Bolsonaro, Mourão e a direita delirante

Por Cristian Derosa

Creio que a escolha de Bolsonaro demonstrou o estado de consciência precário em que os militantes conservadores estão, a desejar o país imaginário e não real, tal como a esquerda. Bolsonaro não representa nenhuma das utopias existentes, sejam as revolucionárias ou tradicionalistas ou monarquistas. Ele representa, para o bem e para o mal, a realidade brasileira, o cansaço do Brasil, a população inteira em sua concepção de justiça, coisa que os estudiosos e analistas deviam, antes de expor suas ideias, respeitar, como eu disse, para o bem e para o mal, com o fim mais nobre que é o de entender, entender e entender. Nosso próprio país já é complexo o bastante, assim como nossa própria vida, por carregarmos em nós parte importante dos problemas nacionais. Os militantes podem desejar o que quiserem e fazer suas campanhas, mas os que desejam estudar e analisar para compreender o Brasil, carregam a pesada responsabilidade de observar e admitir a realidade, abstraindo suas expectativas.

Que a escolha do general Mourão para vice da chapa sirva, entre outras coisas, como um alerta para diversos setores conservadores, seja evangélicos, católicos, tradicionalistas, militaristas etc. Muito mais do que a esquerda, ele pode desagradar todos os que se julgam representantes da vontade popular. Porque ele vai representar a vontade popular mais popularesca e não a sua.

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