Corrida armamentista entre EUA e Rússia pode dividir UE e OTAN

O rompimento do acordo de desarmamento nuclear, assinado em 1987 por Ronald Reagan e Mikhail Gorbachev, entre EUA e Rússia, poderá deixar a OTAN e a própria UE em risco de divisões. O apoio da OTAN à decisão de Washington estimula os estados membros a uma posição pró-EUA, mas nada garante que outros países se alinhem à Rússia.

Informações Euronews

A questão ecoa pela Europa: agora que a Rússia suspendeu também o Tratado de Forças Nucleares de Alcance intermediário, quais são as opções da Europa diante disso? Países europeus foram criticados pela Rússia nesta semana devido o anúncio de diversos países em apoio ao governo interino da Venezuela. A Rússia apoia Maduro.

O Presidente russo, Vladimir Putin, respondeu na mesma moeda, e imediatamente, à decisão de Donald Trump, que acusou a Rússia de desenvolver um míssil de alcance proibido por esse tratado. A Organização para o Tratado do Atlântico Norte (OTAN) apoiou imediatamente a decisão dos EUA, diante de um óbvio risco à segurança da Europa.

Segundo Euro News, o secretário-geral da OTAN, Jens Stoltenberg, disse que “a OTAN não tem planos para implementar novos sistemas de mísseis nucleares terrestres na Europa. Temos muitas outras opções que temos considerado”.  De acordo com o analista Bruno Lete, do centro de estudos The German Marshall Fund of the US, com sede em Bruxelas, sugere três cenários possíveis:

O primeiro cenário, diz Lete, é a Europa permitir que mísseis de cruzeiro dos EUA sejam redistribuídos pela Europa. Mas essa opção pode levar, obviamente, a um maior risco de corrida armamentista. A segunda possibilidade seria os países europeus recusarem, em bloco, essa redistribuição. Há ainda uma terceira hipótese, e a mais provável, de que alguns países europeus concordem com essa distribuição, mas outros não. “Esse cenário colocaria em risco a unidade da OTAN”, acrescenta o analista.

A Rússia evidentemente precisa ganhar o apoio da Europa nesta situação, já que há no continente pressões para um lado e outro. É neste sentido que opinou um ex-conselheiro do Kremlin, Sergey Karaganov, ao garantir que a Rússia vai continuar a ter uma posição mais cooperante com os europeus do que com os norte-americanos.

“Sem dúvida que lamentamos muito pela situação dos nossos amigos e irmãos europeus, que foram colocados entre a cruz e a espada”, disse Karaganov. “Nós não queremos ameaçá-los. Além disso, a Rússia tem agora muito menos armas do que tinha quando existia a União Soviética”, explicou.

O pacto histórico foi assinado em 1987 entre EUA e a antiga União Soviética para limitar a corrida nuclear.

EUA acusa Rússia de descumprir acordo firmado em 1987

Segundo o presidente dos EUA, Donald Trump, o chamado Tratado de Forças Nucleares de Alcance Intermédio foi descumprido por Moscow, e acusa a Rússia de produzir “mísseis, lançadores e equipamento que violam o texto acordado”.

O representante diplomático dos EUA, Mike Pompeo, explica que a porta das conversações não está encerrada:

“Nós demos à Rússia um período alargado para corrigir o caminho e honrar os compromissos que existem. Esse prazo termina este sábado. A Rússia recusou dar qualquer passo efetivo ao longo destes 60 dias. Por isso, os Estados Unidos vão suspender as suas obrigações a partir do dia 2 de fevereiro”.

A Rússia respondeu imediatamente à suspensão e ao apoio da OTAN:

“Trata-se de um rude golpe contra o sistema de controle de armas e de não-proliferação que ainda existe. Provavelmente, estão a começar uma corrida armamentista para tentar esgotar-nos economicamente. Mas aquilo que ainda não entenderam é que nós aprendemos com as lições do passado e, qualquer que seja a nossa resposta ao desafio, será viável do ponto de vista econômico”, sublinha Sergey Ryabkov, vice-ministro dos Negócios Estrangeiros da Rússia.

O tratado em questão interdita o uso de mísseis terrestres, com capacidade para transportar ogivas nucleares, com um alcance de 500 a 5500 quilômetros.

A Rússia é acusada de instalar um sistema de mísseis de cruzeiro junto às fronteiras europeias.

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