Bolsonaro no Roda Viva e o jornalismo do ressentimento

Não sabemos se Bolsonaro será um bom presidente. Mas já sabemos que será um ótimo candidato: o pânico, horror e destrambelhamento da classe jornalística está ficando cada vez mais evidente. A perda de credibilidade e de prestígio social dos jornalistas e meios de comunicação está deixando os profissionais mais e mais desesperados, ao ponto de inverterem, no afobamento da hora, todos os valores caros ao jornalismo, como isenção, imparcialidade, objetividade, ineditismo e até o velho imediatismo – a agilidade na cobertura. Deixam passar informações inéditas e imediatas, tornando-se velhas e obsoletas, só para não dar o gostinho à direita ou ao seu candidato. Quando o assunto é Bolsonaro, Trump ou a direita, não há pressa em noticiar nem muito cuidado na apuração. Basta o que dizem, o que parece, o quanto vai ficar mal, o quanto vai prejudicar a imagem do adversário.

Vale até Wikipedia

O espetáculo do dia 30 de julho, no Roda Viva, poderá ficar na história, muito embora episódios piores já se avizinhem dada a hora próxima da eleição. Esta eleição, seja qual for o resultado, será histórica por tornar translúcidas as convicções, mazelas e conflitos da classe jornalística construída desde a redemocratização. O apresentador do Roda Viva chegou a sacar o celular em uma busca desesperada pelo Wikipeadia na tentativa furiosa de encontrar um podre de Bolsonaro. Para o seu horror, para tudo havia uma resposta e uma provocação.

Eles vão ficar loucos

Soaria incompreensível para alguns jornalistas do Roda Viva considerá-los meramente de esquerda. Eles não sabem o que são: pensam apenas ecoar a prática profissional, no estado de espírito de sua época enquanto repetem chavões e sensos comuns, equiparando-os à verdade mais absoluta, como crianças birrentas. No entanto, vêem-se como a casta mais alta em tolerância, pluralidade, benevolência e justiça possíveis à raça humana.

A invenção do fact-checking como substituto do jornalismo que perdeu toda a credibilidade já prenunciava todo o terror que os profissionais vivem desde que perderam a segurança da exigência do diploma. Vivem assustados, estressados e padecem de problemas estomacais, úlceras e mazelas psicológicas dignas de pré-adolescentes, conflitos internos e dúvidas existenciais. Estão perdidos e afoitos. Só sabem babar de ódio e ressentimento.

(Cristian Derosa)

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