58.286.256

abortos desde a legalização

  • Ano
  • 1970
  • 1973
  • 1983
  • 1990
  • Número de abortos
  • 193.491
  • 600 mil
  • 1,570 milhão
  • 1,600 milhão

Estados Unidos: Números e fatos

Nos Estados Unidos, a primeira lei para descriminalização do aborto ocorreu a partir do polêmico caso Roe versus Wade, na década de 1970. A polêmica em torno do caso ocorreu depois que a vítima do suposto estupro e a sua advogada, anos depois, revelaram que mentiram sobre o estupro para que o caso fosse até a Suprema Corte e tivesse apoio da mídia e da sociedade na causa da legalização do aborto.

Discurso sobre números do aborto nos Estados Unidos

Organizações internacionais e grupos envolvidos na causa da legalização do aborto no mundo, tem buscado nas últimas décadas usar em seu discurso o argumento de que, muito embora o aborto seja uma experiência ruim, por vezes traumática às mulheres, e possa ser moralmente reprovável uma vez qua a ciência evidencia que o início da vida se dá na concepção, a descriminalização do aborto seria benéfica por viabilizar um ambiente que proporciona implementar políticas públicas focadas na orientação das mulheres, culminando em um momento posterior, com a redução do número de abortos.

Por essa lógica, justificam que a descriminalização do aborto seria necessária para dar segurança as mulheres e posteriormente reduzir o número de abortos.  Em vista disso, um dos estudos estatísticas do aborto, visa analisar se efetivamente há uma diminuição nos números.

Coleta de dados sobre o aborto nos Estados Unidos

O órgão responsável nos EUA pela compilação dos dados em fonte primária é o U.S. Centers for Desease Control (CDC) e o Guttmacher Institute. Os números são enviados das clínicas e hospitais para o CDC, que compila as informações. Entre 1973 e 1997, o CDC alega que recebia dados de todos os 50 estados do país. Contudo, a partir de 1998 alguns estados passaram a não fornecer mais os dados do aborto, ou passaram a fornecer informações incompletas.

Em 2013 diversos estados não forneciam os números, tais como Califórnia, Flórida, Maryland, New Hampshire, Vermont e Wyoming.  Estima-se que a ausência do número de abortos destes estados esteja reduzindo desde 2013 aproximadamente 170 mil abortos ao ano, das estatísticas gerais. Questionados sobre a falta do reporte, os estados da Califórnia (o mais representativo), New Hampshire e Maryland nada responderam.

Conforme explica o site do CDC.gov, os estados não são obrigados a fornecer os números sobre o aborto. Em consulta ao site do governo é possível baixar a planilha completa da compilação, indicando o número de abortos por estado. Atualmente, em 2017 o governo tem divulgado apenas os dados até 2013.

Há uma grande polêmica nos EUA sobre a carência destes dados, vez que na era da tecnologia da informação, ninguém esperaria encontrar dificuldades em obter dados como estes. Há também críticas de que os dados sejam geridos por organizações interessadas em números decrescentes, explicando os problemas que se vem enfrentando. O Guttmacher Institute foi um braço da maior clínica de abortos dos Estados Unidos, a Planned Parenthood. Hoje, juridicamente atua como uma instituição independente. O Instituto admite que precisam ser feitas melhorias no sistema de apuração dos números.

Em vista disso o governo deixa claro, que o relatório apresenta o número de abortos reportados, e não o número de abortos ocorridos. As discrepâncias são muito significativas. Em 2014 o governo (CDC) divulgou relatório com 664.435 abortos; enquanto o Instituto Guttmarcher 926.200. Isso porque o instituto entra em contato diretamente com clínicas, ao invés de receber relatórios dos governos estaduais.

Grupos pro-vida e pro-escolha concordam que, o advento da ultrassonografia e a obrigatoriedade de se fazer ultrassom antes de realizar o aborto, são fatores que contribuiram fortemente para as reduções no número de aborto, que, os dados ainda que controversos, têm indicado. A obrigatoriedade de se realizar o ultrasom foi uma lei alterada no início da década de 90 por grupos pro-vida.

Há movimentos nos EUA para criar novas formas de coleta e gestão das informações. Exige-se que o controle seja feito pelo governo, de forma mandatória e fiscalizatória, para prevenir que números sejam ocultados e manipulados por conta dos interesses da indústria do abortamentos.

Vale ressaltar que a Planned Parenthood e outras organizações envolvidas têm negócios da mesma natureza em diversos outros países. Alguns dos países alvo da estratégia de controle populacional da Fundação Rockefeller e Planned Paranthood ainda não passaram por descriminalização do aborto, sendo amplamente difundido nesses países a ideia de que após a legalização o número de abortos tenderá a reduzir. Tais fatos colocam em cheque toda a credibilidade dos dados existentes.

Ainda que seja aceito por ambos os lados do debate que as estatísticas tem sérios problemas e que a discrepância é preponderantemente em viés de redução (porque nunca se viu ‘super-fornecimento’, apenas o não fornecimento ou fornecimento parcial), são estas são as estatísticas disponíveis.

