O espetáculo comunista da China (parte I)

O deslumbramento com que a mídia internacional tem falado da China é justificado, em parte, pelo espetáculo esportivo que ela sedia. Mas mesmo a bajulação midiática possui algum limite e torna-se cada vez mais necessário que algumas coisas sejam esclarecidas sobre este país. Já falei aqui sobre como funciona basicamente economia de “capitalismo de Estado” ou “comunismo de mercado” que impera no país vermelho. Não me vou repetir. Vou apenas dar nome aos bois, coisa que se faz quando os mesmos não são identificáveis pelos próprios chifres. É chocante o modo como a imprensa, especialmente a televisiva, se refere à China. Potência mundial, nova detentora do exemplo de desenvolvimento, entre outros adjetivos, são empregados na TV, nos fazendo pensar que o comunismo finalmente conseguiu seduzir pela imagem. Mas é pior do que isso.

Recentemente, um historiador declarou ao site G1, que a China dominou grande parte da história da humanidade e agora está voltando com todo o seu poder. Ele disse que o objetivo do governo chinês não é o confronto com o Ocidente, mas a “colaboração para o desenvolvimento mútuo”. Ora, naturalmente o ilustre historiador, cujo nome não vale a pena citar, desconhece o presente quando não informa aos seus entrevistadores, que a China detém, hoje, a maior parte dos títulos da dívida pública dos EUA. Isso, é claro, conseguido mediante a “compra” das consciências dos “neo-liberais” que apoiam qualquer coisa que aparentemente renda dinheiro. Eles não percebem que a economia da China está sendo usada como aríete da nova ordem mundial que visa, entre outras coisas, a exclusão total dos EUA do mapa mundi.

Se me surpreendeu o fato do historiador desconhecer o que se passa nos dias correntes, mais espanto me causou saber que ele também desconhecia a sua área de atuação, a história. A China foi a grande potência cultural durante a maior parte da história humana. Mas omitir que toda essa cultura foi destruída com a chamada Revolução Cultural, imposta por Mao Tse Tung, que hoje é vendida para o Ocidente em troca de dinheiro para municiar um estado policial é, para quem se diz intelectual, mentir com a mais das inescrupulosas consciências do que se está fazendo.

A Revolução Cultural esfacelou com mais de dois mil anos de cultura chinesa e tornou proibida todas as manifestações culturais que não fizessem vivas à nova ordem comunista. O que acontece hoje, é especificamente identificável em outros momentos históricos vividos por países comunistas. A economia comunista não se sustenta na prática. Então, para buscar recursos que banquem a sua existência teórica, é necessário, de tempos em tempos, abrir-se para o mundo para não repetir o erro da URSS. Foi o que aconteceu no início da revolução russa, porém sem tanto sucesso naturalmente. É o que acontece com Cuba, sendo bancada pela Venezuela. O novo modelo de comunismo, calcado nas aparências e no marketing esportivo, tal como o nazismo fez, vai fazer com que multidões capitalistas e consumistas sem cérebro adotem o modo de vida, o idioma e todo o repertório cultural chinês, sem perceber que está, na verdade, participando da Grande Revolução Cultural.

Escritor, Jornalista e pesquisador de mídia, mestre em Jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Autor do livro “A Transformação Social: como a mídia de massa se tornou uma máquina de propaganda (Estudos Nacionais, 2016)” e colunista no site Estudos Nacionais e um dos fundadores da RádioVox. Colaborador do site Mídia Sem Máscara e aluno do filósofo Olavo de Carvalho desde 2009.
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