Deputados querem trazer tecnologia chinesa que pode ameaçar segurança nacional

Parlamentares da bancada governista (PSL) irão propor a implantação da tecnologia chinesa de reconhecimento facial em locais públicos, no Brasil, para auxiliar as forças de segurança. O uso da tecnologia, proibida nos EUA e outros países por suspeita de servir ao governo chinês, foi duramente criticado por Olavo de Carvalho (veja o vídeo).

Situação demonstra o quanto o desconhecimento pode custar caro a um país.

As empresas chinesas de tecnologia possuem comitês do Partido Comunista Chinês em sua estrutura e são controladas pelo governo do país. A tecnologia tem sido acusada de promover espionagem e seus dirigentes já foram presos no Canadá, na Polônia e empresas proibidas nos EUA e países da região Ásia-Pacífico, incluindo Austrália e Nova Zelândia. Após prisão de executivo na Polônia, sob acusação de espionagem, empresas chinesas tem sido alvo de preocupação também em países da União Europeia.

A proposta dos parlamentares brasileiros recebeu duras críticas de Olavo de Carvalho, que disse, nas redes sociais:

Comprar o sistema chinês de reconhecimento facial é colocar todos os brasileiros à mercê do Partido Comunista da China, dono da empresa que produz o sistema. Isso é um crime tão monstruoso contra a nação inteira, que a simples sugestão de praticá-lo já deveria ser punida com pena de prisão.

Desde 2012, as empresas Huawei e ZTE foram classificadas como perigosas pela segurança nacional dos EUA. Em agosto de 2018, tiveram o uso proibido pelo presidente Donald Trump, após ser informado por relatórios de segurança pelo FBI e CIA que considerou as tecnologias chinesas uma perigosa ameaça. No início de 2018, Bill Evanina, o oficial da inteligência do Senado americano considerado a maior autoridade em contrainteligência do país, informou que a tecnologia de telecomunicações da chinesa ZTE constituem uma ameaça à segurança nacional.

Em dezembro de 2018, a filha do fundador da Huawei foi detida no Canadá, à pedido dos EUA, por suspeita de espionagem, conforme informações da agência Deutsche Welle. A dirigente está sendo extraditada para os EUA, onde a empresa enfrenta um boicote devido o rompimento das sanções que o país mantem a países como Irã, Cuba, Sudão e Coreia do Norte.

Um mês depois, outro executivo da empresa foi detido, desta vez na Polônia, sob suspeita de espionagem industrial para o governo Chinês. Jundo com ele, foi preso um funcionário da inteligência polonesa que o teria ajudado. O governo chinês afirmou que as atividades do executivo não tinham relação com a empresa.

Países europeus: dependentes, mas temerosos

Na Europa, as tecnologias chinesas já entraram há alguns anos e em certos países compõe grande parte da estrutura de telecomunicações e segurança. Mas enfrentam desconfianças e arrependimentos. Andrus Ansip, comissário de tecnologia da UE expressou preocupação e afirmou que a gigante chinesa Huawei poderia estar praticando espionagem.

É o caso da Noruega, que tem grande parte das redes compostas por equipamentos da Huawei, mas está pensando em reduzir a dependência da tecnologia chinesa. O Ministério dos Transportes e Comunicações do país nórdico disse recentemente que quer reduzir o papel das empresas com as quais Oslo “não tem cooperação em segurança” – uma referência implícita à China.

A Grã-Bretanha, que utiliza tecnologia de segurança 5G fornecida pela empresa chinesa, expressou preocupação. Gavin Williamson, secretário de Defesa afirmou ter “preocupações graves e profundas” sobre o fato.

Ainda segundo matéria do DW, a agência de cibersegurança da República Tcheca declarou que as leis chinesas “forçam as empresas privadas com suas sedes na China a cooperarem com os serviços de inteligência”, o que poderia torná-las “uma ameaça” se envolvidas com a tecnologia-chave de um país.

