eleição. Vale aí salientar que não foi uma página, foi uma rede inteira de páginas americanas, incluindo a conta pessoal do fundador, Addison Riddleberger, de 21 anos, que gastou 25 mil dólares em anúncios para consolidar o amplo alcance do projeto. Mesmo afirmando que se submeteu à política facebookiana de divulgação de notícias, tudo foi pelo ralo. O episódio confirma, mais uma vez, as observações que fiz no comentário “Censura no Facebook: briga de rua e a casa que não é sua“.

*

Sandra Cohen, do portal G1, está viajando na maionese. A oposição tinha a obrigação de ganhar as eleições que ocorrem no meio do primeiro mandato de um presidente. É assim desde 1929. Os democratas venceram, mas a tal “onda azul”, mesmo propalada por milhões e milhões de dólares, de fato não aconteceu. Pelo contrário: no Senado, ampliou-se o domínio republicano, e os injustos ataques ao novo juiz da Suprema Corte, Brent Kavanaugh, parecem ter pesado na decisão dos eleitores.

É por isso que Donald Trump celebra a vitória, enquanto Sandra Cohen afirma que ele “terá que se curvar ao centro”. Balela. O recado dado horas atrás vai em outra direção: “Se os democratas pensam que vão desperdiçar dinheiro do contribuinte para nos investigar no nível da House, também seremos obrigados a considerar investigá-los por todos os vazamentos de informações sigilosas, e muito mais, no nível do Senado. Esse é um jogo a ser jogado a dois!”

Na verdade, os republicanos estão até a fazer piadas com o resultado: pautas decisivas, como a política externa e a nomeação de novos juízes para a Suprema Corte não recebem influência alguma da “House of Representatives”, o equivalente americano à nossa Câmara dos Deputados.

*

Indo além: é inegável a eficiência do agendamento de ações políticas por parte da esquerda: não é estranha a aparição da caravana de imigrantes, e o respectivo alarde midiático, com todas as acusações típicas do establishment globalista contra Trump, exatamente durante a campanha para o Congresso americano?

Fica claro, mais uma vez, que, mesmo com a credibilidade muito desgastada, a mídia esquerdista sempre acaba por moldar o debate político americano, reservando-se a ala à direita, quase sempre, o papel dos “reativos”. Após tudo o que se descobriu sobre o Deep State dos EUA durante a campanha de 2016, com a participação de grandes nomes do Partido Democrata em crimes escabrosos, e levando em conta ainda um governo de péssima memória como foi o de Barack Obama, fica difícil entender porque os republicanos não exploraram mais esse possível enquadramento da discussão para a campanha. Um erro, sem dúvida alguma.

*

Do Texas, temos o grande derrotado democrata: a campanha milionária de Beto O’Rourke não foi suficiente para tirar a confiança da maioria dos eleitores em um dos mais fortes nomes dentre os republicanos, Ted Cruz.

*

Do Kansas, vem a grande derrota republicana: Kris Kobach, fiel aliado de Trump, perdeu a eleição para o governo num estado em que apenas 2 condados deram a vitória para Hillary em 2016, e a diferença de Trump sobre a democrata foi de nada menos que 20,6% dos votos.

*

Os democratas pensam que a cor da pele de certos eleitos é um mérito extra. Nomeie isso como quiser. Cada não-branco eleito para a “House” (desde que democrata, óbvio) é a gloriosa vitória de sabe-se lá o que, uma vez que palavras como “diversidade”, “democracia”, “liberdade” e mesmo “povo” adquirem, na boca dessa gente, significados novos conforme a necessidades táticas impostas pela situação política. O politicamente correto, mais uma vez, mostrou-se uma arma perigosa.

*

Falei isso em 2016, após a eleição de Trump, e repito agora, com Niall Ferguson dando um parecer similar: Olho vivo em Kamala Harris, senadora democrata da Califórnia, para 2020.

 

(Por Edson Camargo)

 

 

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *