O método sutil de George Soros

O método sutil de George Soros

08/06/2018 0 Por Cristian Derosa

Recentemente, diversos sites replicaram o mesmo texto sobre o milionário George Soros, com o titulo: Quem é George Soros, o megainvestidor bilionário que virou alvo de militantes brasileiros. Com a maior cara de pau já vista, o mesmíssimo texto saiu nos sites: UOL, Terra, BBC Brasil e G1, repetido em outros incontáveis sites de jornais regionais brasileiros. Por mais inverossímil que possa parecer a todo o bom senso, essa verdadeira operação copy-past teve o objetivo de ridicularizar acusações de que Soros teria o controle totalitário dos meios de comunicação, o que um redator misterioso (e aparentemente genial) optou por fazer através da publicação do mesmo texto em praticamente toda a grande mídia na internet. As imagens das manchetes repetidas e o seu conteúdo simplesmente caíram nas graças e gargalhadas da web como verdadeira piada pronta.

Mais insólito que a iniciativa, só mesmo o próprio texto, que buscava retratar o milionário como um mero ricaço bem intencionado e filantropo, injustiçado por invejosos e pelas elites dos países maus. A pior parte ficou por conta da tentativa de associar os seus críticos a nazistas devido a origem judaica de Soros. Como quem avisa amigo é (“quem falar é nazista”), a matéria sem assinatura conta com a desatenção do leitor diante da brusca mudança que vai do tom impessoal do seu questionável jornalismo para partir para cima do leitor que por ventura estivesse desconfiando de tanta lambeção em cima de tão inefável personagem. Este leitor logo concluiria: deve ser mesmo boa pessoa, pois se eu pensar mal dele posso ser chamado de nazista.

Nossa denúncia contra o cínico jornalismo que nos tenta constranger a opinião precisa ser clara, sob pena de continuarmos vivendo a mentira instituída por homens como Soros, que determina, sim, as pautas de centenas de jornais pelo mundo. Seu método, porém, não é aquele insinuado pela igualmente cínica (e talvez até sarcástica) nota da ABRAJI (a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo que precisa ser investigada!), em resposta ao questionamento deste site (Estudos Nacionais). Soros não age com “ingerência” sobre agências de fact-checking como Pública e Lupa, assim como com a própria ABRAJI. Ele simplesmente é o maior doador dessas entidades, segundo o próprio site do seu grupo, a Open Society Foundation.

A ABRAJI respondeu prontamente ao nosso questionamento por e-mail, através de sua assessoria de imprensa. No entanto, se fosse possível uma resposta, gostaríamos apenas de pedir que nos mostrassem um único projeto, campanha ou mísero texto em seus sites (ABRAJI, Lupa, Pública, para não citar Piauí, UOL e Folha) que confrontasse um dos eixos temáticos financiados pelo megainvestidor nas centenas de ONGs e entidade das quais ele é doador. Como mostra a reportagem da terceira edição da Revista Estudos Nacionais (a ser lançada neste mês de junho), todo o dinheiro das cinco maiores fundações internacionais (Open Society, Ford, Oak, IPPF e B&M Gates) vai para pautas como aborto, ideologia de gênero (desconstrução da família), direitos humanos (desconstrução do direito penal), racismo (geração de conflitos sociais), entre outras.

Da mesma maneira, outra nota de uma das agências da checagem de fatos tentava nos fazer descrer da suspeita contra Soros pelo simples fato de que nenhum conteúdo passa por seus funcionários antes de ser publicado, uma idéia cuja estupidez é até difícil de descrever.

Tanto a resposta da ABRAJI como a nota de esclarecimento publicada pela Agência Lupa são igualmente ridículas e ofensivas à sociedade por simplesmente fazerem o leitor de bobo, fingindo que não sabem como as coisas funcionam.

O milionário, que desistiu de atuar no seu país de origem devido a circulação das informações sobre seus objetivos, mantém uma influência poderosa nos meios de comunicação através do dinheiro de sua fundação. Mas não somente investindo nas pautas que deseja manter nas capas dos jornais, como também por plataformas opinativas de elite como o site Project Syndicate, um tipo de agência internacional de opinião. Centenas de jornais do mundo inteiro tiram de lá os “insights” de seus editoriais.

Mesmo financiando toda a esquerda no Brasil, George Soros é tão inofensivo que até sites como Brasil 247 o denunciam, quando lhes interessa, lembrando de seu repentino interesse pelas ações da Petrobrás em plena crise do Impeachment, insinuando com isso que ele teria financiado a derrocada do PT. Fazem isso para disfarçar a sua imensa dependência do milionário financiador do Mídia Ninja e da campanha de Marielle. Trata-se da velha cortina de fumaça que é o falso embate PT-Tucanos, já que o húngaro tem a seu serviço nomes como Armínio Fraga, Pedro Parente.

Como faz questão de lembrar o site petista, Soros nunca joga para perder. Deviam lembrar isso para a ABRAJI e suas inofensivas pautas desinteressadas.