Ernesto Araújo: “A sociedade não deveria funcionar baseada nas leis, mas sim na confiança”

Ernesto Araújo

Ernesto Araújo (EVARISTO SA AFP)

Por ocasião da visita do Presidente Bolsonaro e sua comitiva aos Estados Unidos, o Brasil Paralelo divulgou hoje uma entrevista com o ministro Ernesto Araújo. Nela, o diplomata discorre sobre sua concepção de nação, sobre as lições dos Estados Unidos para o Brasil e sobre a batalha entre realismo e nominalismo, entre outros temas. 

Em dado momento, Ernesto se refere a um ensinamento herdado do pai:

“Meu pai falava muito: a sociedade não deveria funcionar baseada nas leis, mas sim na confiança. As leis, é claro, são fundamentais, mas existem para os casos excepcionais. Você não pode ter leis para tudo. É preciso que haja confiança entre as pessoas e, se alguém quebrá-la, só então se aplica a lei.

Com a fragmentação da pós-modernidade, porém, a sociedade deixa de funcionar baseada na confiança, porque as pessoas, por uma programação consciente de certas forças, sentem cada vez menos que têm algo em comum, que podem confiar umas nas outras. E aí querem apelar ao Estado, às leis.

As pessoas não deveriam se conectar baseadas na lei, mas sim em toda uma série de afinidades que só uma nação orgânica pode providenciar. Essa é a visão do nacionalismo: o anseio de viver numa comunidade orgânica, e não num lugar que seja simplesmente uma coleção de indivíduos.”

As considerações de Araújo são reminiscentes da obra clássica de Alan Peyrefitte, A Sociedade da Confiança. Crítico do materialismo, o autor francês erigiu a confiança em condição primeira de todo desenvolvimento humano. “A confiança é como o ar, tão vital que só notamos sua importância quando começa a faltar”, observou Peyrefitte.


 
 

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