Cúpula da OTAN: Trump cobra compromissos com defesa e prejuízos comerciais

Cúpula da OTAN: Trump cobra compromissos com defesa e prejuízos comerciais

12/07/2018 0 Por Estudos Nacionais

A cúpula da Organização para o Tratado do Atlântico Norte (OTAN) termina nesta quinta-feira, com discussões acaloradas e troca de suspeitas econômicas e geopolíticas. Trump questiona a utilidade da OTAN e acusa a Alemanha de estar “refém” da Rússia, devido interesses na parceria de um gasoduto entre os dois países, além de prejudicar os EUA no comércio.

Mas Trump vem cobrar um compromisso assumido pela própria OTAN: em 2014, por ocasião da crise na Crimeia, quando a Rússia anexou (invadiu) uma parte do território ucraniano, os países do grupo se comprometeram a investir 2% de seus PIBs em defesa militar até 2025 para a defesa comum. Quase ninguém cumpriu o prometido, exceto Grécia, Estônia e Letônia, além dos EUA. Trump questiona a utilidade da aliança entre os países e pede explicações, especialmente à Alemanha, que negocia com a Rússia e aumentou as já altas alíquotas para a importação de produtos americanos.

“Os EUA estão pagando pela defesa da Europa, enquanto perde milhões de dólares no comércio. Precisamos pagar 2% para a defesa comum IMEDIATAMENTE e não em 2025!”, twittou o presidente americano.

Mas ele vai além e defende que os investimentos na defesa sejam de 4% e não 2%, como foi acordado em 2014, informou a Agência AFP.

Alemanha refém da Rússia

Antes mesmo do encontro entre os países, Donald Trump disse que a “Alemanha é totalmente controlada pela Rússia” o que “é mau para a organização.”

“Pelo que sei, a Alemanha está refém da Rússia porque importa de lá grande parte da energia. Temos de proteger a Alemanha, mas o país recebe energia da Rússia. Expliquem isso. Sabem bem que não pode ser explicado”, disse Trump numa alusão ao projeto do gasoduto Nord Stream II.

Merkel respondeu as críticas de Trump:

“Não entendo o que ele quer dizer. É difícil explicar, mas sim, se existe uma região e país que assistiram a uma mudança no comportamento da Rússia, essa região foi a Europa e no seio da Europa, a Alemanha”.

Merkel afirmou que a Alemanha é independente e que “faz muito pela OTAN”:

“À luz dos eventos recentes gostaria de acrescentar que eu própria testemunhei que parte da Alemanha esteve sob controlo da União Soviética. Fico muito feliz por estarmos atualmente unidos na liberdade como República Federal da Alemanha. É por essa razão que podemos dizer que fazemos a nossa própria política e tomamos as nossas decisões.”

Merkel refere-se ao tempo em que viveu durante o domínio soviético da Alemanha Oriental, época sobre a qual há suspeitas de que a chanceler prestava serviços à União Soviética por meio da polícia Stasi.