Ernesto Araújo: “Sim, venderemos soja e ferro. Mas não venderemos nossa alma”

Ernesto Araújo

Ernesto Araújo (EVARISTO SA AFP)

A aula magna de Ernesto Araújo ontem (11/03) no Instituto Rio Branco teve muitos trechos memoráveis quer pela lucidez, quer pela coragem. A lembrança de Heidegger foi um deles. Confira outros:

Sim, iremos vender soja e minério de ferro. Mas não iremos vender nossa alma. Muita gente sequer acha que temos uma alma para vender e, por isso, tenta reduzir nossa política externa a uma questão comercial. Mas isso não irá acontecer.”

“É interessante que um dos grandes livros da Escola de Frankfurt, A Dialética do Iluminismo, seja uma desconstrução da Odisséia. Eles querem destruir a Civilização Ocidental, então fazem o quê? Tentam estrangulá-la no berço, assim como as serpentes tentaram em relação a Hércules. Hoje também, no Brasil, há quem queira estrangular o novo governo no berço, mas não vai conseguir.”

“Muitos acham que o Itamaraty é uma espécie de escritório da ONU no Brasil, e que sua função é disciplinar as massa ignorantes e trazer-lhes a luz dos conceitos internacionais. Isso me parece um problema central na nossa atividade que precisa ser superado.”

“A modernidade liberal, se deixada sozinha, tende ao totalitarismo.”

“Alguns querem que a política externa brasileira seja como um aquário. Querem ficar olhando aqueles peixinhos decorativos, inofensivos, dando comidinha para eles etc. Acho que nós devemos quebrar esse aquário e mergulhar no oceano, no oceano da realidade integral, com todos os seus perigos e maravilhas, onde a política externa não é um mero joguinho acadêmico, mas sim um combate pelo futuro da humanidade; um combate para saber se, no fim das contas, o homem será um ser vertical ou horizontal.”

 

Assista à aula completa:

 

 

 


 
 

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