O bode da esquerda mundial

Como um darwinista-satanista-nazista-maçon foi tachado de cristão pela mídia mundial?

Assim como no caso do massacre de Realengo, no Rio de Janeiro, a primeira informação dada pela imprensa sobre o massacre perpetrado pelo terrorista norueguês foi de que ele se tratava de um “cristão fundamentalista”. O coro foi ouvido aos quatro cantos enquanto a mídia norueguesa falava sozinha ao lembrar que o assassino era na verdade membro de um grupo neo-nazista. O equivoco foi aos poucos se desfazendo à medida que as informações iam sendo esclarecidas. Mas como sempre acontece, desfazer uma mentira torna-se muito mais trabalhoso do que divulgá-la.

Na cabeça dos jornalistas brasileiros, educados em um país onde militantes comunistas apresentam-se publicamente como professores de história, nazismo e cristianismo estão do mesmo lado. Como se Hitler pudesse perseguir protestantes sem acabar com todo o público que o aplaudia, extinguindo assim, ao invez dos judeus, os próprios alemães. Hitler não só perseguiu os católicos, já que eram minoria na Alemanha, como declarou diversas vezes a intenção de extingüir da face da Terra essa religião cuja criação teria sido obra de judeus.

Anders Behring Breivik, o terrorista norueguês, escreveu muita coisa na internet, deixando um rastro de informação a seu respeito, para a infelicidade daqueles que gostariam de associá-lo ao Cristianismo e aos conservadores em geral. Segundo o representante da Organização para a Segurança e a Cooperação na Europa (OSCE) para a luta contra o racismo e discriminação religiosa, Massimo Introvigne (em texto disponível em: http://fratresinunum.com/), Breivik apresentava, em seu perfil do Facebook (já excluído), uma foto sua usando uma túnica maçônica. Fica difícil imaginar como um fundamentalista cristão sentiria orgulho de fazer parte de uma sociedade secreta declaradamente esotérica (iniciática).

Pior ainda seria compreender como um cristão teria como principal destinatário de seu memórial antes do massacre, o sr. Kevin Slaughter, (http://www.kevinislaughter.com/2011/anders-behring-breivik-is-this-the-e-mail-he-sent-to-friends-with-2083-manifesto/) ministro da Igreja de Satã, de Anton Szandor LaVey, na Califórnia, cuja maior parte dos seguidores está na Escandinávia. Como se não bastasse o contato dele com grupos neo-nazistas da Noruega, o terrorista declarou considerar-se um darwinista.

Como amigo íntimo do mantenedor do principal site pornográfico do seu país, ele parece bem longe da preocupação com alguma moral cristã, o que dificulta a tese de algum fanatismo religioso. Ainda conforme o relatório apresentado pelo sociólogo, a preocupação de Breivik era com o Islâ.

Como todo nacional-socialista, ele abomina o marxismo, o que provoca uma alegria compulsiva na mídia brasileira e um desejo quase diabólico de estereotipar o maluco como um “conservador de direita”. De fato ele era amigo de Israel. Via no país judeu a grande chance de acabar com o Islã, nada além disso. O Cristianismo defendido por ele era, tão somente, uma desculpa forçosa para conseguir o apoio de conservadores, tal Hitler (odiado por Breivik) tentou fazer para acabar com os judeus. Um nazismo as avessas (ou diria, escandinavo), onde o inimigo agora é o Islâ.

Breivik é simpático aos cristãos do mesmo modo que é também simpático aos ateus militantes e aos homossexuais, esperando usá-los como arma contra o Islã, sob o qual todos perderiam. Outro fator que o distancia da extrema direita européia é o apoio aos ciganos, aos quais promete um país próprio em sua nova europa, em troca da ajuda na luta contra o Islã. “Não surpreende nem mesmo o contato com a Igreja de Satanás, que prega uma forma de satanismo ‘racionalista’ que louva a supremacia dos fortes sobre os fracos e as virtudes do capitalismo selvagem segundo a teoria da escritora norte-americana Ayn ​​Rand (1905-1982)”, diz o texto do sociólogo italiano.

Ateísmo endêmico

Mas como diante de tamanha confusão, a mídia o considera um “cristão fundamentalista”, ligado á extrema direita conservadora, é algo mais dificil de entender do que a mente do louco terrorista. O ódio ao Cristianismo e à moral cristã é algo evidente não só nas redações internacionais mas nos principais centros acadêmicos do mundo. Iludidos por uma ideologia neo-iluminista, os acadêmicos são levados desde cedo a crer que os relativos benefícios da tecnologia representam diretamente avanços formidáveis da ciência. Esse deslumbre materialista fecha importantes portas para a cognição de “crianças” recém formadas no Ensino Médio que avançam às portas de universidades em busca antes de uma colocação no mercado de trabalho do que do conhecimento propriamente.

Unir as religiões em termos de fundamentalismo é parte integrante das cartas de intenções da URI (United Religion Initiate), grupo que busca ser a Onu das religiões e quer fundar uma religião global e multipla, em busca da paz interreligiosa no mundo (http://www.vivario.org.br/uri/publique/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?sid=25&UserActiveTemplate=_br). Para que essa utopia delirante seja realizada, é necessário demonstrar que as religiões dividem e não unem o ser humano. E quando, ao contrário, os fatos mostram que a religião cristã foi a que mais trabalhou pela união e pacificação do mundo, tratam logo de desviar o foco apontando para algum desvio ou desviado louco que mistura dogmas científicos evolucionistas com crenças esotéricas ocultistas, fazendo-o parecer a mais nítida expressão do cristianismo.

Escritor, Jornalista e pesquisador de mídia, mestre em Jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Autor do livro “A Transformação Social: como a mídia de massa se tornou uma máquina de propaganda (Estudos Nacionais, 2016)” e colunista no site Estudos Nacionais e um dos fundadores da RádioVox. Colaborador do site Mídia Sem Máscara e aluno do filósofo Olavo de Carvalho desde 2009.
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