Brexit: Parlamento aprova extensão do prazo das negociações e rejeita novo referendo

LONDRES – O divórcio entre o Reino Unido e a União Europeia, marcado para o dia 29 de março, pode ser adiado após o parlamento britânico aprovar emenda que visa estender o Artigo 50 do Tratado de Lisboa, o mecanismo por meio do qual aciona-se a saída de um país membro da UE.

Por 412 votos a favor e 202 contra, a Casa dos Comuns – House of Commons – concedeu à Primeira Ministra Theresa May a permissão para solicitar junto à UE, o adiamento do divórcio, que segundo May, pode se estenter até 30 de junho, caso o parlamento aprove um novo acordo o qual será proposto na semana que vem; ou por um período mais longo – ainda indeterminado – caso o parlamento rejeite o acordo de May mais uma vez.

A extensão do Artigo 50 precisa ser aprovada pela União Europeia e todos os seus países membros, de acordo com um porta-voz da Comissão Europeia.

Mais cedo, o parlamento britânico rejeitou uma tentativa de substituir a emenda que visava estender o Artigo 50 por um novo referendo. Por 334 votos a 85, a proposta de um novo referendo foi categoricamente derrotada pelos MP’s da casa. No entanto, o socialista Jeremy Corbyn, do Partido Trabalhista – Labour – manifestou que pode voltar a pleitear a proposta.

Em votação separada, Theresa May conseguiu uma vitória importante que manteve no comando do governo o processo de separação e os próximos passos do Brexit, rejeitando por uma pequena maioria uma emenda que visava transferir o poder para o parlamento.

O impasse no parlamente britânico, mostra a distância entre a elite política e a população, uma vez que o parlamento simplesmente não consegue entregar aos britânicos o resultado do referendo de junho de 2016 em que o país votou pela saída do Reino Unido da União Europeia em referendo posto para o voto popular.

Por hora, o parlamento que rejeitou tanto o acordo medíocre proposto por Theresa May quanto a possibilidade de sair da União Europeia sem um acordo, bem como um novo referendo, conseguiu apenas aprovar a extensão do prazo para as negociações, no entanto sem saber de fato quando e como pretende resolver o impasse.

Até que sejam superadas as divergências políticas e entregue aos britânicos o resultado das urnas, a democracia do Reino Unido segue à mercê de uma elite política pedante, petulante e prepóstera.


 
 

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