Números após a legalização

Segundo os dados da National Right to Life (EUA), em 1973 ocorreram aproximadamente 600 a 700 mil abortos. Dez anos mais tarde, em 1983, o número era de 1,570 milhão.

Em 1990, chegou-se ao pico de 1,6 milhão. No ano de 1991 o número sofreu ligeira queda de 3% indo para 1, 556 milhão (queda de 3%) e nos anos seguintes vem oscilando em queda mas ainda acima de 1 milhão por ano.

Como consequência, desde 1973 até 2013 tiveram nos Estados Unidos um total 58.286.256 abortos.

Esses números nos trazem a pergunta: quantos abortos teriam ocorrido se na época em que o procedimento era visto como um problema por ter 600 mil por ano o Governo e as ONGs tivessem investido na conscientização para redução do problema, mantendo o aborto ilegal?

A lógica destas campanhas apoia-se em um equívoco bastante simplório do ponto de vista programático, o que na verdade acredita-se ser proposital: se a conscientização depois da legalização tem alguma eficiência, por que motivo não teria a mesma eficiência se feita sem a legalização? Os dados apontados demonstram claramente que, ao contrário do que dizem as campanhas, a legalização produz um clima de incentivo governamental.

Portanto, seguindo o mesmo padrão observado em países como Reino Unido, Suécia e Austrália, os estudos indicaram que a legalização do aborto não tem efeito educativo para redução do número de abortos.

É fundamental destacar que a redução observada a partir de 1991, que ainda não baixou da casa dos milhões, deu-se logo após a implantação de algumas leis, reivindicadas por grupos pró-vida, que exigiram das mães que, mesmo tendo vontade de abortar, passassem por um melhor acompanhamento psicológico e médico, incluindo exames, o que pode ter tido influência na redução.  As primeiras décadas após a legalização foram marcadas por um aumento substancial, quando a prática do aborto atingiu cifras gigantescas, passando de 600 mil para 1,6 milhão/ano.

** Leia também: PSTU admite que não quer que o número de abortos diminua
Os favoráveis à legalização se contradizem e criticam as iniciativas no Reino Unido para dar orientação e acompanhamento médico às mulheres que desejam fazer o aborto. Ou seja, esse mesmo tipo de ação que ajudou a redução do número de abortos nos EUA na década de 90 é criticada pelos partidário da causa da legalização; embora usem o argumento de que querem legalizar o aborto para poder dar maior acompanhamento às mulheres.

PSTU admite que não quer que o número de abortos diminua

Em 2011, no site oficial do PSTU foi publicado uma matéria analisando a situação do aborto na Inglaterra.

    Na Inglaterra, cujos números de abortos anuais estão na ordem de 190 mil, diversos grupos têm buscado criar estratégias para conscientizar as mulheres sobre os males do aborto e sobre as possibilidades

O PSTU denuncia que as ONGs e organizações pró-vida, assim como políticos conservadores, estão querendo obrigar as mulheres a passar por aconselhamento médico antes de realizar um aborto. Para o PSTU, isso é uma crueldade com a mulher.

Embora no Brasil o PSTU argumente que é necessário legalizar o aborto para que seja possível prestar melhor assistência às mulheres, e que o objetivo da legalização é viabilizar um trabalho de conscientização para, no futuro, a ocorrência de abortos diminuir. Contraditoriamente, condenam a atuação dos políticos pró-vida denunciando que “a tentativa é reduzir o número de abortos, tentando de todas as formas fazer com que a mulher desista de interromper a gravidez.”

A contradição apresentada coloca em cheque a  Fica claro que o interesse do PSTU enquanto defensor da legalização do aborto não é com os direitos e nem com a saúde das mulheres.

http://www.pstu.org.br/aborto-legal-na-inglaterra-corre-risco/

Aborto legal e ilegal após legalização e mortes maternas

O relatório do Departamento de Saúde dos Estados Unidos demonstra que o número de mortes maternas depois da legalização do aborto continua significativo.

O número que foi possível registrar, no período de 1972 a 2002 foi de 486 mortes maternas. Contudo, de 1998 a 2002 houve um número substancial de estados se negaram a apresentar qualquer estatística ao Departamento de Saúde. Dentre as 486 mortes maternas, 94 se deram em decorrência de abortos ilegais. Ou seja, apesar da legalização continuam acontecendo abortos fora da lei, em clínicas não regulamentadas e sem uso de procedimentos regulados pela legislação.

Número de abortos realizados na maior clínica dos Estados Unidos

De 1970 até 2012, a maior clínica de abortos do país realizou mais de 6.3 milhões de abortos. Essa clínica, cuja fundadora Margaret Sanger teve uma polêmica envolvendo sua ligação com o grupo Klu-Klux-Klan, sofre muitas críticas por ter a grande maioria de suas filiais localizadas próximo de bairros pobres e predominantemente habitados por negros nos Estados Unidos.