O único país europeu que está em cima do mudo é a Alemanha, devido as desconfianças com os EUA, de que estariam pressionando outros países a boicotar empresas chinesas devido a guerra comercial de Trump. Mas admite os riscos e prejuízos da espionagem chinesa.

Estima-se que a China emprega cerca de um milhão de agentes de inteligência, muitos dos quais estão focados na obtenção de tecnologias alemãs. O Ministério do Interior da Alemanha estima que a espionagem econômica chinesa poderia custar a maior economia da Europa entre 20 bilhões de euros (US $ 22,9 bilhões) e 50 bilhões de euros por ano.

“A Alemanha é um alvo importante para Pequim, porque suas empresas são de classe mundial em áreas que o Partido Comunista Chinês considera estratégicas”, disse Peter Mattis, pesquisador em Estudos sobre a China na Fundação Memorial às Vítimas do Comunismo, à DW. Empresas alemãs já começam a rever contratos, preocupados com segurança e espionagem comercial dos chineses.

China paga viagem de parlamentares brasileiros

A viagem dos deputados e senadores recém eleitos pelo PSL, partido de Jair Bolsonaro, estão entusiasmadíssimos com sua primeira viagem internacional de negócios. Com tudo pago pelo governo comunista, porém, os 20 parlamentares eleitos sob a bandeira do conservadorismo já estão sendo tratados como traidores por eleitores brasileiros nas redes sociais, depois do alerta do filósofo Olavo de Carvalho para as informações amplamente conhecidas ao redor do mundo.

Além do Brasil, outro país que mantém parceria com chineses e se orgulha disso é Portugal, que nas últimas décadas precisou dos chineses para dar um upgrade tecnológico e chegar ao nível exigido pela UE. Hoje a presença chinesa em Portugal é alvo de grande preocupação dos portugueses, especialmente na área imobiliária.

A tecnologia que o Brasil pretende trazer da China será a de reconhecimento facial para auxiliar na segurança pública, uma pauta cara ao governo e à sua base. Mas isso pode custar caro demais.

Uma das parlamentares, Carla Zambelli, que foi apoiada por Olavo e fez alguns Hangouts com ele durante as eleições, manifestou em vídeo sua discordância e disse que a proposta será analisado. Reclamou que Olavo não fez nenhum vídeo parabenizando-a pela viagem recente à Israel e outras coisas boas que tem feito.

Os parlamentares afirmam que a Lei de Proteção de Dados, assinada durante o governo Temer, será suficiente para barrar a espionagem chinesa que preocupa países como Noruega, EUA, Austrália e UE. Quem sabe uma lei aprovada por um dos países mais ineficientes do mundo servirá de exemplo para o excesso de preocupação de outros países.


Lista dos deputados que foram à China

Carla Zambelli (PSL)
Soraya Thronicke (PSL)
Daniel Silveira (PSL)
Tio Trutis (PSL)
Felício Laterça (PSL)
Bibo Nunes
Charlles Evangelista (PSL)
Marcelo Freitas (PSL)
Sargento Gurgel (PSL)
Aline Sleutjes (PSL)
Delegada Sheila (PSL)
Luís Miranda (DEM)


 
 

7 thoughts on “Deputados querem trazer tecnologia chinesa que pode ameaçar segurança nacional

  1. A chinesa ZTE/Huawei é quem faz todo o serviço de comunicações do Irã e dos terroristas do Hesbolah desde o Iraque/Síria e até agora na porta de Israel com o Líbano. Se transformaram em uma “grande ameaça” ao Mundo Livre ao darem suporte e trabalharem com Países que estão debaixo de sanções e Grupos terrorista como o Hesbolah/Alcaida/Daesh/ISIS como conheido aqui no Ocidente/Brasil. Por isso o motivo das prisões e o ALERTA TOTAL! Obrigado!

  2. Sabem o que vão ganhar com essa viagem. Nadicadinada e de sobra com o filme totalmente queimado no Brasil. A mídia tradicional poderá até esquecer o fato. As redes sociais Não.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *