Como a gigante cai: a falência política do Facebook

Como a gigante cai: a falência política do Facebook

29/03/2018 0 Por Estudos Nacionais

(Por Victor Moretti)

Você sabe quanto é um bilhão? Tipo, na real… tem ideia do que dá pra fazer com UM FUCKING BILHÃO? Agora imagina 60 bilhões. De dólares. Indo para o ralo. É. Foi assim que Mark Zuckerberg se sentiu quando a Facebook perdeu isso em valor de mercado por causa de um micro-pequeno-merdinha furo na política de uso dos dados deles para aplicativos parceiros (já explico).

As vitórias de Donald Trump e do movimento Brexit em 2016 se deram, em parte, pela atuação de uma empresa: a Cambridge Analytica, especialista em análise de dados. Isso não é coisa nova, mas tem causado um terremoto no cenário digital e o motivo é político – embora a mídia faça parecer ser ético.

First things first

O que a Cambridge Analytica foi contratada para fazer? Coletar dados e realizar inteligência de mercado para orientar as campanhas políticas. A MESMA coisa que eu faço para meus clientes. A diferença é que meus clientes querem ganhar dinheiro, os deles tinham finalidade política.

O que a C.A. fez, afinal? O que foi contratada para fazer, legalmente e dentro da política de uso do Facebook. Criaram um jogo de Facebook (desses que vocês ficam me convidando pra jogar) em que se respondiam perguntas, como um Quiz. Ele coletava dados de quem jogava e fazia um sistema de profiling político com essas informações. Só isso.

O começo da avalanche se deu pelo fato do Facebook permitir que os aplicativos pegassem dados não só das pessoas que respondiam o Quiz, mas também de seus amigos (sem que ninguém consentisse com nada).

Ao todo, o sistema montou o perfil político de 50 milhões de americanos. Aí o resto foi mais ou menos assim… um gordo nerd, de barba falhada, com mancha de coca-cola na camisa estalou os dedos, alongou os braços e começou a fazer exatamente o que eu faço todo dia de manhã: segmentar publicidade voltada para eliminação de objeções psicológicas e estímulo para tomada de ação. Venda, votos, conversão de opiniões, tendências de moda. Não importa, o processo é o mesmo. No caso deles, o objetivo era que as pessoas votassem pelo Brexit e pelo Donald Trump.

Sabe qual é o pior? Funciona, funciona pra caramba! E foi assim que o Brexit venceu e o Trump foi eleito.

Onde está o erro? O Facebook proíbe o uso dessas informações de usuários e amigos de usuários fora do aplicativo na plataforma, mas não tem nenhum plano sobre como isso deveria ser sancionado ou evitado. Ou seja, a C.A seguiu as regras, prometeu que não ia usar a mina de ouro do Mark e… usou! A permissividade e o descontrole de uma pequena feature da plataforma deu início a avalanche.

Pausa.

Perceba que o prejuízo não surgiu do uso de dados. Então por qual motivo o mercado financeiro agiu em debandada contra o Facebook? Porque, colega, como já ensinava a banda Calcinha Preta, “Quem ama não trai, vive para o outro”. Segue comigo…

Essa história foi alvo de críticas pesadas sobre o Facebook pelo teor ético da exposição dos usuários da rede social a entidades privadas. Quando se tratou de mudar os rumos da política aí fodeu. Mas isso é uma mentira. O problema NUNCA foi o uso indevido dos dados de usuários e nem a influência política. A mídia, bancada e gerida pelos maiores engenheiros sociais da atualidade quer que você engula essa.

A verdade é que Barack Obama já tinha feito a mesma coisa em 2012! Foi assim: Obama reuniu uma equipe de 100 analistas de dados que adotaram uma abordagem totalmente orientada a dados de usuários da web. O próprio diretor de estrutura de dados do Comitê Nacional Democrata, Chris Wegrzyn, disse orgulhosamente que os dados continham fatos sobre o eleitorado e, através de modelos e experimentos, era possível deduzir as decisões eleitorais até o nível da decisão de cada indivíduo para então saber como influenciar essas pessoas.

Mas o Obama tem aquele sorrisão bonito, lava louça, joga basquete e o Trump, porra, é o Trump, né! Quem gosta do Trump? Quem, em sã consciência, contribuiria para a eleição do Trump?!

Agora vem o ponto chave para entender essa novela

Mark Zuckerberg é um apoiador da esquerda corporativista americana, desenhando nele e no Facebook os valores da moda do politicamente correto, do establishment cultural holywoodiano, do favoritismo político que o Facebook dá aos conteúdos de esquerda no feed de notícias, nos ataques à liberdade de expressão e diversidade de opinião, além do endosso das Fake News.

Eleger Donald Trump, mesmo sem essa intenção, é abalar todo o centro de massa ideológica que o Facebook sustenta institucionalmente – e desagradar as pessoas erradas. Eis a traição! Quem coloca dinheiro na Facebook INC. está colocando combustível em um motor. Se o motor funciona contra o motorista, ele não presta.

Beleza, entendemos o motivo do prejuízo financeiro. Mas essa é metade da história. Vamos fazer uma conta de padeiro…

Mark Zuckerberg soma em si, todos os valores de um homem de porcelana do século XXI. Essa cara meio andrógina de quem come muita coisa feita de soja, sempre fala coisas bonitas para a mídia e está sempre postando sobre como sua vida é uma eterna propaganda de margarina diet. Basicamente a materialização de todos os meus pesadelos.

Segue a agenda esquerdista, rico, conhecido, bem sucedido e amável em níveis diabéticos, ele é candidato dos sonhos do Partido Democrata. Era um promessa futura, das grandes, para o Partido.

Ah, esqueci de mencionar um detalhe quase irrelevante: ele controla o maior banco de dados, fluxo e meio de informações públicas e privadas que a história da humanidade já produziu. Ele escolhe o que mostrar e o que ocultar, para quem e quando, conforme o perfil da pessoa. Então, coleguinha que está lendo… se existe uma pessoa nesse mundo que consegue ser eleita sem gastar um centavo em marketing, é ele.

Ou melhor, era. Agora ele é um bode expiatório: o desgraçado que permitiu que Donald Trump fosse eleito.

Em um golpe só, Donald Trump (acredito que sem essa intenção) atacou o coração do homem e de seu cavalo. Agora, Mark não tem credibilidade pessoal nem institucional para atuar politicamente como planejava fazer.

E agora, finalmente, só resta uma coisa ao Zuck: tratar melhor os usuários do Facebook e nós, marketeiros e empresas que bancam o salário dos funcionários dele.

Donald Trump: make the internet great again!

Edit: Pessoal, um esclarecimento importante que não ficou claro no texto. O mercado financeiro não é ideológico, ele quer lucro. O que aconteceu foi um movimento midiático estudado de crítica ao Facebook para que houvesse essa debandada.