A narrativa do inimigo imaginário e vitimização para a mobilização social

“a ministra Rosa Weber, decidiu encerrar o debate sobre a descriminalização do aborto realizado naquela Corte, feito para dar uma aparência democrática à decisão imperial que o STF está chamado à tomar sobre o assunto de interesse de todo o povo brasileiro”.

O leitor deve estar imaginando que a frase acima tenha sido escrita por alguém do movimento pró-vida, indignado com a condução do STF na ADPF442.  Mas a frase é na verdade, de defensores da legalização do aborto, no site Diário Causa Operária.

A visão tresloucada da realidade faz parte de uma narrativa que mescla vitimização com anseio de mobilização social, necessária para coroar o verdadeiro teatro que o STF está fazendo para legalizar o aborto. O Diário da Causa Operária completa:

“tanto a ministra do STF quanto a procuradora estão em estreita sintonia com os setores da direita golpista que se colocam prontamente contra essa reivindicação histórica na luta das mulheres, principalmente com o golpe de Estado que permitiu que os setores mais obscuros se infiltrassem no cenário político. Sendo assim, somente uma ampla mobilização popular irá derrotar os entraves impostos pelos setores que atacam as mulheres (…)”

A confusão do discurso é completa e pode contribuir para que leitores desavisados, mais preocupados com corrupção e sonegação de impostos do que com o direito à vida, fiquem ainda mais fora da realidade. Trazem a narrativa do golpe e misturam a ainda receosa e tímida posição contra o aborto, por parte da Procuradoria (PRG), com a posição claramente pró-legalização da Ministra Rosa Weber, observada em julgamentos anteriores e na condução dessa audiência pública, que trouxe mais que o dobro de entidades pró-aborto, incluindo até mesmo vendedores de pílulas abortivas ilegais no Brasil.

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