Essa clínica também tem investido fortemente em projetos na África, como o próprio site oficial da clínica mostra orgulhosamente. Será que eles não estão mais preocupados em promover o aborto para comunidades de negros e pobres do que efetivamente “ajudar as mulheres”?

Sobre os números antes da legalização nos EUA

Anos antes da legalização do aborto nos Estados Unidos, organizações favoráveis à legalização do aborto falavam que os números de aborto anuais eram na ordem de 1 a 2 milhões. Contudo, estimativas demonstram que estava na ordem de 200 mil. Em 1920  Margaret Sanger publicou o livro Woman and the New Race (Mulheres e a nova raça), onde ela escreve que na época (década de 20), ocorriam entre 1 a 2 milhões de abortos por ano.

Os movimentos e campanhas pelo “direito ao aborto” foram crescendo e 50 anos depois, em 1970, o aborto foi legalizado e o número de abortos ficou na casa de 600 mil. Demonstrando que as estimativas informadas pelos grupos pró-aborto nas décadas anteriores estavam completamente superestimadas.

Confissão de um ex-ativista pró-legalização

Bernard Nathanson, ativista pró-legalização do aborto nos EUA admitiu que ele e outros cofundadores da NARAL Pro-Choice America (Associação Americana contra lei do aborto)  fabricavam números sobre aborto para sensibilizar as pessoas criando um aparente problema de saúde pública e forçar a opinião pública a aceitar a legalização do aborto.

Eles admitem que os números antes da legalização giravam em torno de 19 mil abortos por ano. Contudo, falavam-se de 1 a 2 milhão.

“Eram sempre 5 a 10 mil abortos por ano. Eu sabia sobre apresentávamos números falsos e acredito que outros ativistas pelo direito de escolha também sabiam, se eles parassem para pensar. Mas na ‘moralidade’ da nossa revolução, usávamos com números que nos eram úteis e as pessoas acreditavam, então, por que mudaríamos o discurso com números reais? Nosso objetivo era a legalização e por isso considerávamos válido tudo que contribuísse com esse objetivo”.

O Dr. Bernard Nathanson (1926 – 2011), foi médico ginecologista americano muito bem sucedido e um dos líderes do movimento pela legalização do aborto no país. Foi diretor de uma clínica especializada em abortos mas anos mais tarde reviu sua posição e tornou-se um ativista pró-vida, após fundar um ramo da ciência chamado Fetologia, com auxílio das novas tecnologias de ultrassonografia, com as quais era possível acompanhar o desenvolvimento do feto.

Assumiu publicamente uma nova posição contra o aborto em um artigo na revista médica The New England Journal of Medicine, na qual reconhecia que há vida humana no feto. A partir de então, tornou-se ativista do movimento pró-vida. Morreu aos 84 anos.

Diversos estados recusam-se a divulgar números sobre aborto

Conforme relatório oficial do Departamento de Saúde dos Estados Unidos, as estatísticas dos números de aborto sofrem de ausência de número de diversos estados.  As estatística não oficiais simplesmente não contemplam o número desses estados em diversos anos, fazendo com que os números apresentados sejam certamente inferiores por omissão de dados.

Não foi utilizada nenhuma técnica de estimativa para compensar o não fornecimento desses números por esses estados.

De 1998 a 2002: faltou dados dos estados de New Hampshire, Califórnia;
De 1998 a 2003: faltou dados dos estados de West Virginia e Oklahoma.

EUA – Estatísticas sobre compiladas

 – Centers for Disease Control, 15 June 2004, “Estimated pregnancy rates for the United States, 1990-2000: An update,” National Vital Statistics Reports, 52(23), on line at Centers for Disease Control [http://www.cdc.gov/nchs/data/nvsr/nvsr52/nvsr52_23.pdf].

  • Finer, Lawrence B., and Stanley K. Henshaw, 3 Aug. 2006, “Estimates of U.S. abortion incidence, 2001-2003,” Alan Guttmacher Institute, on line [http://www.guttmacher.org/pubs/2006/08/03/ab_incidence.pdf].
  • Strauss, Lilo T., Sonya B. Gamble, Wilda Y. Parker, Douglas A. Cook, Suzanne B. Zane, and Saeed Hamdan, 24 Nov. 2006, “Abortion Surveillance-United States, 2003,” MMWR Surveillance Summaries, 55(SS-11), on line at Centers for Disease Control [http://www.cdc.gov/mmwr/PDF/ss/ss5511.pdf].

Livro de Margaret Sanger (em inglês)

Bernard Nathanson, Aborting America (New York: Doubleday, 1979), 193.

Dados Planned Parenthood – Estados Unidos

Site do governo (CDC) com planilhas completas até 2013 sobre números de aborto

Sobre os problemas na coleta dos números do aborto nos Estados Unidos

Reportagem Deseret News: Por que não sabemos quantos abortos são realizados nos EUA?