• Ano
  • 2013
  • 2014
  • 2015
  • Número de abortos
  • 7.171
  • 8.535
  • 9.362
  • % de aumento
  • 19,02%
  • 9,68%
  • % acumulado
  • +19,02%
  • + 30,55%

Legalização no Uruguai aumenta 30% o número de abortos em dois anos

Hoje, se você digitar no Google a palavra chave “aborto no Uruguai” o primeiro resultado da busca que aparecerá é o trecho abaixo, destacando o site que o google considera mais relevante pelo motor de busca.

“O número de mulheres que decidiram levar adiante a gravidez após solicitar um aborto legal no Uruguai cresceu 30% em 2014 se comparado ao ano anterior, conforme o segundo relatório anual do Ministério da Saúde (MSP) divulgado neste fim de ano“

A notícia otimista foi publicada no site Terra e trata do aumento do número de mulheres que decidiram levar a gravidez adiante. A estatística apenas se refere ao número de desistências do aborto e não significa diminuição no número de abortos. Mas e quanto ao número de abortos realizados?  No terceiro parágrafo, a matéria mostra dados que são, na verdade, bem mais importantes:

“O total de abortos legais concretizados subiu 20%, com “8.500 interrupções voluntárias da gravidez”, mais do que no mesmo período de acordo com o comunicado.

Ou seja, o número de abortos aumentou. Considerando que em cada aborto há a morte de um ser humano, o número de mortes aumentou e isso não deveria ser motivo de comemoração.

Se a preocupação das pessoas fosse com a vida será que o título da notícia não deveria ser diferente?

Estudos mais recentes mostraram que depois de subir 20% o número de abortos em 2014, em 2015 o número de abortos subiu mais 9%, atingindo um total de 9.362 no ano. Ou seja, com duas altas sucessivas, o número de abortos  no Uruguai após a legalização aumentou 30%.

Em quantidade de abortos, desde 2013 ocorreram pelo menos 2.191 mortes adicionais, motivadas pela legalização do aborto no país.

Outro dado importante é que, no Uruguai, 82% das mulheres são maiores de 20 anos, ou seja, com maiores capacidades de arcar os compromissos da maternidade.

Veja o resumo dos dados sobre o aborto no Uruguai após a legalização:

2013 = 7.171
2014 = 8.537
2015 = 9.362

Manifestações de grupos contrários ao aborto não são divulgadas pela imprensa nacional ou internacional, dando a falsa impressão de conformismo e consenso na sociedade uruguaia.

Vale considerar outro fator de extrema importância: os números foram divulgados pelo Ministério da Saúde do país. São, portanto, dados insuspeitos, pois não se tratam de números apresentados pela oposição à causa da liberação do aborto, pelo contrário.

As organizações internacionais favoráveis a legalização do aborto, em especial na América Latina, se referem constantemente ao Uruguai como sendo o país latino da vanguarda na causa e que deverá ser responsável por motivar os seus vizinhos sobre a legalização, portanto, há um evidente interesse de muitas organizações dentro e fora do Uruguai em mostrar os dados como positivos sobre a experiência uruguaia.

Os dados são computados e divulgados pelos órgãos do Governo, com grandes chances de que dados positivos sejam superexpostos enquanto dados negativos sejam menos enfatizados ou até mesmo sonegados, sob pena de colocar a perder a estratégia nacional e internacional bem como a imagem das atuais instituições.

Falácia dos números antes da legalização

Os órgãos que atuaram por anos no Uruguai em prol da legalização do aborto até a 12ª semana vinham divulgando que ocorriam em torno de 30 a 33 mil aborto ao ano. Esse número é uma estimativa realizada com método bastante frágil uma vez que se estava falando de procedimentos ilegais. No primeiro ano da legalização, sem que houvesse qualquer campanha alertando os males do aborto, que poderiam tentar explicar alguma redução, o número foi de 7 mil abortos. Essa discrepância de 33 mil abortos estimados para 7 mil abortos no primeiro ano traz uma forte evidência de que houve uma superestimativa do número de abortos ilegais nos anos anteriores.

A estratégia de superestimar números de abortos clandestinos vem sendo usada em muitos países por ativistas pró-legalização, visando criar um aparente problema de saúde pública.  Nos EUA na década de 70,  Dr. Nathanson, na época líder de uma organização pró-legalização, admitiu décadas mais tarde que inventavam números na casa de centenas de milhares de aborto clandestino por ano, porque acreditavam que estas informações falaciosas eram importantes para o debate.

Relatórios do governo

As divulgações do Ministério da Saúde do Uruguai permanecem usando a premissa de que ocorriam 30 mi abortos ao ano antes da legalização, muito embora o primeiro ano tenham sido verificados apenas 7,1 mil abortos legais. relatórios do Ministério da Saúde uruguaio não tratam em profundidade a questão da persistência de abortos ilegais após a legalização, embora em um gráfico admita que ainda ocorram.

Fontes de referência:
El Pais –Noticia sobre marcha pela vida não divulgada pela grande mídia brasileira

El Pais – Matéria do El Pais mostra aumento no número de abortos no Uruguai pelo segundo ano consecutivo após legalização. 

Ministério da Saúde uruguaio – Apresentação usada em conferência sobre interrupção voluntária – fevereiro de 2014